07.01.26
Autran Dourado, dizem, teria afirmado que “um leitor perfeito é um autor em gestação”. Será que seria muita empáfia de minha parte afirmar que um autor perfeito é um leitor em constante exercício?
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07.01.26
Autran Dourado, dizem, teria afirmado que “um leitor perfeito é um autor em gestação”. Será que seria muita empáfia de minha parte afirmar que um autor perfeito é um leitor em constante exercício?
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25.09.25

Pensando no que escrever depois de (mais um!) lapso de tempo, deu-me um estalo e abri o arquivo com as obras completas de Augusto dos anhos, poeta de que gosto imenso. Passei os olhos pelo índice e deparei-me com um título instigante. O poema que a este título corresponde acabou por ser minha postagem de hoje. Sem mais!
Tomara que gostem...
POEMA NEGRO
A Santos Neto
Para iludir minha desgraça, estudo.
Intimamente sei que não me iludo.
Para onde vou (o mundo inteiro o nota)
Nos meus olhares fúnebres, carrego
A indiferença estúpida de um cego
E o ar indolente de um chinês idiota!
A passagem dos séculos me assombra.
Para onde irá correndo minha sombra
Nesse cavalo de eletricidade?!
Caminho, e a mim pergunto, na vertigem:
— Quem sou? Para onde vou? Qual minha origem?
E parece-me um sonho a realidade.
Em vão com o grito do meu peito impreco!
Dos brados meus ouvindo apenas o eco,
Eu torço os braços numa angústia douda
E muita vez, à meia-noite, rio
Sinistramente, vendo o verme frio
Que há de comer a minha carne toda!
É a Morte — esta carnívora assanhada —
Serpente má de língua envenenada
Que tudo que acha no caminho, come...
— Faminta e atra mulher que, a 1 de Janeiro,
Sai para assassinar o mundo inteiro,
E o mundo inteiro não lhe mata a fome!
Nesta sombria análise das cousas,
Corro. Arranco os cadáveres das lousas
E as suas partes podres examino...
Mas de repente, ouvindo um grande estrondo,
Na podridão daquele embrulho hediondo
Reconheço assombrado o meu Destino!
Surpreendo-me, sozinho, numa cova.
Então meu desvario se renova...
Como que, abrindo todos os jazigos,
A Morte, em trajes pretos e amarelos,
Levanta contra mim grandes cutelos
E as baionetas dos dragões antigos!
E quando vi que aquilo vinha vindo
Eu fui caindo como um sol caindo
De declínio em declínio; e de declínio
Em declínio, com a gula de uma fera,
Quis ver o que era, e quando vi o que era,
Vi que era pó, vi que era esterquilínio!
Chegou a tua vez, oh! Natureza!
Eu desafio agora essa grandeza,
Perante a qual meus olhos se extasiam...
Eu desafio, desta cova escura,
No histerismo danado da tortura
Todos os monstros que os teus peitos criam!
Tu não és minha mãe, velha nefasta!
Com o teu chicote frio de madrasta
Tu me açoitaste vinte e duas vezes...
Por tua causa apodreci nas cruzes,
Em que pregas os filhos que produzes
Durante os desgraçados nove meses!
Semeadora terrível de defuntos,
Contra a agressão dos teus contrastes juntos
A besta, que em mim dorme, acorda em berros:
Acorda, e após gritar a última injúria,
Chocalha os dentes com medonha fúria
Como se fosso o atrito de dois ferros!
Pois bem! Chegou minha hora de vingança.
Tu mataste o meu tempo de criança
E de segunda-feira até domingo,
Amarrado no horror de tua rede,
Deste-me fogo quanto eu tinha sede...
Deixa-te estar, canalha, que eu me vingo!
Súbito outra visão negra me espanta!
Estou em Roma. É Sexta-feira Santa.
A trava invade o obscuro orbe terrestre
No Vaticano, em grupos prosternados,
Com as longas fardas rubras, os soldados
Guardam o corpo do Divino Mestre.
Como as estalactites da caverna,
Cai no silêncio da Cidade Eterna
A água da chuva em largos fios grossos...
De Jesus Cristo resta unicamente
Um esqueleto; e a gente, vendo-o, a gente
Sente vontade de abraçar-lhe os ossos!
Não há ninguém na estrada da Ripetta.
Dentro da Igreja de S. Pedro, quieta,
As luzes funerais arquejam fracas...
O vento entoa cânticos de morte.
Roma estremece! Além, num rumor forte
Recomeça o barulha das matracas.
A desagregação da minha Ideia
Aumenta. Como as chagas da morfeia,
O medo, o desalento e o desconforto
Paralisam-me os círculos motores.
Na Eternidade, os ventos gemedores
Estão dizendo que Jesus é morto!
Não! Jesus não morreu! Vive na serra
Da Borborema, no ar de minha terra,
Na molécula e no átomo... Resume
A espiritualidade da matéria
E ele é que embala o corpo da miséria
E faz da cloaca uma urna de perfume.
Na agonia de tantos pesadelos
Uma dor bruta puxa-me os cabelos.
Desperto. É tão vazia a minha vida!
No pensamento desconexo e falho
Trago as cartas confusas de um baralho
E pedaço de cera derretida!
Dorme a casa. O céu dorme. A árvore dorme.
Eu, somente eu, com a minha dor enorme
Os olhos ensanguento na vigília!
E observo, enquanto o horror me corta a fala
O aspecto sepulcral da austera sala
E a impassibilidade da mobília.
Meu coração, como um cristal, se quebre;
O termômetro negue minha febre,
Torne-se gelo o sangue que me abrase,
E eu me converta na cegonha triste
Que das ruínas duma cassa assiste
Ao desmoronamento de outra casa!
Ao terminar este sentido poema
Onde vazei a minha dor suprema
Tenho os olhos em lágrimas imersos...
Rola-me na cabeça o cérebro oco.
Por ventura, meu Deus, estarei louco?!
Daqui por diante não farei mais versos.

27.07.25

Será muita pretensão de minha parte publicar um poema meu junto a um poema de Mario Benedetti? A dúvida persiste. No entanto, hoje, quando li o do poeta uruguaio, resolvi juntar o que escrevi ontem, durante a manhã, de estalo. Vou ficar na dúvida, mesmo que haja quem diga que não.
Que dure lo que tenga que durar.
Que dure meses, días o años,
que dure uma vida entera,
que dure la eternidade,
que dure um segundo
que dure um sussurro
pero que sea contigo
(Mário Benedetti)
.............................................................................................
os anéis já não repousos em meus dedos engelhados
será a marca deixada pelo tempo
ainda que os olhos
atentos
não percebam a mudança
o fluxo constante de passagem que evolui
e cessa entre um piscar de olhos
e a lágrima que seca
(Foureaux)
21.07.25
Morreu uma filha de um homem. Ambos são conhecidos. Morte não se celebra, nem se critica, muito menos se politiza. Deixando de lado polêmicas e ignorâncias, resolvi fazer uma postagem com este poema do homem que perdeu a filha. Ao ler o título saberão o nome de ambos. Apesar de não mais gostar, como antes, do homem e muito menos da filha (os motivos não são de interesse público porque opinião é coisa de foro íntimo, por princípio), reconheço o talento do homem e de sua poesia. Fica a homenagem, com a chuva de sentidos ensopando a mente de quem for capaz de “ler”. Uživati!
Drão
O amor da gente é como um grão
Uma semente de ilusão
Tem que morrer pra germinar
Plantar nalgum lugar, ressuscitar no chão
Nossa semeadura
Quem poderá fazer aquele amor morrer?
Nossa caminhadura
Dura caminhada
Pela estrada escura
Drão
Não pense na separação
Não despedace o coração
O verdadeiro amor é vão
Estende-se infinito, imenso monolito
Nossa arquitetura
Quem poderá fazer aquele amor morrer?
Nossa caminhadura
Cama de tatame
Pela vida afora
Drão
Os meninos são todos sãos
Os pecados são todos meus
Deus sabe a minha confissão
Não há o que perdoar
Por isso mesmo é que há de haver mais compaixão
Quem poderá fazer aquele amor morrer?
Se o amor é como um grão
Morre, nasce trigo
Vive, morre pão
Oh, oh
Drão
Drão
Drão
03.04.25

Acabo de ler, numa postagem de um blogue português em que estou inscrito, a seguinte “chamada”: Como começar a ler Murakami. Por alguns segundos fiquei na dúvida: caio na gargalhada ou irrito-me. Escolha nada difícil... Por um lado, pode parecer petulância, por outro, estupidez. Entre os dois, meu coração balança. Como é que se chegou a pensar na possibilidade (esdrúxula) de se arvorar na empáfia de saber como iniciar a leitura de um livro. Pra fim de conversa (que mal começou!) eu mesmo respondo: abrindo o livro e lendo! Punto i basta. Esse desvio de rota me traz a dois poemas que aí seguem:
Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir uma parte
na outra parte
— que é uma questão
de vida ou morte —
será arte
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Se eu conversasse com Deus
Iria lhe perguntar:
Por que é que sofremos tanto
Quando viemos pra cá?
Que dívida é essa
Que a gente tem que morrer pra pagar?
Perguntaria também
Como é que ele é feito
Que não dorme, que não come
E assim vive satisfeito.
Por que foi que ele não fez
A gente do mesmo jeito?
Por que existem uns felizes
E outros que sofrem tanto?
Nascemos do mesmo jeito,
Moramos no mesmo canto.
Quem foi temperar o choro
E acabou salgando o pranto?
O primeiro é do Ferreira Gullar, o segundo, de Leandro Gomes de Barros. Ambos, a meu ver tocam num mesmo ponto: a existência, o saber-se “ser”: questionamento sobre a própria humanidade, ainda que em diapasões harmonicamente diferenciados. Dá o que pensar e, de certa forma, os dois poemas ilustram a “chamada” anunciada no início desta minha postagem. Ambos são lindos. Agora é ler e se deleitar... O poeta maranhense comentou, em entrevista dada, que num dia qualquer, caminhando pela rua, foi parado por algumas pessoas que perguntaram se ele era quem ele era. Na entrevista, o poeta se disse perplexo a se questionar sobre quem ele era exatamente. Disse que atravessava um momento difícil, complicado e estressante, no dia em que foi abordado. Isso o fez pensar se ele era o poeta desejado por quem o abordou ou se ele era ele mesmo, um indivíduo cartorial como outro qualquer... Na dualidade da existência de um só sujeito, a voz poética conclama o leitor para a mesma reflexão. Ou estarei enganado? Já no caso do paraibano, também numa entrevista, ele é perguntado sobre se acredita em Deus. Respondendo afirmativamente que sim, cita o poema que aqui trago. Bela maneira de professar a fé e de apresentar uma questão profunda, abissal, cuja resposta leva toda uma vida para ser elaborada e não é encontrada. Espero que quem chegar a ler esta postagem chegue também a gostar dela.


21.03.25
13.02.25

Há um poeta que me causa espécie. Não sei dizer o porquê. Sim esta palavra é acentuada pois tem valor de um substantivo. Basta consultar a gramática normativa da Língua Portuguesa (qualquer que seja o autor) que, entre mortos e feridos, esta verdade científica vai prevalecer. É, de fato, no campo dos estudos linguísticos, uma verdade científica. Por mais que uns e outros queiram desautorizar esta veracidade. Pois bem. O poeta é Mario Quintana. Conheci-o rapidamente em Santa Maria, nos idos de 90 do século passado. Não cheguei a ser apresentado a ele – havia muitos papagaios de pirata em volta, alvoroçados. Um professor do mesmo departamento em que eu trabalhava era amigo dele e dizia ser pessoa muito afável. Depois, um ex-jogador de futebol – pasmem! – o Falcão, acolheu o poeta, então desalojado. Houve até um rumoroso boato dizendo que Mario quintana foi achado no meio da rua, junto com suas malas, pelo jogador e, então, acolhido. Bem... línguas de matildes sempre existiram e dificilmente serão extirpadas da face do planeta. O que me interessa aqui, no entanto é que, no ímpeto de uma ideia que me ocorreu para um livro de poesias, lembrei-me de um “poeminho” do autor gaúcho. Seu título? “Poeminho do contra”:
Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão...
Eu passarinho!
Para o meu livro, me veio à mente uma paródia:
Seja à mesa ou no balcão
acompanhado ou sozinho
eles tomam chimarrão
eu cafezinho!
Por óbvio, não realizei plenamente a paródia, pois que o sentido do poema “original” não permanece nos versos parodiados, como parece ser o princípio que rege este procedimento poético. No entanto, gostei da brincadeira e já adianto um dos textos que vai compor o futuro livro. O título deste, guardo em “segredo de estado” ... as interpretações são muitas. Há até alguém que afirme que o poeta fazia um protesto de cunho político-partidário... Ainda que imaginação (ainda) não paga imposto e (ainda) não é crime.
Saudades de algumas coisas vivenciadas no período santamariense de minha carreira docente.

09.10.24

A postagem hoje é resultado do famigerado “seleciona-copia-cola”. Muito prático, na maioria das vezes. Dois poemas. O primeiro não conhecia. Soube dele ao ver um filme de Bille August, O pacto (Pagten, no original), de 2021. Nele, um escritor declama este poema em dinamarquês. Procurei o tio google e ele me mandou a tradução do Manuel Bandeira. O segundo poema, já conhecido (e adorado!), é a mais castiça expressão do que sinto (pretensiosamente) sobre mim mesmo. Não tenho os quilates da poeta, mas sinto-me da mesma forma que ela diz se sentir em seu poema. Os tempos. obscuros e rasos, que nos compete viver têm efeito deletério sobre pequenos prazeres, revividos quando da leitura de poemas como estes dois...
Anelo
Johann Wolfgang von Goethe
(Tradução de Manuel Bandeira)
Só aos sábios o reveles,
Pois o vulgo zomba logo:
Quero louvar o vivente
Que aspira à morte no fogo.
Na noite - em que te geraram,
Em que geraste - sentiste,
Se calma a luz que alumiava,
Um desconforto bem triste.
Não sofres ficar nas trevas
Onde a sombra se condensa.
E te fascina o desejo
De comunhão mais intensa.
Não te detêm as distâncias,
Ó mariposa! e nas tardes,
Ávida de luz e chama,
Voas para a luz em que ardes.
Morre e transmuda-te: enquanto
Não cumpres esse destino,
És sobre a terra sombria
Qual sombrio peregrino.
************************************************************************
Motivo
Cecília Meireles
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.
29.07.24

A última postagem que fiz aqui foi no dia 7 de junho passado. Já lá se vão 52 dias. A mudança para o litoral ainda se faz presente nos detalhes da instalação de coisas numa casa já muito conhecida e pouco habitada, porque temporária até o dia 11 de junho, dia em que aqui cheguei de mudança. Eu poderia ter dito que a mudança foi para Marataízes, no Espírito. Por que não o fiz? Porque, de certa forma, penso que ficaria mais “bonito”, dizer “litoral”, em lugar de dar nome ais boias: citar toponimicamente o meu destino. Pois é. Manias... Estou aqui há quase dois meses, com um intervalo lusitano pelo meio, a repetir uma viagem que faço anualmente e que desejo substituir... bem... não vem ao caso agora. Nesta tentativa de retomada de um ritmo que, já sei, não vai se manter, duas coisas me movem, como motivação para escrever: um poema encontrado ao acaso, enquanto zapeava na tela do celular pela manhã, mais cedo. A outra coisa é a vontade de escrever umas duas ou três páginas sobre as poesias de um amigo (ainda) virtual) o Rolando Paciente, da Argentina. Vamos ver se consigo. O poema encontrado casualmente é um soneto. Peculiar, eu diria, pois não apresenta as características tradicionais consagradas para esta forma poética. É o que segue:
SONETO DE JÓ
Este grito, que é rio amargo, choro
que não é meu apenas, mas de todos
que o filtro das insônias decantou,
ouve-o, Senhor, que é grito de infelizes.
Perdi-me e Te procuro pela névoa,
no céu em fogo, no calado mar.
A Teus pés volto. Faça-se o que queres.
Tanto me deste que por mais que tires
sempre me resta do que Tu me deste.
Deus necessita do perdão dos homens
e é esse perdão que venho Te trazer.
Com o coração rasgado, mas ao alto,
Senhor, te entrego os filhos que levaste
pelo amor dos meus filhos que ficaram.
(Odylo Costa Filho, Cantiga incompleta, 1971.)
Quanto ao outro texto, talvez amanhã eu o coloque aqui, talvez depois de amanhã... “quizáz, quisáz, quisáz” (na voz de nato King Cole)
06.06.24

No “clima”, lembrei-me deste poema.
Vou-me embora pra Pasárgada
Manuel Bandeira
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcaloide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
Libertinagem (1930)
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