Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

As delícias do ócio criativo

As delícias do ócio criativo

Trecho

Foureaux, 26.09.22

No romance que tenho tentado escrever, a duras penas, Otacílio Piffio é o pseudônimo de um autor que escreve um romance intitulado O útimo d desejo de Otacílio Piffio. Ainda não sei que continuidade vou dar aos três trechos que já escrevi. Vasculhando os arquivos do computador, encontrei o texto que trago hoje e que resolvi inserir no romance. Vai ser parte de uma digressão que o protagonista do romance "escrito", no romance que eu escrevo (Otacílio Piffio), vai fazer diante de uma situação, digamos inusitada. Segue o trecho:

"Não quero a mirada da mediocridade a obscurecer os momentos de lucidez que, porventura, venham a me inundar a alma. Não mais ter que aguentar as caras tortas de quem acredita que um poema vale menos, bem menos, que tudo que alguém pode dizer sobre ele. Mesmo quem jamais “leu” o poema como seria de esperar. A dispensa do poema não é garantia de melhor abordagem teórica ou crítica ou analítica. Os detalhes de um poema contam. A discussão começa por conta da dúvida sobre o “excessivo” uso de vírgulas ou de pronomes relativos na composição de seu poema. Foi “decretado”, antes de tudo começar, que a biografia do poeta é dispensável, por foça de sua influência sobre o entendimento da “mensagem” do poema. Comecei a rir. Daí, um salto para a circunscrição do poeta e de seu poema na “série histórica” da literatura nacional à qual pertence, sem esquecer, é claro, o problema dos gêneros, subgêneros tipos textuais e quejandos que a poética – a de Dilthey ou a de Hegel, bem entendido –, exigem como conditio sine qua non. Eles não sabiam o significado da expressão, assim como desconheciam o bom uso da mesóclise. Patético."