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As delícias do ócio criativo

As delícias do ócio criativo

A propósito de cartas

Foureaux, 13.08.22

Recebi de uma amiga que não indicou a autoria. Tomei a liberdade de fazer algumas correções e modificações, em prol da clareza. Claro está que nem tudo mundo vai gostar... Não posso fazer nada!

Há 52 anos, Dilma Rousseff, em 1968, com Pimentel (ex governador de Minas Gerais), e outro terrorista, invadiram a invernada do Barro Branco, chegando ao posto avançado da Escola de Bombeiros, atacando o sentinela soldado da Polícia Militar de São Paulo, Antônio Carlos Jefery, matando-o, sem chance de defesa e roubando sua arma. Impunes, lograram uma vida política. Ela chegando à Presidência da República, ele governador de Minas Gerais e o outro Ministro ... Jefery, aos vinte e três anos, morreu. Os assassinos recebem pensão milionária do Estado. Alguém da família do soldado recebe pensão de praça da PMSP.

Início da madrugada de 20 de setembro, uma da manhã, sexta-feira, o “Soldado Aluno” Antônio Carlos desloca-se para a guarita, em substituição de outro colega, que estava de serviço, o também “Soldado Aluno” Dalmiro Della Rosa, com mesma idade de Antônio Carlos, 20 anos. Estava armado com uma metralhadora marca INA, calibre 45, com carregador municiado com 30 cartuchos. O local era distante uns cem metros da Escola, que ficava em uma elevação. De repente, um VW Fusca bordô, em alta velocidade, sem placas, aproxima-se do novato, que tentou pará-lo. Sem pestanejar, fuzilam-no com quatro tiros de revólver. A metralhadora INA e seu carregador foram por eles subtraídos, evadindo-se em alta velocidade. Os assassinos pertenciam ao grupo intitulado “Vanguarda Popular Revolucionária - VPR” que, pelas armas, tentavam instaurar no Brasil um estado comunista. Era o segundo policial abatido naquele mês. O primeiro, no dia sete de Setembro, em situação similar, fora o soldado José Custódio de Souza, 27 anos, solteiro, há seis anos na Força Pública, metralhado durante aquela madrugada, quando no serviço de sentinela no prédio do DEOPS - Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo, no Largo General Osório, no centro da Capital.

Menos de três meses antes, outra vítima, Mário Kozel Filho, soldado do Exército Brasileiro, que prestava o tempo de serviço militar obrigatório. Kozel, na madrugada de 26 de junho de 1967, estava de sentinela no Quartel General do II Exército, no bairro do Ibirapuera, na Capital Paulista. Por volta das 04h30, uma camioneta, carregada com 50 quilos de dinamite investiu contra o Quartel do Exército, chocando-se no muro. O motorista, que antes saltara, conseguiu fugir.

Com o impacto, o soldado Kozel fora averiguar a situação, justamente no momento da explosão: morreu com o corpo dilacerado, o jovem militar. Outros três soldados, também conscritos, ficaram muito feridos na ação da mesma VPR.

No dia seguinte, 21 de setembro de 1968, seu corpo foi saudado com 3 salvas de sete tiros cada, por 10 soldados do Corpo de Bombeiros local, ao som da Marcha Fúnebre, sob os acordes da Banda da Instituição.

O corpo do soldado Antônio Carlos Jeffrey foi colocado no carro nº 105 do Corpo de Bombeiros, com o caixão encoberto pela Bandeira do Brasil, em sua última viagem terrena, com destino ao Cemitério da Filosofia, no bairro de Sabó, também em Santos. À frente do cortejo, batedores da Guarda Civil. As ruas repletas de populares, que se despediam do herói. o silêncio eram suas homenagens. Uma multidão seguia o carro dos Bombeiros. Ao fundo, o som das sirenes das viaturas que acompanhavam o extinto. Chegada ao Cemitério. No entorno do local de sepultamento aproximadamente 1.500 pessoas.

Como se observa, os anos 60 e 70 estão repletos de nomes das forças de segurança que foram assassinados por terroristas e guerrilheiros, sendo que o principal nome na corporação é o do Capitão Alberto Mendes Junior.

No Exército foram mortos, além do Soldado Mário Kozel Filho, muitos militares. Desconhecidos da nação porque não estão nos livros de História! Aquela história contada pelos professores doutrinados pelos bandidos desses anos macabros para o povo brasileiro!!!

Quase um mês...

Foureaux, 12.07.22

O intervalo desta vez foi mais longo. Não sei dizer se proposital ou apenas circunstancial. Arriscaria o palpite de que foi um pouco de cada. Uma mistura. Quem me conhece há está acostumado. Isto posto, segue mais uma série de mal traçadas linhas obre um autor que aprendi a gostar, que conheci pessoalmente e que me agrada muito.

Três são as fases da vida. Três, os momentos do dia. Três, os pedidos que Aladim fez ao gênio da lâmpada maravilhosa. No conto infantil, as maravilhas realizadas pelo “gênio’ encantam e divertem, mas não eixam de, nas entrelinhas, instigar raciocínios outros que podem ser interpretados como nem tão infantis assim. De um jeito ou e outro a ideia de se encontrar um gênio e poder fazer três pedidos continua alimentando a imaginação e as fantasias humanas. Assim é com Octávio, um funcionário público daqueles bem típicos. O nome apresentado leva o “c” porque é criação portuguesa. O autor quis, desse modo, reafirmar sua autonomia com a utilização de letras e outras guirlandas vocabulares que lhe garantem o fluxo e o refluxo de ideias. “Acordos”, “reformas” e quejandos não são capazes de conter o ímpeto criador de quem escreve, como é bem o caso aqui. Octávio C. é o nome “completo” da personagem de um livro encantador, não como o conto de Aladim, mas de uma maneira muto sua, já minha conhecida, assim como de muito mais gente mundo afora. Octávio C. é funcionário público, como disse. Trabalha na Conservatória. É como um cartório de notas e ofícios do lado de cá do grande lago. Octávio C. se relaciona bem com seus colegas de trabalho. Um deles trata das mortes, a outra dos divórcios, um outro dos nascimentos. Ali, na Conservatória, cada um tem seu papel bem desenhado e definido. Faz parte da boa conduta funcional, neste ambiente, cumprimento de suas funções, o reconhecimento das relações entre os diversos registros e, acima de tudo, o respeito à hierarquia funcional. O serviço público parece não mudar muito de um continente para o outro. Otávio C. está apaixonado por uma de suas colegas de trabalho, mas não consegue verbalizar seu sentimento nem tomar uma atitude que o leve a consumar o afeto que alimenta a sua paixão. Depois de se lembrar de uma história contada pelo avô, por conta de situações e circunstâncias que não convém desvelar aqui – o assim chamado spoiler estragaria o prazer de possíveis leitores do romance (porque se trata de um romance) – Octávio C. manuseia, ainda uma vez, uma lamparina dourada que seu avô – que só conversava com ele em inglês, quando conviveram na infância do próprio Octávio. A ilusão dos três pedidos se desfaz, mas em sonhos, o gênio da lâmpada aparece e interage com Octávio C. Obviamente, ele faz seus três pedidos: um mundo sem armas, um mundo sem dinheiro, um mundo sem medo. O gênio, como no conto, da irreversibilidade dos pedidos, no que tange a seus efeitos. Octávio bate o pé. O gênio tenta induzir Octávio C. a pedir alguma coisa que definisse o “estado da arte” de seu sentimento em relação à companheira de trabalho. Nada. Os três pedidos continuam sendo os mesmos e o gênio os concede. As consequências, apresentadas numa narrativa divertida e pitoresca, são as mais inusitadas. Para surpresa de todos, inclusive do próprio Octávio. De novo, abro mão de mais alguns spoilers... O que vale a pena é acompanhar a trilha que Octávio C. apresenta ao leitor, pelas mãos de um narrador que observa e, insidiosamente, se intromete colorindo sua narrativa com humor igualmente colorido e, ainda uma vez pitoresco, as diversas formas que a personagem central vai encontrando de discutir (consigo mesmo e com o gênio a lâmpada) sobre os já referidos efeitos e as inesperadas consequências de seus três pedidos. No fundo, de maneira sutil, mas contundente, o desejo – sob a égide de Freud e Lacan – pontifica o desenrolar desta narrativa que volta a um universo já visitado e soberbamente explorado pelo mesmo autor.  O romance se chama Os três desejos de Octávio C. Seu autor é o já por mim comentado Pedro Eiras, que é professor na Universidade do Porto. Esteve recentemente em São Paulo, participando da Bienal do Livro que, neste ano, homenageou a “terrinha”, lá do outro lado do grande lado: Portugal. Numa entrevista (https://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/8913.pdf), Pedro Eiras diz: “Olha, para te dizer a verdade, nunca pensei nessas duas palavras – utopia, distopia – ao escrever Os Três Desejos de Octávio..., enfim, os teus Desejos. Digamos que não precisei desses nomes, na altura; mas não quer dizer que não sejam uma boa descrição do que acontece nessas páginas. O vocabulário teórico pode vir mais tarde – quando me transformo em leitor, de mim mesmo, entenda-se. A teoria é ao retardador.”. O trecho pode parecer confuso. Continuará assim se você que me ler não tiver a curiosidade de ir até a fonte, citada entre parênteses) não sem antes, ou depois, ir até o livro mesmo e lê-lo, com prazer, como eu o fiz. Fica o convite.

Russos

Foureaux, 05.05.22

Cheguei ao fim da terceira leitura de Guerra e paz, de Tolstói. Que livro chato. E quem me lê não vai sequer vislumbrar a mais pálida ideia do prazer que sinto quando digo isso: que livro chato. Como não tenho que pedir benção a ninguém (aposentei-me como titular de Literatura Portuguesa e Comparada, portanto, no topo da carreira), não tenho nenhum pudor em dizer e repetir: que livro chato! O mesmo eu já tinha dito, alhures, sobre outro romance: À la recherche du temps perdu. Outra chatice. Imensa. Abissal, ainda assim, chatice. Com isso, não quero dizer que Tolstói e Proust sejam maus escritores ou que seus livros não prestam. Por óbvio que não! Aí sim, eu seria estúpido e desinformado. No entanto, reconhecer o lugar ocupado de um escritor numa série literária, não me obriga a gostar dele. Além disso, não me obriga também a subscrever o que dele se diz por aí, há anos... Longe disso. Quando dava aulas, sobretudo quando falei de Os lusíadas e Grande sertão: veredas, costumava dizer a mesma coisa. Costumava observar que o poema de Camões chegava a ser enfadonho por conta de sua constância. Tal sensação, no entanto, era dissipada pelo prazer de perceber a beleza das imagens, a elegância do desenrolar dos episódios e o maravilhamento da construção ficcional; desenvolvida pelo poeta. Obra de gênio. No entanto chata de ler, repito, por conta da estrutura. Há que ressaltar que variabilidade de estrutura nunca foi critério de valoração para obra de ficção – seja em prosa, seja em verso. Tolstói é um escritor mais que importante, mais que necessário. Gosto de Anna Karênina que li, também pela terceira vez. Termino a terceira leitura de Guerra e Paz para tentar, pela última vez – devo confessar – não me deixar vencer pela chatice do livro. Sucumbi à chorumela do francês. Mas o russo não. Em que pese a minha chatice de se ver na leitura do citado romance a acabar, devo reconhecer que certas passagens me fascinam: todos os embates entre Anna e o marido, a cena da corrida de cavalos, a cena inicial da morte na estação de trem – que, em certa medida, é revivida pela protagonista em seu suicídio. Os diálogos e a descrições são absolutamente impecáveis. Não há como negá-lo. No entanto, o resto, sobretudo as intermináveis, enfadonhas detalhadíssimas e, para mim, completamente insossas descrições de pormenores da guerra envolvendo Rússia e França chegam a perder completamente o sentido para mim, na leitura que faço do romance. No entanto, é admirável o conjunto dos ótimos capítulos do epílogo do romance. Para quem gosta se interessa pelas relações entre Literatura e História, para aqueles que se comprazem com os estudos acerca do romance histórico, estes capítulos finais são praticamente um tratado. Não sei dizer qual teria sido a intenção de Tolstói ao fazer o que fez. Penso, de qualquer maneira, que isso, de fato, não interessa! Basta reconhecer o que reconheci, ler o romance e pronto. Agora, não venham me obrigar a gostar dele. Não gosto!

 

Contos de terror

Foureaux, 26.04.22

É costume dizer que a vida imita a arte. Ou, por outra, que a ficção é germinada na realidade. Uma e outra assertiva comporta discussão. Minha preguiça me nega a energia para fazê-la aqui e agora. O que me traz aqui hoje é a vontade partilhar o incômodo que senti ao ler as linhas que seguem. O texto não é meu. É artigo assinado por um jornalista de quem gosto: Guilherme Fiuza. Se não quiserem ler, não posso fazer nada. Se quiserem tachar-me de reacionário, negacionista, bolsonarista e todos os outros “istas” cabíveis, só posso dizer uma coisa: caguei! Resta o fato de que o texto me causou incômodo e isso é o que me interessa partilhar. O mais é firula... ou, como dizia meu pai, especula de rodinha... Podem acessar o texto na seguinte ligação: https://revistaoeste.com/revista/edicao-109/a-genetica-do-silencio/

Bárbara Caroline Machado, catarinense de 16 anos, era ativa e alegre. Jogadora de vôlei amador, trabalhava numa farmácia. Era uma pessoa saudável e sem comorbidades. Tomou a segunda dose da vacina de covid no dia 8 de fevereiro de 2022. Um mês e cinco dias depois seus problemas de saúde começaram.

Primeiro dor de estômago aguda e o olho esquerdo inchado. Até que começou a vomitar e o inchaço foi se espalhando por outras partes do corpo — como tornozelo, mãos e pescoço. Nada que comia parava no estômago. Depois de uma semana do primeiro sintoma, foi levada ao hospital de Blumenau. O médico lhe deu um antialérgico e ela foi liberada.

Três dias depois acordou chorando de dor abdominal. Foi levada novamente ao hospital, onde foi constatada uma disfunção renal. Dali em diante suas condições começaram a piorar, com muito inchaço e coagulação. Bárbara entrou no Hospital Santo Antônio pesando 47 quilos e em cinco dias estava pesando 58, devido aos líquidos que geravam o inchaço.

Após um derrame pleural e o surgimento de uma neuropatia, foi diagnosticada com Síndrome Nefrótica Membranosa. Ficou internada dez dias. Para ter alta, foi preciso fazer uma drenagem em seus pulmões para melhorar a respiração. Após a volta para casa, Bárbara passou a ter fadiga crônica — limitada por cansaço extremo após qualquer movimentação simples.

A atleta amadora se tornou uma pessoa prostrada, muito magra, com o olhar parado e quase sem reação aos estímulos que recebe. O que aconteceu com Bárbara? As autoridades de saúde não dizem nada à família.

Nem à do também adolescente Danylo Zinneck Nobre. No dia 19 de outubro de 2021, esse paulista de 15 anos, totalmente saudável, tomou a segunda dose da vacina de covid. Dezoito dias depois começaram a fadiga, a fraqueza nas pernas, visão turva e cabeça pesada. No dia 6 de janeiro teve uma convulsão e foi entubado, com dificuldade de deglutição e fala enrolada.

No Hospital Municipal Florence, em São José dos Campos, foram feitos diversos exames, a princípio indicando uma situação clínica normal. Mas veio a paralisia no diafragma e nos membros superiores e inferiores, e Danylo foi traqueostomizado. Foi diagnosticado com encefalite do tronco cerebral de Bickerstaff autoimune, uma doença neurológica rara, que afeta o sistema nervoso central e periférico.

Após dois meses na UTI — onde recebeu tratamento para tentativa de reversão dos danos ao sistema nervoso —, o menino teve um AVC hemorrágico. Danylo morreu em 3 de março.

As autoridades de saúde não têm nada a dizer sobre um adolescente que nunca teve problemas de saúde e entrou num processo mortal pouco mais de duas semanas após a segunda dose da vacina de covid? Os estudos que ainda estão faltando sobre a segurança dessas vacinas em desenvolvimento terão de avaliar mortes como a de Danylo? Quem dará essa resposta?

Leandra Ludmila Leme, paulista de Sorocaba, tinha 20 anos. Em 16 de agosto de 2021 tomou a primeira dose da vacina de covid. Três dias depois começou a ter febre, dor de cabeça, no fundo dos olhos e na garganta. Em mais quatro dias, diarreia, vômitos, inchaços, extremidades geladas e dor no pescoço.

Em 24 de agosto, perdeu o movimento das pernas. No dia seguinte teve uma parada respiratória. A jovem Leandra morreu nove dias depois da vacina de covid.

Já Letícia Balzan Martinez Biral tinha 23 anos. Totalmente saudável, estava no 4° ano de Medicina em Presidente Prudente. Se vacinou contra covid em 18 de junho de 2021. Oito dias depois começaram as dores de cabeça. No dia 29 de junho, após várias tentativas frustradas de combate às dores com medicação comum, foi levada para a Santa Casa de Campo Grande (MS).

Após uma tomografia, o neurocirurgião responsável informou à mãe de Maria Eduarda que ela tinha tido duas tromboses

Letícia morreu em 3 de julho de trombose intracraniana e hemorragia intracerebral, 15 dias depois da vacina.

Você está achando que esses eventos são normais? Naturais? Ou acha que eles estão ligados por uma mesma circunstância específica? Considerando que os casos acima expostos são apenas alguns de inúmeros exemplos trágicos sob a constante pós-vacinal, não é estranho que a devida investigação deles não esteja em discussão pela sociedade?

Pense sobre isso. Examine se há algo que você deva fazer a esse respeito. Enquanto isso, imagine a situação da mãe de Maria Eduarda Fernandes Souza, de Porto Alegre. Ela tinha 22 anos. Se vacinou em 21 de julho de 2021. No dia seguinte ficou de cama com dor de cabeça, dores no corpo, no braço e enjoos.

A família achou que era uma reação normal à vacina. Mas os dias foram passando e a dor de cabeça não ia embora. Em 1º de agosto, 11 dias depois, ela foi medicada para cefaleia moderada com ibuprofeno. No dia seguinte acordou com fraqueza, perdeu o tato da mão direita e passou a enrolar a fala. Foi levada ao Hospital das Clínicas de Porto Alegre.

Após uma tomografia, o neurocirurgião responsável informou à mãe de Maria Eduarda que ela tinha tido duas tromboses, uma na perna e outra no pulmão, e um AVC hemorrágico. No dia 4 de agosto, 14 dias depois da vacina, foi constatada a morte cerebral. Maria Eduarda deixou uma filha de 3 anos e meio. Sua mãe quer justiça.

E você?

 

Uma carta

Foureaux, 13.02.22

O texto que segue é uma carta. Não fui quem a escreveu. Cortei os nomes citados para preservar a intimidade dos envolvidos. Cortei outros nomes e indícios identitários pelo mesmo motivo. Quis colocar esta carta aqui pelo sabor, a fineza da ironia, a suntuosidade da linguagem, o vigor do sarcasmo e a inteligência demonstrados pelo autor da carta. Mantive o local e a data, retirando o “endereço” para manter um certo clima de suspense. A referência é implícita. O movimento é o de metonímia, por aproximação, contingência, não comparação/substituição. O leitor, se bem-informado, estará mais bem equipado para tentar identificar as peças que faltam. O quebra-cabeça é divertido. Eu, simplesmente, adoraria ter escrito uma carta como esta para um certo número de destinatários, por conta de uma série de motivos. Mas já não o farei, por decurso de prazo e por estar gozando do ócio criativo que tanto prazer e gratificação me dá! Puntoi i basta. Segue a carta.

“Rio, 10 de fevereiro de 1996.

Ilmo. Sr. (1) – (...)

Prezado senhor,

Escrevo-lhe sem a menor ilusão de ver minhas palavras publicadas, ao menos sem cortes estratégicos que, extirpando delas toda a sua substância argumentativa, as reduzam a mero pretexto para dar um ar triunfante a qualquer resposta idiota que se estampe ao seu lado.

Na verdade, não escrevo esta carta para sair na (A), mas para fazer dela mais um capítulo de meu livro em elaboração, (B), a sair ainda este ano, obra inteiramente consagrada, como se vê pelo título, ao estudo das manifestações cerebrais de pessoas como V.Sa. Eis o motivo por que lhe remeto estas linhas. Julguei que não ficaria bem publicar este capítulo sem dar prévia ciência dele ao personagem: seria fazer de besta um sujeito que já se faz de besta por si – uma redundância intolerável, esteticamente. E caso V.Sa. fareje em minhas palavras uma intenção um tanto desrespeitosa, saiba que suas células olfativas não o enganam de todo. Mas não vá me dizer que está ofendido. Pois o assunto de que pretendo lhe falar é o artigo de sua autoria, ‘(C)’, e não posso crer que V.Sa., ao escrevê-lo, julgasse estar fazendo coisa digna de respeito. Inocência tem limites.

Não posso crer, por exemplo, que V.Sa., ao reduzir a reputação literária de (2) a mero efeito do deslumbramento provinciano ante as amizades internacionais do poeta, ignorasse realmente a distinção entre ser amigo de escritures célebres e receber louvores críticos de escritores célebres. V.Sa. retrata (2) como ‘uma figura típica do nosso meio literário – o amigo de notáveis’, e cita dois casos similares: Gerald Thomas, o antigo de Samuel Beckcett, e Diogo Mainardi, o íntimo de Gore Vidal. Mas não consta que Beckett ou Vidal tenham atestado jamais a qualidade artística das obras desses seus amigos. Nem é verossímil que nossa plateia, por mais caipira que fosse, se impressionasse antes com as amizades VIPs de Tolentino do que com os louvores à sua obra, firmados por Jean Starobinsky, Saint-John Perse e Yves Bonnefoy, entre outros. É uma distinção elementar, que não pode ter escapado a V.Sa., embora V.Sa. tentasse o possível e o impossível para fazê-la escapar dos olhos do público.

Também não posso crer que V.Sa., não sendo nem um pouquinho cabotino, acredite seriamente que é mais provinciano dar crédito ao juízo crítico de Bonnefoy ou Starobinsky que ao de (1).

Menos ainda posso admitir, a sério, que V.Sa., enxergando tanto provincianismo no encantamento da plateia local ante as amizades célebres do poeta, não visse nenhum na incredulidade caipira que as põe em dúvida.

Porém, o mais inadmissível de tudo, excluída a hipótese de uma inocência patológica, é que V.Sa. ache realmente típico do provincianismo nacional o fato de darmos acolhida a recomendações críticas que, antes, foram aceitas em Bristol, Essex e Oxford; pois isto equivaleria a dizer que tais localidades, antecedendo-nos no deslumbramento bocó ante uma obra que só vale pela autopromoção, são ainda mais tipicamente brasileiras e caipiras do que Rio e São Paulo. Também é inverossímil supor que, no entender de V.Sa., Starobinski e tutti quanti escrevessem louvores a (2) no propósito de fazê-los acreditar pelo público brasileiro, em vez do europeu a quem se dirigiam e a quem, na época, se destinava toda a produção escrita do poeta; pois é essa hipótese maluca que está subentendida quando V.Sa. diz que os crédulos somos nós, e não os europeus que antes de nós aplaudiram (2); ou essa, ou uma outra mais maluca ainda, segundo a qual não somente os três figurões citados, mas ainda W.H. Auden e Giuseppe Ungaretti, teriam elogiado a poesia de (2) por pura amizade, abdicando de toda probidade crítica e armando um monumental engodo do qual teria vindo libertar-nos, por fim, o tirocínio providencial de (1). E enfim, não pode ser que V.Sa. imagine, no pleno uso de seus neurônios, que os meios literários nacionais foram tão subservientemente caipiras ao ponto de esperar pela consagração europeia para reconhecer um poeta brasileiro, se na década de 60, antes do exílio europeu, ele já estava mais que consagrado aqui mesmo pelo aplauso de Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Lêdo Ivo, Ênio Silveira e mais não sei quantos.

Não: ninguém pode acreditar que V.Sa. escreva essas coisas a sério.

Mas V.Sa. vai mais longe. Diz-nos que enxerga, nos versos de (D), uma poesia que é, ao mesmo tempo, ‘de costumes’ e ‘escrita por um simbolista tardio’. Devemos crer então que um professor de literatura da USP ignora as definições de estilos de época? Que não sabe que literatura de costumes não existe no simbolismo?

Mas, não contente com isto, V. Sa. ainda nos diz que essa literatura de costumes descreve ‘a aventura espiritual de uma consciência cristã’, como se fosse possível uma autoridade intelectual do seu porte ignorar que toda literatura de costumes é, por definição, alheia a essas altitudes místicas. Ou será que ignora mesmo? Afinal, o escritor que conseguisse inventar uma coisa como a literatura de costumes simbolistaespiritualista teria mesmo operado um tour de force digno dos louvores de muitos Starobinskis.

Aí os termos do problema se definem melhor: ou V. Sa. está com tretas, ou é um ignorante muito metido a besta.

Esta última hipótese é reforçada por alguns indícios, como por exemplo o fato de que V.Sa., no tom de quem fala a coisa mais óbvia e arquissabida, qualifique Alberto Torres de ‘conservador’, ignorando toda a linha de investigações que, inaugurada há mais de trinta anos por Barbosa Lima Sobrinho, já mostrou a falácia dessa rotulação.

Outro indício é que qualifica de atrasado no tempo o engajamento político de (E), mostrando que não leu sequer as datas de composição dos poemas, que atestam sua contemporaneidade aos acontecimentos que os inspiram. Também indica que V. Sa. não leu (E) o fato de que acuse o autor de ‘ignorar as relações entre o exílio individual e o processo político coletivo’, quando essas relações constituem precisamente o único tema do livro. Talvez V. Sa. queira dizer que elas não são como o livro as descreve, mas neste caso deveria dar-nos alguma ideia, por vaga e alusiva que fosse, de como elas são na real idade, mas V. Sa. se abstém criteriosamente de tocar neste ponto, o que me leva a suspeitar que as ignora por completo.

Há fortes argumentos, também, em favor da hipótese das tretas. Pois treta, treta mesmo (se não é quid pro quo verbal de quem simplesmente não sabe escrever?), é dizer que (2), ao atribuir a uma freira do século passado a autoria de seus poemas de feitio clássico, se ‘ocultou sob uma máscara moderna’. V. Sa., digo eu, ainda não viu nada: de mais moderna ainda se fez Marguerite Yourcenar, que se disfarçou de imperador romano.

Mas não são só (2) e Yourcenar que atribuem suas palavras a outrem. V. Sa. também sabe fazer isso, como se vê pelo fato de que, explicando a fama literária de (2) exclusivamente pelas amizades e pela autopromoção cabotina, escreve também que ‘vez por outra, alguém ameaça desmascarar o suposto charlatão’, procurando dar a impressão de que são outros e não V. Sa. quem faz, a um tempo, ameaça e suposição.

Ora, quem é tão hábil não pode ser ao mesmo tempo tão besta, a não ser que possua essas duas qualidades em planos diferentes. Pois a mim me parece que é precisamente esta a solução do problema acima exposto: V.Sa. tem de ignorante e besta em literatura o que tem de destro e arguto na maledicência.

Mas, tal como a inocência, a destreza tem limites. Por mais que salte com a habilidade de um babuíno de um pretexto ao seu contrário, V. Sa. mostra enfim que não tem nada mais a nos transmitir, no fundo, senão isto: que não gosta muito do poeta, mas não sabe muito bem por que não gosta. E se para expressar este sentimento tem de armar uma tamanha rede de equívocos e contrassensos, é porque é próprio do ser humano, quando embirra com alguém por motivos irracionais, inventar contra ele toda sorte de argumentos contraditórios que o condenem per fas et per nefas.

Pois a única objeção crítica propriamente dita que, por trás de todo o seu palavrório, V.Sa. faz à obra poética de (2), é que, além de arcaizante na forma, não é muito progressista no conteúdo. O quanto vale esta objeção, no entanto, evidencia-se pelas seguintes linhas, publicadas num editorial do jornal do Partido Comunista trinta e três anos atrás, que condenava o simplismo crítico das classificações bipolares: ‘Segundo este esquema, tudo o que temos de fazer é classificar as pessoas, os atos e os fatos em ‘revolucionários’ ou ‘reacionários’. Feito isto, está concluída a ‘tarefa’. Como poderemos compreender o realidade, mantendo esta atitude?’

Trocando apenas as palavras ‘reacionário’ e ‘revolucionário’ pelos seus equivalentes da moda, ‘conservador’ e ‘progressista’, temos aí um perfeito retrato do método crítico de V.Sa., tão grosseiro e simplório no seu esquematismo, que três décadas atrás já era desprezado até pelos comunistas de carteirinha. Vá ser arcaizante assim lá em Oxfordgrado.

Para terminar estas considerações, desejo aliviar a tarefa de V. Sa., dando-lhe prontas algumas das motivações sórdidas com que poderá explicar, numa resposta fulminante, minha decisão de escrever-lhe a presente carta:

  1. desejo fazer crer ao público que sou membro do círculo VIP de (2);
  2. desejo, mutatis mutandis, fazer autopromoção às custas de um (1) como (2) fez com o outro;
  3. não me aguento (...) de vontade de sair no (...);
  4. tenho com o poeta (2) um convênio de Inter badalação e defesa mútua das nossas reputações;
  5. eu e (2) formamos em segredo um casal gay;
  6. (2) me pagou para escrever estas coisas, ou, pior ainda, prometeu e não pagou;
  7. escrevo-as de graça por ser um puxa-saco compulsivo;
  8. não existo e sou um pseudônimo de (2);
  9. (2) não existe e é um pseudônimo deste que ora se despede de V.Sa.,

Atenciosamente, (3).”

Besteira

Foureaux, 04.02.22

Recebi o texto que segue de um/a amigo/a, já não me lembro quem. Tenho certeza de que ele/a não fica ofendido/a pelo meu esquecimento. No entanto, devo dizer que algumas reações me causaram espécie. Uma, em particular, de outra amiga, que diz que estava gostando do texto até que percebeu que se tratava de um texto político. Comecei a rir. A pergunta seria: qual texto não é político? Claro está que “político”, aqui, tem a ver com o conceito de procedimentos, atitudes, relações e correlações no âmbito da cidade, como queriam os gregos – se eu não comento equívoco de interpretação. Não se trata de partidarismo ideológico. No entanto, devo também asseverar que, ao final deste mesmo texto, há uma referência, digamos, discursiva a este recorte conceitual do mesmo termo: “política”. Vá lá..., ninguém é de ferro. Outra reação também foi um tanto engraçada, apesar de repetitiva. O sujeito disse que até a menção à política – no sentido mais restrito, aqui – o texto era uma aula de Português. A partir do referido “ponto” tornou-se mais uma opinião. Isto seria um elogio ou uma desqualificação? Vou morrer sem saber, porque não vou gastar meu tempo especulando sobre o assunto. Segue o tal texto de que, reafirmo, gostei imenso, por concordar com cada sílaba de cada palavra que compõe cada uma de suas orações. Alerto, ainda, que o analfabetismo funcional está matando a capacidade de muita gente – mas bota gente nisso! – para perceber a ironia e a graça num texto que é, apenas, uma provocação inteligente e não uma arma ideológica. Ai que preguiça... Boa leitura! Ah... Em tempo: desconheço a autoria!

Professora de Português dando aula
“Vamos conversar. 
Não sou homofóbica, transfóbica, gordofóbica. 
Eu sou professora de português.
Eu estava explicando um conceito de português e fui chamada de desrespeitosa por isso.
Eu estava explicando por que não faz diferença nenhuma mudar a vogal temática de substantivos e adjetivos pra ser ‘neutre’.
Em Português, a vogal temática, na maioria das vezes, não define gênero. Gênero é definido pelo artigo que acompanha a palavra. 
Vou mostrar pra vocês.
O motorista: termina em ‘A’ e não é feminino.
O poeta: termina em ‘A’ e não é feminino.
A ação, a depressão, a impressão, a ficção. Todas as palavras que terminam em ‘ão’ são femininas, embora terminem com ‘O’.
Boa parte dos adjetivos da Língua Portuguesa podem ser tanto masculinos quanto femininos, independentemente da letra final: feliz, triste, alerta, inteligente, emocionante, livre, doente, especial, agradável, etc.
Terminar uma palavra com ‘E’ não faz com que ela seja neutra.
A alface: termina em ‘E’ e é feminino.
O elefante: termina em ‘E’ e é masculino.
Como o gênero em Português é determinado muito mais pelos artigos do que pelas vogais temáticas, se vocês querem uma língua neutra, precisam criar um artigo neutro, não encher um texto de X, @ e E.
E mesmo que fosse o caso, o Português não aceita gênero neutro. Vocês teriam que mudar um idioma inteiro pra combater o ‘preconceito’.
Meu conselho é: em vez de insistir tanto na questão do gênero, entendam, de uma vez por todas, que gênero não existe, é uma coisa socialmente construída. 
O que existe é sexo. 
Entendam, em segundo lugar, que ‘gênero linguístico’, ‘gênero literário’, ‘gênero musical’, são coisas totalmente diferentes de ‘gênero’. 
Não faz absolutamente diferença nenhuma mudar gêneros de palavras. 
Isso não torna o mundo mais acolhedor.
E entendam, em terceiro lugar, que vocês podiam tirar o dedo da tela e parar de falar bobagem e se engajar em algo que realmente fizesse a diferença para melhorar o mundo, ao invés de ficarem arrumando discussões sem sentido. 
Tenham atitude! (Palavra que termina em ‘E’ e é feminina!). 
E parem de ficar militando no sofá! (Palavra que termina em ‘A’ e é masculina).
Quando me questionam porque sou de direita, esta é a explicação:
Quando um tipo de direita não gosta de armas, não as compra; quando um tipo de esquerda não gosta de armas, quer proibi-las.
Quando um tipo de direita é vegetariano, não come carne; quando um tipo de esquerda é vegetariano, quer fazer campanha contra os produtos à base de proteínas animais.
Quando um tipo de direita é homossexual, vive tranquilamente a sua vida; quando um tipo de esquerda é homossexual, faz um auê e inventa que está sofrendo de homofobia.
Quando um tipo de direita é ateu, não vai à igreja, nem à sinagoga, nem à mesquita; quando um tipo de esquerda é ateu, quer que nenhuma alusão a Deus ou a uma religião seja feita na esfera pública.
Quando a economia vai mal, o tipo de direita diz que é necessário arregaçar as mangas e trabalhar mais; quando a economia vai mal, o tipo de esquerda diz que os ‘malvadões’ dos patrões são os responsáveis e param o país.
E a tese final: quando um tipo de direita lê este texto, ele ri, concorda que infelizmente é uma realidade e até compartilha, quando um tipo de esquerda lê este texto, te insulta e te rótula de fascista, nazista, genocida, etc.”

Silêncio

Foureaux, 29.01.22

“O homem, ao largo de seus noventa anos, comenta, numa roda de amigos algumas coisas que sua memória recupera das veredas do tempo. Começou com a sua arte quando ela começava na terra em que vivia. Não contaram pra ele o que acontecia. Ele viu. Se não viu foi quem fez acontecer também. Entre risos e hesitações lembrou-se da infância simples, humilde – pobre, nas palavras dele – num lugarejo esquecido na natureza, longe de qualquer indício de ‘civilização’. Mais risadas. Lembrou-se de que ‘dormia com as galinhas’ e ac0dava às quatro da manhã para ordenhar as vacas. Antes de dormir, apartava os bezerros, para que eles não esgotassem o leite das vaquinhas que durante o dia pastavam, Bovinamente, como é de sua natureza. Comentou sobre a natureza, os hábitos simples, a rotina da ordenha. Lembrou-se de que, para que o leite fluísse com mais facilidade, amarrava o bezerro nas patas traseiras da vaca. Assim, ela olhava o bezerro e soltava o leito sem problema. Na falta dele, o leite não saía. Entre mais alguns sorriso complacentes, o homem comentou que era bonito apertar as tetas da vaca, observando seu olhar doce para o bezerro. O barulho do leite espirrando na lata. A fumaça do calor do leite. O cheiro do curral. Porém, o mais impactante era o olhar da vaca. Mais risos e o homem lembra que visitou recentemente, mais perto de seus noventa anos, uma fazenda de produção de leite. Visitou todas as instalações. Ficou maravilhado. Notou que a ordenha é mecanizada agora; apertam uns tubos prateados nas tetas da vaca e o leite já sai dentr0 de galões enormes. Tudo automático. Mais limpo. Mais higiênico. Mais moderno. O homem olha a seu redor e pergunta: e o olhar da vaca?” (Autor desconhecido)

"Dia do professor"

Foureaux, 16.10.21

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Eu pensei em escrever sobre uma cena televisada hoje. Um policial militar desce o cacete numa moça que, aparentemente, falava alguma coisa de muito agressivo e gesticulava nervosamente, enquanto os demais policiais e transeuntes observavam como se fosse um set de filmagem. Tudo errado. Em lugar disso, vou transcrever mensagem recebida de um amigo querido, Paulo Meyer, a quem conheço por mais de duas décadas, de quem compro bilhetes aéreos e seguros de viagem. Mandou-me o texto a propósito do dia 15 de agosto, ontem, data em que se “comemora”, no Brasil, o dia do professor. Desconheço a autoria.

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*Português não é para amador.*
Um poeta escreveu:
“Entre doidos e doídos, prefiro não acentuar”.
Às vezes, não acentuar parece mesmo a solução.
Eu, por exemplo, prefiro a carne ao carnê.
Assim como, obviamente, prefiro o coco ao cocô.
No entanto, nem sempre a ausência do acento é favorável...
Pense no cágado, por exemplo, o ser vivo mais afetado quando alguém pensa que o acento é mera decoração.
E há outros casos, claro!
Eu não me medico, eu vou ao médico.
Quem baba não é a babá.
Você precisa ir à secretaria para falar com a secretária.
Será que a romã é de Roma?
Seus pais vêm do mesmo país?
A diferença na palavra é um acento; assento não tem acento.
Assento é embaixo, acento é em cima.
Embaixo é junto e em cima separado.
Seria maio o mês mais apropriado para colocar um maiô?
Quem sabe mais entre a sábia e o sabiá?
O que tem a pele do Pelé?
O que há em comum entre o camelo e o camelô?
O que será que a fábrica fabrica?
E tudo que se musica vira música?
Será melhor lidar com as adversidades da conjunção “mas” ou com as más pessoas?

Será que tudo que eu valido se torna válido?
E entre o amem e o amém, que tal os dois?
Na sexta comprei uma cesta logo após a sesta.
É a primeira vez que tu não o vês.
Vão tachar de ladrão se taxar muito alto a taxa da tacha.
Asso um cervo na panela de aço que será servido pelo servo.
Por tanto nevoeiro, portanto, a cerração impediu a serração.
Para começar o concerto tiveram que fazer um conserto.
Ao empossar, permitiu-se à esposa empoçar o palanque de lágrimas.
Uma mulher vivida é sempre mais vívida, profetiza a profetisa.

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Calça, você bota; bota, você calça.
Oxítona é proparoxítona.
Na dúvida, com um pouquinho de contexto, garanto que o público entenda aquilo que publico.
E paro por aqui, pois esta lista já está longa.
Realmente, português não é para amador!
Se você foi capaz de ENTENDER TUDO, parabéns!!! Seu português está muito bom!