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As delícias do ócio criativo

11.01.26

Resultado de imagem para morteHá um vídeo na rede mostrando Judi Dench e Kenneth Branagh conversando e ele diz pra ela o que aconselhou a um amigo que perdeu seu pai e tinha que dizer algo no funeral. O ator inglês se reporta a uma situação vivida por ele mesmo e diz uma frase de Hamlet: “He was a man, take him for all in all, I shall not look upon his like again”,

traduzindo,

“Ele era um homem, em todos os sentidos, não verei outro igual a ele”

ou

“Ele foi um homem, considere-o por tudo que ele representa, não verei outro igual a ele”,

ou ainda

“Ele era um homem, aceito por tudo que representa, não verei outro igual a ele”.

Mais não digo, a não ser pedir desculpas por possíveis erros de tradução...

02.01.26

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É quase um milagre: estou a escrever outra postagem no segundo dia do ano. Sem um intervalo. Dois dias seguidos! Vai hoje um poema (no original e minha tradução, um tanto livre) de W.H Auden ou Wystan Hugh Auden, poeta anglo-americano – nasceu na Inglaterra e morreu na Áustria –, considerado um dos mais importantes poetas do século 20. O poema é triste, ainda que grandioso. É de uma eloquência contundente e inabalável. Pode ser que haja quem não goste, sobretudo à sombra do último período de “festas” a que a tradição nos conduz a cada ano. Repetição: em minha mensagem de Natal, falei sobre isso. Bem... Segue o texto.

Funeral Blues

W.H. Auden

 

Stop all the clocks, cut off the telephone,

Prevent the dog from barking with a juicy bone,

Silence the pianos and with muffled drum

Bring out the coffin, let the mourners come.

 

Let aeroplanes circle moaning overhead

Scribbling on the sky the message He is Dead.

Put crepe bows round the white necks of the public doves,

Let the traffic policemen wear black cotton gloves.

 

He was my North, my South, my East and West,

My working week and my Sunday rest,

My noon, my midnight, my talk, my song;

I thought that love would last forever: I was wrong.

 

The stars are not wanted now; put out every one,

Pack up the moon and dismantle the sun,

Pour away the ocean and sweep up the wood;

For nothing now can ever come to any good.

************************************************************************

Funeral Blues

W.H. Auden

 

Parem todos os relógios, deixem o telefone cortado,

Impeçam o cachorro de latir com um osso alimentado,

Silenciem os pianos e com abafados tambores

Tragam o caixão, deixem vir os enlutados e suas dores.

 

Deixe os aviões circularem como lamentos aéreos

Rabiscando "Ele está morto". em traços etéreos

Enlacem com crepe pescoços brancos do alto escalão

Deixem guardas de trânsito com luvas pretas de algodão.

 

Ele era meu Norte, meu Sul, meu Leste e Oeste,

Minha semana de trabalho e ócio dominical inconteste

Meus meio-dia e meia-noite, minha conversa e canção;

Pensei que o amor duraria para sempre: agora sei que não.

 

As estrelas não são mais necessárias; apaguem todas elas

Embrulhem a lua e desmanchem o sol

Despejem o oceano e varram a floresta;

Pois agora, ainda que ocorra, nada mais presta.

PS: não traduzi o título. “Blues”, no singular, é “azul”. No plural, pode ser um estilo musical ou um estado de alma (triste). Penso que a tradução tiraria a carga semântica e, por que não, “sentimental” do poema. No entanto, tradução possível, a meu ver, seria “Lamentos funestos”. Não fica bom... Aceito sugestões...

01.01.26

Antes de mais, feliz ano novo!

Vai hoje o primeiro do ano, no primeiro dia do mesmo ano,... quem sabe mais outros virão com um pouco mais de frequência... Não posso garantir.

Inauguro mais um ano deste blogue com um texto atribuído a Pablo Neruda. O particípio procede dado que, mesmo com o “ano novo”, minha preguiça continua a mesma! A ideia era publicar “Funeral Blues”, do W.H. Auden. No entanto, o tom fúnebre, ainda que monumental, do poema exigiria muita explicação por aparecer num dia de (suposta) alegria e comemoração. A suposição é por minha conta. Pensem o que quiserem. Como não queria gastar meu tempo (e paciência) com as explicações irrecorríveis, vai o anunciado.

Os anos que me restam.

“Nunca tinha pensado nisso desta forma, até que uma manhã, com o café fumegando, compreendi que os anos que tenho… já não os tenho.

Sim, soa estranho, mas é a verdade. Aqueles anos que digo ter já se foram, permanecem em fotografias, em risos antigos, em amores que já não doem, em roupas que já não me servem e em sonhos que mudaram de forma.

Os verdadeiros anos que tenho são os que me restam para viver, os que ainda não me viram rir às gargalhadas, os que ainda guardam um abraço, uma conversa sob a lua ou um brinde inesperado.

Nesta idade, compreende-se que o tempo já não se mede em velas ou novas rugas, mas em momentos valiosos, em risos que se prolongam e em silêncios que não nos pesam.

Quero passar os anos que me restam devagar, sem pressa, com a calma de quem já não precisa de provar nada. Já não me preocupo se o relógio está a correr.” Ou se a vida mudar de planos. Que ela siga seu curso, que mude, que me surpreenda.

Tudo o que eu quero é que os anos que me restam sejam meus, verdadeiramente meus… vividos com a alma aberta, o coração em paz e a certeza de que tudo o que fui, com meus erros e acertos, me trouxe até aqui.

E aqui estou eu: tomando café, observando a vida passar pela janela, grata pelos anos que já não tenho… e abraçando com carinho aqueles que ainda viverei.”

 

19.10.25

É notável se dar conta de que a letra de uma música faz tanto sentido. Apesar do fato de que o poeta – porque ele é mesmo um poeta! – tenha posicionamentos tão questionáveis – para dizer o mínimo. Deixando minha chatice de lado, compartilho o prazer de ler (e ouvir0 peça tão contundente e direta. Pensem o que quiserem. É assim que eu sou... um chato!

Amanhã vai ser outro dia
Amanhã vai ser outro dia
Amanhã vai ser outro dia

Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão, não
A minha gente hoje anda
Falando de lado
E olhando pro chão, viu

Você que inventou esse estado
E inventou de inventar
Toda a escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar
O perdão

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Eu pergunto a você
Onde vai se esconder
Da enorme euforia
Como vai proibir
Quando o galo insistir
Em cantar
Água nova brotando
E a gente se amando
Sem parar

Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros, juro
Todo esse amor reprimido
Esse grito contido
Este samba no escuro

Você que inventou a tristeza
Ora, tenha a fineza
De desinventar
Você vai pagar e é dobrado
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Inda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria
Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença
E eu vou morrer de rir
Que esse dia há de vir
Antes do que você pensa

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia
Como vai se explicar
Vendo o céu clarear
De repente, impunemente
Como vai abafar
Nosso coro a cantar
Na sua frente

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai se dar mal
Etecetera e tal
Lá lá lá lá laiá

 

25.09.25

caminho.webp

Pensando no que escrever depois de (mais um!) lapso de tempo, deu-me um estalo e abri o arquivo com as obras completas de Augusto dos anhos, poeta de que gosto imenso. Passei os olhos pelo índice e deparei-me com um título instigante. O poema que a este título corresponde acabou por ser minha postagem de hoje. Sem mais!

Tomara que gostem...

POEMA NEGRO

A Santos Neto

Para iludir minha desgraça, estudo.

Intimamente sei que não me iludo.

Para onde vou (o mundo inteiro o nota)

Nos meus olhares fúnebres, carrego

A indiferença estúpida de um cego

E o ar indolente de um chinês idiota!

 

A passagem dos séculos me assombra.

Para onde irá correndo minha sombra

Nesse cavalo de eletricidade?!

Caminho, e a mim pergunto, na vertigem:

— Quem sou? Para onde vou? Qual minha origem?

E parece-me um sonho a realidade.

 

Em vão com o grito do meu peito impreco!

Dos brados meus ouvindo apenas o eco,

Eu torço os braços numa angústia douda

E muita vez, à meia-noite, rio

Sinistramente, vendo o verme frio

Que há de comer a minha carne toda!

 

É a Morte — esta carnívora assanhada —

Serpente má de língua envenenada

Que tudo que acha no caminho, come...

— Faminta e atra mulher que, a 1 de Janeiro,

Sai para assassinar o mundo inteiro,

E o mundo inteiro não lhe mata a fome!

 

Nesta sombria análise das cousas,

Corro. Arranco os cadáveres das lousas

E as suas partes podres examino...

Mas de repente, ouvindo um grande estrondo,

Na podridão daquele embrulho hediondo

Reconheço assombrado o meu Destino!

 

Surpreendo-me, sozinho, numa cova.

Então meu desvario se renova...

Como que, abrindo todos os jazigos,

A Morte, em trajes pretos e amarelos,

Levanta contra mim grandes cutelos

E as baionetas dos dragões antigos!

 

E quando vi que aquilo vinha vindo

Eu fui caindo como um sol caindo

De declínio em declínio; e de declínio

Em declínio, com a gula de uma fera,

Quis ver o que era, e quando vi o que era,

Vi que era pó, vi que era esterquilínio!

 

Chegou a tua vez, oh! Natureza!

Eu desafio agora essa grandeza,

Perante a qual meus olhos se extasiam...

Eu desafio, desta cova escura,

No histerismo danado da tortura

Todos os monstros que os teus peitos criam!

 

Tu não és minha mãe, velha nefasta!

Com o teu chicote frio de madrasta

Tu me açoitaste vinte e duas vezes...

Por tua causa apodreci nas cruzes,

Em que pregas os filhos que produzes

Durante os desgraçados nove meses!

 

Semeadora terrível de defuntos,

Contra a agressão dos teus contrastes juntos

A besta, que em mim dorme, acorda em berros:

Acorda, e após gritar a última injúria,

Chocalha os dentes com medonha fúria

Como se fosso o atrito de dois ferros!

 

Pois bem! Chegou minha hora de vingança.

Tu mataste o meu tempo de criança

E de segunda-feira até domingo,

Amarrado no horror de tua rede,

Deste-me fogo quanto eu tinha sede...

Deixa-te estar, canalha, que eu me vingo!

 

Súbito outra visão negra me espanta!

Estou em Roma. É Sexta-feira Santa.

A trava invade o obscuro orbe terrestre

No Vaticano, em grupos prosternados,

Com as longas fardas rubras, os soldados

Guardam o corpo do Divino Mestre.

 

Como as estalactites da caverna,

Cai no silêncio da Cidade Eterna

A água da chuva em largos fios grossos...

De Jesus Cristo resta unicamente

Um esqueleto; e a gente, vendo-o, a gente

Sente vontade de abraçar-lhe os ossos!

 

Não há ninguém na estrada da Ripetta.

Dentro da Igreja de S. Pedro, quieta,

As luzes funerais arquejam fracas...

O vento entoa cânticos de morte.

Roma estremece! Além, num rumor forte

Recomeça o barulha das matracas.

 

A desagregação da minha Ideia

Aumenta. Como as chagas da morfeia,

O medo, o desalento e o desconforto

Paralisam-me os círculos motores.

Na Eternidade, os ventos gemedores

Estão dizendo que Jesus é morto!

 

Não! Jesus não morreu! Vive na serra

Da Borborema, no ar de minha terra,

Na molécula e no átomo... Resume

A espiritualidade da matéria

E ele é que embala o corpo da miséria

E faz da cloaca uma urna de perfume.

 

Na agonia de tantos pesadelos

Uma dor bruta puxa-me os cabelos.

Desperto. É tão vazia a minha vida!

No pensamento desconexo e falho

Trago as cartas confusas de um baralho

E pedaço de cera derretida!

 

Dorme a casa. O céu dorme. A árvore dorme.

Eu, somente eu, com a minha dor enorme

Os olhos ensanguento na vigília!

E observo, enquanto o horror me corta a fala

O aspecto sepulcral da austera sala

E a impassibilidade da mobília.

 

Meu coração, como um cristal, se quebre;

O termômetro negue minha febre,

Torne-se gelo o sangue que me abrase,

E eu me converta na cegonha triste

Que das ruínas duma cassa assiste

Ao desmoronamento de outra casa!

 

Ao terminar este sentido poema

Onde vazei a minha dor suprema

Tenho os olhos em lágrimas imersos...

Rola-me na cabeça o cérebro oco.

Por ventura, meu Deus, estarei louco?!

Daqui por diante não farei mais versos.

augusto.webp

07.09.25

Ando pensando muito no tempo. Já o fiz antes. agora, há um “a mais”: a idade. Estou vivendo o meu septuagésimo ano de vida. Não é pouco. Já não é mais tempo para planos de médio e longo prazo. Já não há espaço para sonhos mirabolantes. É a experiência da finitude a cada dia mais nítida, mais explícita, mais inescapável. Tudo, absolutamente tudo muda de figura. Não cabe julgamento de valor sobre se para o bem ou para o mal. É como é. Punto i basta! Na “rede” há um situo sobre poesia de que gosto imenso. Hoje, abriu-se automaticamente uma postagem de quem controla tal sítio com um poema declamado pela atris inglesa, Helena Bonham Carter, de quem gosto imenso. O texto que ela declama segue abaixo. Depois, a tradução feita por alguém (a fonte vai entre parênteses. Em seguida, por pensar que é coerente (ainda que possa não sê-lo) segue outro texto recebido de uma amiga, a Suzana. É pra pesar, sempre e mais...

Derek Walcott – Love After Love

The time will come
when, with elation
you will greet yourself arriving
at your own door, in your own mirror
and each will smile at the other’s welcome,

and say, sit here. Eat.
You will love again the stranger who was your self.
Give wine. Give bread. Give back your heart
to itself, to the stranger who has loved you

all your life, whom you ignored
for another, who knows you by heart.
Take down the love letters from the bookshelf,

the photographs, the desperate notes,
peel your own image from the mirror.
Sit. Feast on your life.

Derek Walcott – amor depois do amor

Um dia virá
em que, eufórico,
você cumprimentará a si próprio chegando
à sua porta, em seu espelho
e cada um dará ao outro um sorriso de boas-vindas,

e você dirá, sente-se aqui. Coma.
Você amará outra vez o estranho que foi.
Sirva vinho. Reparta o pão. Restitua
o seu coração
para ele mesmo, para o estranho que um dia você amou

por toda sua vida, a quem você ignorou
por outro, que o conhece de cor.
Derrube da estante as cartas de amor,

as fotografias, os bilhetes desesperados,
arranque sua imagem do espelho.
Sente-se. Saboreie a sua vida.

(Tradução de Nelson Santander)

(Derek Walcott – O Amor Depois do Amor – singularidade – poesia e etc.)

O psicólogo Hideki Wada publicou um livro intitulado “A parede dos 80 anos”. Assim que foi lançado, o livro superou as 500.000 cópias vendidas, tornando-se o livro mais vendido do momento. Se essa tendência continuar, as vendas devem ultrapassar 1 milhão de cópias, tornando-se o livro do ano no Japão. O Dr. Wada, de 61 anos, é médico especializado em doenças mentais em idosos. Ele condensou os segredos de uma vida “afortunada” para os jovens de 80 anos em 44 frases, listadas abaixo:

  1. Continue caminhando.
  2. Quando estiver com raiva, respire profundamente.
  3. Faça exercícios suficientes para que seu corpo não endureça.
  4. Beba mais água ao usar ar-condicionado no verão.
  5. Fraldas são úteis para aumentar a mobilidade.
  6. Quanto mais você mastiga, mais ativos ficam seu cérebro e seu corpo.
  7. A perda de memória não é por causa da idade, mas da falta de uso do cérebro.
  8. Não há necessidade de tomar remédio demais.
  9. Não é necessário reduzir excessivamente a pressão arterial e o açúcar.
  10. Estar sozinho não é solidão; é passar o tempo em paz.
  11. A preguiça não é motivo de vergonha.
  12. Não é preciso gastar dinheiro com carteira de motorista (há uma campanha no Japão para que idosos devolvam suas habilitações).
  13. Faça o que quiser; não faça o que não gosta.
  14. Os desejos naturais permanecem mesmo na velhice.
  15. Em qualquer caso, não fique sentado em casa o tempo todo.
  16. Coma o que quiser; um pouco de sobrepeso é melhor.
  17. Faça tudo com cuidado.
  18. Não se envolva com pessoas de quem não gosta.
  19. Não assista à televisão o tempo todo.
  20. Em vez de lutar contra a doença, aprenda a conviver com ela.
  21. “Quando o carro chega à montanha, o caminho aparece”: esta é a frase mágica da felicidade para os idosos.
  22. Coma frutas e saladas frescas.
  23. O tempo de banho não deve ultrapassar 10 minutos.
  24. Se não conseguir dormir, não se force.
  25. Atividades que trazem alegria aumentam a atividade cerebral.
  26. Diga o que sente; não pense demais.
  27. Encontre um “médico de família” o quanto antes.
  28. Não seja paciente ou rígido demais; ser um “idoso ousado” também não é ruim.
  29. Às vezes, mudar de opinião está tudo bem.
  30. Na fase final da vida, a demência é um presente de Deus.
  31. Se parar de aprender, você envelhece.
  32. Não deseje fama; o que você tem já é suficiente.
  33. A inocência pertence aos idosos.
  34. Quanto mais difícil algo for, mais interessante se torna.
  35. Tomar sol traz felicidade.
  36. Faça coisas que beneficiem os outros.
  37. Gaste o dia de hoje com tranquilidade.
  38. O desejo é a chave para a longevidade.
  39. Viva com alegria.
  40. Respire com leveza.
  41. Os princípios da vida estão em suas próprias mãos.
  42. Aceite tudo em paz.
  43. Pessoas alegres são amadas por todos.
  44. Um sorriso traz boa sorte.

Envelhecer não é uma limitação, é um presente. Com a perspectiva certa e hábitos diários saudáveis, os anos após os 60 podem ser os mais gratificantes da vida. Vamos aceitar o envelhecimento sem medo, mas com graça, gratidão e a sabedoria que o Dr. Wada compartilha com tanta generosidade.

Compartilhe isso com todos os “jovens de idade avançada” que você conhece.

29.08.25

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Anteontem compartilhei um vídeo na minha lista de contatos do WhatsApp. O vídeo mostrava a chegada de um dos injusta e indecentemente presos do famigerado 8 de janeiro. Antes de prosseguir, devo reafirmar minha convicção de que aqueles que DE FATO depredaram patrimônio público devem ser exemplarmente punidos. Os demais (na verdade, aqueles que restaram presos... sem qualquer justificativa plausível). ao contrário, não deveriam estar passando pelo inferno imposto por um psicopata autoritário. Continuando... No vídeo, o rapaz chegar ao velório da avó, depois do requerimento feito por seu pai que, inexplicavelmente foi acatado e deferido pelo já citado psicopata. Um horror. Uma vergonha. Uma canalhice. Não sei quantos militares armados até os dentes. O rapaz algemado, usando uniforme do presídio. Uma vilania indecente, criminosa, inexplicável. No mesmo vídeo aparecem trechos do cachaceiro, condenado, que usurpou a presidência da república, acompanhado apenas de homens de terno. Ele mesmo vestido normalmente, acenando para o populacho como se estivesse num palanque – a única atitude que esse verme sabe tomar. Não vou pedir desculpas pelo vocabulário para expressar mi9nha indignação com toda a franqueza de que sou capaz no momento. Fui dormir indignado aquela noite. Agora, ao me lembrar das imagens, indigno-me outra vez. Então, ainda que ingenuamente – ão me importo com o julgamento que procederá esta postagem – pensei num sentimento inato ao homem, mesmo que pouco partilhado e reconhecido nos dias que correm. Deixo a indignação um pouco de lado e partilho o poema que seguem. as conclusões correm por conta do(s) leitor(es)

Alberto Caeiro

O amor é uma companhia

O amor é uma companhia.

Já não sei andar só pelos caminhos,

Porque já não posso andar só.

Um pensamento visível faz-me andar mais depressa

E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.

Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.

E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.

Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.

Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.

Todo eu sou qualquer força que me abandona.

Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.

 (10-7-1930 – “O Pastor Amoroso”. In Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa. (Nota explicativa e notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor. Lisboa: Ática, 1946, 10ª ed., 1993).

A fonte: Arquivo Pessoa: Obra Édita - O amor é uma companhia -

algema.png



 

23.08.25

Beijo Sem Plano De Fundo
O vídeo com a mocinha que declama em Espanhol é uma delicadeza. Lindo. Procurei na “rede” pelo texto original. Não sei se o encontrei na íntegra. O que partilho hoje é, supostamente, este poema. (Poema SI TE BESARA, de RomeoAimeJ, en Poemas del Alma) Ainda que haja diferenças entre o texto e a declamação em vídeo. Isso não é um problema, absolutamente. No que tange à poesia, esse tipo de discrepância pode ser acolhido como “licença poética” do leitor. Não apropriação indébita, não há plágio, não há crime. É bom que se diga. Em tempos que prenunciam m crime em cada piscada, suspiro ou passo, é bom se prevenir. O poema é lindo, por isso compartilho no original. Penso que, neste caso, traduzir seria uma transgressão. Tiraria de mim, principalmente, o doce sentido do enlevo que ver o vídeo e ler o poema me causaram.

 

Sí, yo te beso en la boca,

porque es de ahí de donde manan los te quiero que derribaban mis murallas

 

Si yo te beso en la boca

es porque de ahí mana el amor en forma de palabras.

 

Ahí va…

 

Si te besara la espalda,

estaría buscando un refugio, de todos mis miedos, frustraciones y demonios...

 

Un lugar donde estar seguro bajo tu protección...

si te besara la nuca, estaría esperando un susurro tuyo...

uno que diga te quiero...

uno que diga estoy aquí.

si te besara el cabello....

estaría buscando atrapar tu olor para soportar el infinito vacío

y sensación de desesperación que habrá en los días venideros.

 

/SUSPIRO/

 

...De nuevo...

 

Si te besara en el cuello es porque estaría buscando el camino

hacia esos labios rojos...

para sentir que estoy vivo...

para sentir que hay una luz al final del camino...

por qué en una noche oscura me encuentro y no veo la salida...

 

Si te besara en la mejilla.

estaría buscando que entiendas que también estoy aquí...

aunque sin lógica y sin sentido...

estaría diciéndote que podemos caminar juntos aun en las espinas...

aun en los pantanos...

aun en lo incierto...

 

Si besara la comisura de tus ojos... oh Dios.

estaría diciéndote que valoro tu vida, tu esfuerzo... tus batallas ...

tu lucha constante...

valiente guerrera.

ok, otra vez....

 

//lagrimas//

 

Si besara tus hombros no sabría qué es lo que quiero ni qué deseo...

quizás solo buscaría sentir tu calor... tu sudor...y respiraría sobre el

tratando de decir millones de palabras bonitas

para que no tengas que partir…

 

//respiraciones agitadas ///

 

NO no..nooo…

 

SOLTAR…

 

si besara tus manos… seria para decirte que encontré el caminho –

que luché con mis demonios y los vencí

para decirte que, a pesar de todo, esta vez será más divertido...

para decirte que las barreras para ti siempre estuvieron derribadas...

las puertas forzadas y mi alma desnuda...

 

//sé que ya la viste//

 

Si besara tus dedos.... estaría buscando el adiós...

el último adiós...

pues el camino se ha terminado...

y ya no existe 

si tan solo entendiera mi alma todo lo que dije...

antes que empiecen a sangrar nuevamente todas las heridas,

antes que tengamos que odiarnos y desearnos a la vez,

antes que llegue el hastío y el aburrimiento...

 

... recuerdame mientras me olvidas...

 

... té

 

 

13.08.25

Resultado de imagem para poesia
Recebi um vídeo de um amigo com este texto sendo dito por um senhor para uma mocinha. O vídeo foi publicado por @poesianua que parece estar localizado aqui: (1) Instagram (para quem quiser buscar a “fonte”). Tomei birra desta expressão. Não era o texto que queria ter partilhado hoje, mas...

“Você não veio ao mundo para ser perfeita.
Veio para sentir, cair, levantar, rir alto, errar feio e ainda assim florescer.
Sim, todos nós tropeçamos, enfrentamos sombras, nos arrependemos de escolhas, nos perdemos em nós mesmos. Mas você não é o erro que cometeu numa noite silenciosa. Você é o que aprendeu depois dele. Você é a luz que renasce quando decide não desistir.
Cometa erros. Erros intensos, coloridos, cheios de vida. Erros que te sacodem por dentro e te ensinam a dançar com o caos. Erros que te mostram que a vida real, a que pulsa de verdade, mora fora do script.
E se tem uma coisa que precisa mudar, é esse hábito de se diminuir. Você diz que quer paz, mas ainda cultiva guerras internas. Você diz que merece amor, mas ainda aceita migalhas.
Você diz que quer mudar, mas permanece onde tudo te paralisa.
Chega.
Chega de viver como um paradoxo que sangra em silêncio. Você tem o direito de recomeçar quantas vezes forem necessárias. Tem o direito de mudar de ideia, de direção, de pele.
Tem o direito de sair do casulo e voar, mesmo com as asas ainda curando.
Hoje é dia de parar de sobreviver e começar a viver.
Permita-se brilhar com as cicatrizes, com os tropeços, com os pedaços que você colou com as próprias mãos. A vida não exige perfeição. Ela só quer que você esteja presente.
Com alma, com coragem, com verdade.
Porque meu Deus… você merece ser feliz.
Merece a vida inteira te aplaudindo de pé.
Merece ser exatamente quem sempre sonhou ser, em voz alta, em cores vibrantes, em pele arrepiada de tanto sentir.”

27.07.25

Resultado de imagem para pretensão

Será muita pretensão de minha parte publicar um poema meu junto a um poema de Mario Benedetti? A dúvida persiste. No entanto, hoje, quando li o do poeta uruguaio, resolvi juntar o que escrevi ontem, durante a manhã, de estalo. Vou ficar na dúvida, mesmo que haja quem diga que não.

Que dure lo que tenga que durar.

Que dure meses, días o años,

que dure uma vida entera,

que dure la eternidade,

que dure um segundo

que dure um sussurro

pero que sea contigo

(Mário Benedetti)

............................................................................................. 

os anéis já não repousos em meus dedos engelhados

será a marca deixada pelo tempo

ainda que os olhos

atentos

não percebam a mudança

o fluxo constante de passagem que evolui

e cessa entre um piscar de olhos

e a lágrima que seca

(Foureaux)

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