Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

As delícias do ócio criativo

As delícias do ócio criativo

03.02.22

“No sumário, não havia sequer uma indicação de que tal assunto poderia vir a ser tratado no texto do livro. Igual ausência era notada no índice remissivo. De acordo com os “entendidos” estes dois índices eram necessários para a validação do livro na lista de publicações daquele ano. Em vão. Incontáveis horas de leitura, riscando trechos inteiros, anotando palavras-chave pelas margens da mancha tipográfica. Discussões intermináveis com o supervisor. Interpretações, as mais inesperadas, com os estudantes. Nada. Em vão. O livro não valia nada, mas estava escrito. O que fazer? O burburinho foi grande. Havia rumores de que uma rusga antiga entre o editor e o autor teria sido o motivo da encrenca. Outros diziam que outra pessoa havia escrito o livro que foi roubado para ser lançado. Nada ficou muito bem esclarecido. O que sucedeu foi que a cópia do arquivo com o índice remissivo foi perdida. A apuração não chegou a nome algum, mas ao fim, o arquivo foi encontrado. Em seguida, nova querela. O prazo havia vencido. O detalhe técnico foi apontado pelo editor como obstáculo intransponível. Picuinha, foi o que disseram. Conversa daqui, telefona dali, mais burburinho, e o lançamento aconteceu como previsto originalmente. Três meses e meio depois da data inicial, mas lá estava ele, o livro. Dois cartazes circularam pelos corredores do prédio principal. Duas entradas na programação da rádio. Uma entrevista no canal de televisão que servia de laboratório também foi agendada. Tudo acontecendo normalmente. A pré-venda foi um sucesso. Parece que a venda seguiria pelo mesmo caminho. Era esperar pra ver. No dia do lançamento o salão principal da livraria estava decorado com sobriedade. Espaços livres para circulação, duas colunas com os livros e, ao centro, a mesa para o autor, com algumas cadeiras à volta. Haveria uma sessão de leitura de trechos do tal livro. Convidados chegando. Garçons circulando. Música tocando. A hora passava e o autor não chegava. Não chegou. Dez minutos depois do horário marcado para a sessão de leitura, o editor toma o microfone e anuncia o atraso. Foi interrompido pelo estardalhaço causado pela chegada de um rapaz. Com ar insolente, atravessou o salão sem prestar atenção a nada, nem a ninguém. Interrompeu o editor, tomou-lhe o microfone e anunciou a leitura de trechos. Silêncio nervoso, tenso, carregado. Ao fim da leitura. Alguém interrompe o silêncio e pergunta quem era ele. O rapaz levantou-se e se apresentou como o verdadeiro autor do livro. Contou a história de como conheceu o suposto autor, se aproximou dele, trabalhou para ele como secretário. Com o passar do tempo, tornou-se amigo, quase confidente. O velho começou a discutir os planos do livro que então era lançado. Deu as linhas gerais para o secretário e pediu que ele escrevesse. Foi o que fez. Ao fim do trabalho, o velho decidiu colocar o próprio nome e não comparecer ao lançamento, mandando seu secretário, como aconteceu. Incrédulo, o editor questionou. Muitos, na plateia o acompanharam. O rapaz insolente abriu então um envelope e leu o que nele estava escrito. A assinatura era do velho. Imediatamente, entregou a carta para o editor que confirmou a assinatura e a história contada pelo rapaz. Boquiaberto, viu o insolente sair da livraria, sob o olhar estupefato de todos. Nunca mais foi visto. O velho morreu duas horas depois de saber do sucesso do lançamento, como anunciado posteriormente pela nota da editora. O livro foi um sucesso.” (Autor desconhecido)

21.01.22

Treze.png

Três. Número ímpar. Também, número primo. Simbolicamente, representa, salvo engano meu, o equilíbrio perfeito, entre outras coisas. Três é um número sagrado, relacionado à luz. É o número do resultado da moldagem das substâncias – produto da união. Número dos extrovertidos, dos inteligentes, criativos e espirituosos. Em nossa tradição cultural/espiritual, o homem (1) se uniu com sua companheira (2) e juntos geraram um filho. Assim surge o número 3, a tríade, a trindade. Ideia de progressão cíclica: começo, meio e fim. O 3 é representado pelo triângulo, primeira forma geométrica perfeita, pois todos os lados têm a mesma medida. Claro está que não elimino aqui as outras “espécies” de triângulo: isósceles, retângulo, escaleno, equilátero, obtusângulo, acutângulo. No Sepher Yetzirah, é o terceiro caminho da sabedoria, da inteligência sagrada e da sabedoria original. Na esfera superior, 3 são os princípios divinos. Na esfera do intelecto, significa os 3 degraus dos abençoados e as três hierarquias dos anjos. Na esfera celestial, indica os senhores planetários das triplicidades. Na esfera elemental, os três degraus elementais. Na esfera inferior, a cabeça, o seio e a região do plexo solar. Na esfera infernal, indica os três degraus dos danados, os três juízes infernais e as três fúrias infernais. A trindade prevalece nas religiões antigas e modernas. O triângulo tem 3 pontas. Com a ponta para cima, significa o fogo e os poderes celestes; com a ponta para baixo, significa a água e as hostes inferiores. O triângulo é geralmente usado em ritos místicos e pela maçonaria, tanto esotérica e exotérica – deixo a explicação destas duas categorias relegas à curiosidade de quem me lê. Não vou entregar todo o “ouro ao bandido”...! O triskel, figura composta de três espirais, significa as três camadas da natureza da alma humana. Uma figura central no simbolismo celta antigo. Terra, mar e céu, “casamento triplo”. O número 3 reúne os ideais necessários para o amadurecimento espiritual dos seus membros: fé, esperança e caridade. Para Pitágoras, representa a perfeição. Isso porque ele é a soma do um, que significa unidade, e do dois, que significa diversidade. É o número perfeito para os chineses: junção do céu e da terra, da qual resulta a humanidade. O número três representa a unidade divina, a Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. Para os gregos e os romanos, a manifestação divina decorre de uma trindade da qual fazem parte Júpiter/Netuno, Plutão/Zeus, Poseidon/Hades, respectivamente – deuses relacionados com coisas que têm relação com o número 3: o raio de Júpiter, o tridente de Netuno e o cão de três cabeças de Plutão. Também os hindus têm 3 deuses principais: Brahma, Vishnu e Shiva. Da mesma forma, os egípcios têm Ísis, Osíris e Hórus. Além da manifestação divina, várias coisas são representadas por três elementos: o ciclo da vida (nascimento, vida e morte), os Reis Magos – em que pese a teoria de que teria existido um quarto...), a ressurreição de Jesus ao terceiro dia, o fato de Pedro ter negado Jesus por 3 vezes. Três são os meses década estação do ano. Três, as fases da existência humana: infância, juventude, velhice. As medidas volumétricas são três. O raciocínio humano, mais tradicional tem três etapas: hipótese, antítese, síntese. Uma boa redação dissertativa tem três partes irrecorríveis: introdução, desenvolvimento, conclusão. Três as atitudes do carcará: pega, mata e come. Mesmo que muito aranhados, aqui nos estados unidos de bruzundanga, três são os “poderes”: legislativo, executivo, judiciário – na verdade, de poder andam a ter muito pouco, em função de sua disfuncionalidade galopante. Na Literatura, o três aparece em “romances de cavalaria”: Atos, Aramis e Dartagnan. Nas histórias infantis, três são os porquinhos: Palhaço, Palito e Pedrito – pelo menos, na versão que aprendi com minha mãe. Tio Patinhas tinha três sobrinhos sapecas: Huguinho, Zezinho e Luizinho. A energia elétrica, em terras tropicais, funciona num sistema trifásico – e anda caríssima, para manter a ganância de alguns poucos. Dizem por aí que é um número chave da democracia, pois é a quantidade mínima de pessoas necessárias para que se consiga tomar uma decisão em grupo. No grupo das fantasias sexuais, o três se faz presente: ménage à trois – aqui, a curiosidade de quem me lê não vai sofrer tanto para se satisfazer...! Se você fizer três fogueiras, em local em que não haja outra possibilidade de se fazer perceber, seu pedido será compreendido. A não esquecer as letrinhas mágicas, que são três, neste caso: SOS. Aqui termina a primeira parte de uma postagem que (ainda) vai falar de Literatura tout cour, a propósito do número três. Se a minha preguiça não vencer, a complementação segue amanhã. Caso contrário... só Deus!

Em tempo: muito do que aqui vai escrito eu tirei das páginas que se encontram abaixo identificadas!

https://medium.com/@nomeruz.nc/simbologia-do-número-3-2625424a32eb

https://www.dicionariodesimbolos.com.br/numero-3/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Três 

Três.png



Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2023
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub