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As delícias do ócio criativo

As delícias do ócio criativo

(Re)início

Foureaux, 15.01.22

Começou 2022 e, mesmo antes de 2021 terminar, eu já não escrevia com tanta regularidade. Deixa isso pra lá. Como faço desde que comecei a escrever um blogue, tento, anualmente, modificar a aparência dele. É, de fato, uma tentativa de deixá-lo mais atraente, o que parece não surtir muito efeito. Mas lá se vão mais de dez anos. Se não me equivoco, comecei quando estava em Zagreb, naqueles dois anos instigantes e, mesmo, reveladores que lá passei. Pois bem. Na primeira postagem do ano, ainda com os motores em estado de aquecimento, faço a transmissão de ideias alheias. Trata-se de trecho de um artigo de J.R. Guzzo, publicado na edição da revista Oeste, da última sexta-feira (ontem). Assevero que, pelo fato de transportar literalmente o trecho aqui, não estou a subscrever cegamente as ideias do autor. Jamais faço isso. Quem me conhece sabe. Logo, a motivação é uma certa inquietude trazida pelas miríades de incertezas e falácia acerca de tudo que ocorre no planeta. Coisa cansativa, chata, triste, rasa. mas vamos lá... Ainda vale a pena ler. Segue o trecho:

“Trabalho é para os 90% da população brasileira que tem de se pendurar em poste elétrico para consertar o corte de luz na casa de quem não admite comparecer ao serviço — ou para todos os que são obrigados a trabalhar para sobreviver. É coisa de quem tira lixo da rua. É coisa de quem guia o metrô, ou do motoboy do delivery, ou do porteiro do prédio. É coisa de quem trabalha no comércio, no hospital ou na polícia. É coisa de operário, do técnico da torre de aeroporto, do homem da companhia de gás que se enfia embaixo da terra para garantir o fogão dos terraços gourmet. Não é o mundo do professor da USP. Não é a Praia da Pipa. Esse é o Brasil da maioria que realmente produz, e não o Brasil dos parasitas – do universo político, dos banqueiros de esquerda, da CPI da Covid, dos comunicadores e das classes intelectuais que andam de máscara, combatem o genocídio e querem que o mundo continue nessa camisa de força que lhes faz tão bem. A lista dos sócios do vírus ainda vai longe. Pode incluir a big pharma norte-americana e mundial em peso, da Pfizer, AstraZeneca e Johnson&Johnson a todas as suas irmãs. Só o Brasil, e só nesta primeira fase, colocou no Orçamento cerca de R$ 30 bilhões para gastar com vacinas, numa conta que ainda pode ser muito maior. Calcule agora o tamanho dessa bonança em termos mundiais; é de dar inveja em qualquer Google da vida. Junte os fornecedores de testes para covid, os fabricantes de insumos para a vacina e os produtores de material de apoio. Some as empresas de transporte, as redes de farmácias e outros serviços de assistência – para não falar em médicos e hospitais. Não se esqueça, enfim, dos 6.000 prefeitos e dos 27 governadores brasileiros, que ganharam do Supremo Tribunal Federal o prodigioso direito de fazerem o que bem entendem para “salvar vidas” – a começar pela dispensa de licitação para gastar dinheiro público no combate à covid. É roubar, deitar e rolar, com a aprovação do Judiciário e o diploma de “heróis da saúde” concedido pelos editoriais da imprensa. Quem vai querer outra vida? É covid para toda a eternidade.”

 

Quem sabe...

Foureaux, 21.12.21

“IMBECILIS TROPICALIS”

O pequeno verbete tem cheiro e sabor de parábola. Para completar, é temperado com ironia e mordacidade, o que o faz mais atraente e apetitoso para a inteligência. Como dito no final, a autoria é desconhecida. Tomei a liberdade de apor alguns pitacos, cortar algumas excrescências e modificar algumas outras tantas cositas. Ao fim e ao cabo, pode ser divertida, a leitura.

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Também conhecido por “otarius tupiniquensis”, é uma subespécie humanoide que habita várias regiões do Brasil. Devido à baixa capacidade cognitiva, seus hábitos ainda são um mistério para os pesquisadores. As primeiras pistas indicam que se alimentam de mortadela e têm uma religião primitiva, que adora um ser marinho pequeno e vulgar. Ainda não foram registradas atividades laborais, o que leva a crer que sejam alguma espécie de parasita, que sobrevive do trabalho alheio. Com baixíssima capacidade de entrosamento entre espécies, o “imbecilis tropicalis”, geralmente, é avistado somente em bandos ruidosos, gritando ofensas aos demais. O aspecto contraditório, aliás, é o que mais intriga os pesquisadores. Esta subespécie acredita que queimando pneus, estátuas, depredando bens públicos e particulares ou fechando ruas em algazarras estão exercendo a cidadania e a democracia. Pedem respeito à todas as crenças, mas desrespeitam a crença da maioria. Dizem-se defensores das famigeradas minorias, mas defendem regimes que exterminaram e continuam a exterminar estas mesmas minorias. Apesar de raciocinarem como primatas, têm conduta parecida à dos pombos. Fazem muito barulho, muita sujeira e sempre saem de peito estufado. Esse hábito ainda é um mistério. A maior discussão, entre os cientistas, é como essa espécie se desenvolveu. Alguns apoiam a teoria de que o “otarius tupiniquensis” é fruto de uma época de muitas facilidades, que se acomodou à sombra de um Estado corrupto e paternalista. Outros aventam a possibilidade de uma infecção viral e temem uma epidemia. O terceiro grupo, porém, acredita que são frutos de experiências secretas, realizadas por professores e pela grande mídia, numa tentativa macabra de reengenharia social. Sem dúvida, é uma subespécie de mentecaptos que infelizmente habitam o Brasil e que lutam para ser escravos num regime comunista.

Autor desconhecido. 

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"Chamadas"

Foureaux, 12.10.21

Meu computador de mesa é da HP. (Eu poderia dizer logo desktop, mas não o faço por birra. Não gosto da língua do tal de tio sam... assim mesmo, em minúsculas. E não renuncio a minha chatice, não neste espaço meu, absolutamente todo meu!). Logo, como soe acontecer, seu sistema é da Microsoft. Assim que abro o Edge, abre-se a página do Bing. Colorida e cheia de notícias, em sua maioria, inócuas, para não dizer inúteis. Hoje pela manhã, entediado e saudoso (matéria, talvez, para outra postagem), me deu vontade de comentar algumas “chamadas”...

“O leitor perfeito é aquele que me lê, opina Paulo Coelho”

Quanta arrogância! Associar uma instância impossível, por subjetiva e volátil, à própria “obra” é de uma petulância que beira o patético. Não condeno quem goste dele, mas não gosto. Li os três primeiros livros e desisti de ler os demais. Uma chatice. A “chamada” pode até funcionar como uma estratégia de propaganda, o que não seria novidade no caso deste “autor”. No entanto, a empáfia escorre de cada letra. Que náusea...

“Como interpretar sonhos. Dez dicas para interpretar o seu subconsciente”

Freud, ou o que restou dele sem seu túmulo, deve se revirar três ou quatro vezes, em direções diversas, ao escutar alguém ler tal “chamada”. que idiotice. Os dois volumes que ele escreveu sobre o assunto, que foram lidos por pouquíssimas pessoas – considerando o número de habitantes deste planeta – parecem coleção de novelas, daquelas publicadas nos anos 50 e 60. Que coisa! (Obrigado, Glícia!). As “dicas” devem ser de uma imbecilidade indescritível e devem satisfazer as mentes mais rasas do planeta. Parece que a inteligência humana regride. Diante de uma coisa como esta, creio não haver outra explicação plausível. Além do mais, o subconsciente ainda é um tanto mais permeável a ações interpretativas humanas que o inconsciente, espaço predileto dos sonhos. A falta de leitura é mesmo uma doença terrível, praticamente mortal.

“Arma de policial dispara sozinha e atinge motorista durante abordagem”

Alguém pode me explicar como é possível ocorrer tal fenômeno: uma arma “atirar” sozinha. Um pedaço de metal torneado e enfeitado, inerte, ter vida própria? Se tivesse caído no chão, talvez ficasse mais plausível o ocorrido. Se tivesse sido jogada por alguém, da mesma forma. Mas “agir” sozinha, autonomamente. Não creio. Ou então, eu, no fundo de minha chatice, estou perdendo o senso... Pode ser...

“Limite de velocidade nas autoestradas alemãs volta ao debate”

Bom. Parece inusitado. E é! Num país que poderia ser malha ferroviária extensa e útil, melhorando todas as condições de trânsito, sobretudo para transporte de cargas, a notícia me parece absolutamente deslocada. A considerar as condições asfálticas das “autoestradas” tupiniquins, a “chamada” beira a chacota gratuita. Quem já andou pelas similares alemãs – e não só elas, mas as francesas, italianas, portuguesas e demais outras – pode rá concordar comigo. ó não o fará para não correr o risco de se alinhar à minha chatice, o que pode ser condenável. Por outro lado, há de haver um gaiato que vai criticar o povo alemão por debater sore assunto tão comezinho e aparentemente sem maiores consequências. Somente um desavisado vai cerrar fileiras com este gaiato. 

“Cidades europeias lideram ranking global de aventuras a viagens”

Uma coisa que sempre me incomodou e continua a me incomodar é essa mania que as pessoas têm de submeter tudo, absolutamente tudo, a abordagens estatísticas. Dá a impressão de que o mundo gira ao redor de disputas e campeonatos de supremacia. Ao fim e ao cabo, que diferença faz se são cidades europeias ou africanas? Umas são melhores que outras? Tudo isso é absolutamente relativo. E eu adoro essa contradição em termos. Pena que nem todo mundo seja capaz de percebê-la e gostar dela também. Será que tudo na existência humana fica melhor, mais claro, mais palatável, menos pejorativo se submetido a prélios estatísticos. Uma espécie de podium eterno e absoluto, sem o qual nada vale apena? Neste caso, o poeta estaria errado (?). Entenda quem for capaz...

“Cidade de São Paulo aplica doses de reforço nesse domingo”

Como no caso da arma autônima, a cidade de São Paulo também anda fazendo das suas! Incrível! Será que custava muito explicitar que a secretaria municipal de saúde resolveu intensificar a vacinação na cidade de São Paulo? Cansa muito escrever isso? Cansa mais ler isso? Eu sou preguiçoso, admito. No entanto, não vejo por que economizar em palavras e perder em clareza, em concisão, em objetividade e até em beleza. Preguiça, nestes casos, não cola! Não pode colar. Ah... esqueci que a “turma” que “redige” essas coisas é “jovem”, logo, crias e discípulos daquele famigerado (como é mesmo o nome dele? Citam tanto e eu não consigo me lembrar)... o que afirma que educação formal é opressão. Vai vendo... Daqui a pouco ninguém escreve mais nada. Só desenha... e olhe lá!

“O Novo não vai estar com Bolsonaro, diz o presidente do partido”

Esta chamada deveria vir acompanhada da fotografia do tal “presidente do partido”. Faria jus ao adagiário que prega que uma imagem vale mais que mil palavras. Para quem não me conhece, devo acrescentar que a última oração que escrevi contém ironia. Nunca é demais lembrar. Faço isso porque sei que a escrita trai o sentido, sempre. Voltando à vaca fria... Ainda que eu não seja o que chamam de bolsonarista – faz já alguns anos que declarei publicamente minha alienação ideológica, sobretudo ligada à política partidária, tendo como consequência a minha recusa em voltar a sair de casa para votar – devo dizer que a chamada peca pelo excesso de... de... de... nem sei! Tão poucas palavras para conteúdo tão pouco relevante e tanta “ostentação” discursiva! Sim! Acabei de criar esta categoria, só para celebrar a inutilidade – para mim, claro! – da tal “chamada”...

“Famosos que já foram traídos e não escondem isso”

Ser traído é predicado? Ser traído é passaporte para a fama? Ser traído é requisito para alguma coisa de útil? Eu lá quero saber de quem foi traído? Que relevância tem isso na minha vida? De mais a mais, “famosos” para quem? Por quê? Publicar o fato de já ter sido traído e jactar-se de situação incômoda como esta é algum tipo de estratégia de propaganda? Vende-se mais alguma coisa – para além de tabloides e revistas de fofocas – com esse reclame? Que coisa mais rasteira, pobre, inútil, irrelevante e... chata! Ai que canseira!

“Flávio Bolsonaro compara Bolsonaro com Dória comendo pastel”

Vou me abster de comentar o que quer que seja sobre este Flávio. Este que aparece na “chamada”. Não quero ver narizes torcidos. Não que ter que ler advertências e xingamentos por mencionar este nome, com o sobrenome que o particulariza. No entanto, ri litros (Obrigado Eni!). A comparação, para além de hilária é nauseabunda. Na mesma medida. A comparação procede, pois só de imaginar o agripino (Para quem não sabe, este é o segundo nome daquele que se diz governador de São Paulo, o da calça apertada) comendo pastel numa feira, eu começo a rir, por conta da hipocrisia... que é muita! 

“Celebridades que moram com os pais”

Saí de casa algumas vezes. Voltei outras tantas. As circunstâncias me levaram a isso. Agora, eu me pergunto. O que é que alguém tem que saber ou querer saber alguma coisa sobre isso? De mais a mais, o que é mesmo uma celebridade? Se não me engano, alguém que faz “sucesso” torna-se uma celebridade. Mas o que é mesmo o sucesso? Qual a receita, o roteiro para alcançá-lo? Existe mesmo um roteiro? Uma receita? E depois disso, como fazer para manter o tal de sucesso e não perder o posto de “celebridade”? De mais a mais, essa tal de celebridade deve ser uma chatice. Imagina só não poder sair de casa à tarde pra tomar um sorvete. não pode aparecer numa igreja, de repente, pra rezar um pouquinho. Numa rodoviária, num aeroporto, num posto de gasolina... sempre com gente em volta, alcovitando, pegando, perguntando, gritando... Uma chatice completa. Pra completar: se a tal “celebridade” mora ou não com os pais, é problema dela, de mais ninguém. Punto i basta!

“Saiba onde anda Daniella Cicarelli e outros apresentadores sumidos”

Não me interessa saber o endereço da tal de Daniela. Da mesma forma, estou me lixando para os outros apresentadores sumidos. Que mania desagradável desses “jornalistas”, usarem o imperativo como forma de retroalimentar convenções em tudo e por tudo vazias de qualquer lógica ou sentido. Uma chatice. Mais uma! Se sumiram, deve haver um motivo. Fazem falta? Talvez. Por que sumiram? De fato, não me interessa. Interessa “mesmo” a alguém? Saber isso vai mudar alguma coisa de concreto e útil para a humanidade? Pois é...

“Saiba curiosidades sobre Miguel Falabella”

Olha o imperativo aí de novo! Ai, ai... E eu lá quero saber alguma curiosidade sobre este indivíduo? Ele que viva bem, cm saúde, as suas curiosidades que eu sigo o meu caminho. Não gosto dele, logo, nada que a ele diga respeito me interessa. Presenciei uma cena escabrosa com esse tal de Miguel. Foi na loja da extinta Varig, ao lado do Copacabana Palace. Nos anos 80. O talzinho, se não me engano, estava em “ascensão”. Então... já viu né... Quanta grosseria. Nem vale a pena contar. Fico só imaginado que classe de curiosidade poderia atrair alguma atenção... Eu, fora!