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As delícias do ócio criativo

23.07.23

Dezenove dias, contados a dedo, quase a hora. Um período mais longo que o último, em novembro passado. Quatro dias a mais. O destino era o mesmo. A novidade é que o período de estadia pode aumentar. devagar e sempre. Voltar é sempre bom, mas todas as vezes que lá chego, tenho a sensação de que estou voltando para casa. Já pesei muito sobre isso, sobre esta sensação de pertencimento que ocorre, vez ou outra, alhures. Não consigo encontrar uma resposta definitiva. Isso não me aflige. Ao contrário, aumenta a expectativa da volta. O esterno retorno de que trataram tantos filósofos. Comecei, como de outra vez, a fazer um diário. Daí, pensei: os leitores serão os mesmos, pouquíssimos, mas, até prova em contrário, constantes, presentes. Mais gente deve até ler, mas não sou informado, não fico especulando. Como diz o Ney Matogrosso, ficar contando “seguidores” é muita arrogância. Eu diria idiotice. Somos do mesmo signo, o Ney e eu, mas pensamos diferente em algumas coisas. Digo isso sem empáfia, nem prepotência. Não o conheço pessoalmente. Admiro seu trabalho e seu posicionamento como homem, como artista. Penso que posso afirmar o que afirmei. Se não puder, alguém me avise. Não quero correr o risco de ser admoestado por uma opinião gratuita e inofensiva. É assim já há algum tempo e hoje, ao começar o meu sexagésimo oitavo ano de vida, reafirmo este propósito. Já, quase sete dias depois de retornado, com saudades da terrinha. Ir a Portugal e visitar suas cidades e vilas, rever os amigos que lá deixei e acredito ter é sempre um bálsamo para o espírito. Os lugares podem até se repetir. As pessoas são sempre as mesmas. Mas o prazer sempre varia, em gênero, número, grau e temperatura. Uma aventura. Toda vez que chego a Lisboa tenho a mesma sensação de quando se chega em casa depois de uma grande viagem. Por mais longa, divertida (e um pouco cansativa também: os anos pesam!) chegar em casa é sempre bom: a própria cama, o próprio chuveiro, a rotina da vidinha pouco mais ou menos que não altera em nada o prazer de viver. Pois é. É esta mesma a sensação que tenho quando chego lá em Lisboa. Uma coisa impressionante. Sempre tenho a impressão de que em outras “encadernações” já vivi por aquelas bandas. A energia que me atrai, o prazer que experimento, a identificação com cheiros, sabores, cores e circunstâncias é quase uma evidência disso. Nesta vida, por mais que ela dure, jamais saberei, mas tenho a crença, a convicção de que, de fato, já palmilhei aquela terra. Já estou atrasado com este registro que vai para o meu diário, não o virtual, o outro. Algumas fotos com pessoas queridas “da terrinha” ilustram esta postagem. A ver se os 68 que se iniciam arregimentam ânimo e inspiração para não espaçar tanto os meus registros. De lambujem, uma pequena montagem com fotos tiradas durante o jantar de lançamento de meu livro em Lisboa:

https://www.facebook.com/100078857619327/videos/825476799214756

Apresentação em Évora.jpeg

Capela do castelo de Guimarães.HEIC

Casal queridíssimo.jpeg

Castelo de Guimarães.HEIC

Com Ana Aurora.jpeg

Com Nuno.jpeg

Com o certificado.jpeg

 

Em Arraiolos.JPG

Eu.jpeg

Ifmandade N.Sra. das Dores.JPG

 

Na Casa do Infante (Porto).JPG

No lago do Santuário Bom Jesus de Braga.JPG

 

Restaurante em Cartaxo.JPG

Sala de armas do Castelo de Guimarães.HEIC

Templo de Diana.jpeg

















 

26.04.22

Li o poema que segue por indicação de um amigo muito querido. Conhecia a autora de nome. Fiquei impressionado. No tsunami de preguiça e falta de vontade em que me encontro, pensei em compartilhar os versos, magníficos desta portuguesa de uns tantos costados. Fica, também, como homenagem à data de hoje, importantíssima para o povo português. Salve 25 e abril!

 

Meditação do Duque de Gândia sobre a morte de Isabel de Portugal

 

Nunca mais 

A tua face será pura, limpa e viva 

Nem o teu andar como onda fugitiva 

Se poderá nos passos do tempo tecer. 

E nunca mais darei ao tempo a minha vida. 

 

Nunca mais servirei Senhor que possa morrer. 

A luz da tarde mostra-me os destroços 

Do teu ser. Em breve a podridão 

Beberá os teus olhos e os teus ossos 

Tomando a tua mão na sua mão. 

 

Nunca mais amarei quem não possa viver 

Sempre. 

Porque eu amei como se fossem eternos 

A glória, a luz e o brilho do teu ser, 

Amei-te em verdade e transparência 

E nem sequer me resta a tua ausência, 

És um rosto de nojo e negação 

E eu fecho os olhos para não te ver. 

Nunca mais servirei Senhor que possa morrer.

 

(Sophia de Mello Breyner Andresen)

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