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As delícias do ócio criativo

10.01.26

Certa feita, já vai um tempo, conversando com uma amiga, ela disse que a partir dos 60 eu ia aprender o real significado da palavra limitação. É fato. Uma série de manifestações dessa coisa inexplicável – mas nem tanto – começa a fazer parte da rotina. Agora, chegando aos 70, isso começa a se adensar. E não de uma maneira negativa. Ainda bem! A pasta dental – ou dentifrício, como eu aprendi e gosto de falar – vinha numa embalagem metalizada que sempre estava “completamente” cheia. Não havia a bolha de ar que aparece hoje, na embalagem plastificada, depois de dois ou três apertos. Visitar os avós nos finais de semana. Brincar com as tias idosas no quintal de sua casa. Pedir a benção aos pais, avós, tios. Levantar-se quando o professor entrava na sala de aula. O tempo passa. E passando, ele traz coisas interessantes. Ontem recebei de outra amiga – esta portuguesa – um recorte de jornal que reproduzo abaixo. (Ao fim, vai a imagem enviada). Foi publicado ontem mesmo, até prova em contrário, no diário matutino português que atende pelo nome de Público. Fez pensar... mais um pouco. O intuito, aqui, é o mesmo...

“Os velhos poderosos

Ainda ontem

Miguel Esteves Cardoso

E se a maneira como olhamos para os velhos for o contrário do que faz sentido?

E se a velhice for um jogo em que todos os anos se arranjam para os concorrentes, cada vez mais velhos, novos impedimentos e novas sobrecargas, exortando-os: ‘Desiste! Desanima!’ Começa para aí aos 50 anos. Apetece logo desanimar. Começam a morrer pessoas de quem gostamos muito.Com surpresas. Más. Começam as doenças. Começam as dores. Começam os preconceitos. Começam os cansaços.

Cada vez que aparece o monstro – o monstro da vida, o monstro da idade com novos encolhimentos da nossa alegria de viver, ele grita-nos ‘Desanima! Desiste! Ao menos, entristece...’ Mas os velhos picam-se. Gostam do jogo. Não é como se houvesse outro para jogar. Sentem-se desafiados: ‘Aié? Aié? Então já vais ver!’

‘Então já vais ver, vida madrasta de um raio – ou julgavas que eu me deixava ir abaixo com tão pouco?’

Os velhos engolem os pais mortos, os amigos mortos, as coisas que já não podem fazer, mais a cara que os fita no espelho, com a língua de fora, e as cidades que se tornaram irreconhecíveis, e as paisagens que nunca mais voltarão, e as análises que estão cada vez piores. Engolem, enchem o peito, secam os olhos e apalpam a alma para ver se desanimou. Não desanimou. Ainda lá está. E é assim que ganham força: ainda estou de pé, ainda me rio, ainda me apetece brincar, ainda sou um gatinho.

Os velhos que não desanimaram são muito mais fortes do que os jovens que nunca foram desafiados a desanimar.

Aliás, desanimar com pouco é próprio da juventude: é um luxo deitarmo-nos abaixo com tão pouco. O monstro dos jovens não é o monstro dos velhos. Não é a morte. É pior do que a morte: o monstro dos jovens é a ignorância. E uma ignorância invencível, por muito que se leia e se viva. Leva a grandes desperdícios. Entrega-se de corpo e alma a grandes desânimos, todos redundantes.

Já os velhos sabem. Sabem e mesmo assim não desanimam. Não são só sobreviventes. São vencedores.”

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01.01.26

Antes de mais, feliz ano novo!

Vai hoje o primeiro do ano, no primeiro dia do mesmo ano,... quem sabe mais outros virão com um pouco mais de frequência... Não posso garantir.

Inauguro mais um ano deste blogue com um texto atribuído a Pablo Neruda. O particípio procede dado que, mesmo com o “ano novo”, minha preguiça continua a mesma! A ideia era publicar “Funeral Blues”, do W.H. Auden. No entanto, o tom fúnebre, ainda que monumental, do poema exigiria muita explicação por aparecer num dia de (suposta) alegria e comemoração. A suposição é por minha conta. Pensem o que quiserem. Como não queria gastar meu tempo (e paciência) com as explicações irrecorríveis, vai o anunciado.

Os anos que me restam.

“Nunca tinha pensado nisso desta forma, até que uma manhã, com o café fumegando, compreendi que os anos que tenho… já não os tenho.

Sim, soa estranho, mas é a verdade. Aqueles anos que digo ter já se foram, permanecem em fotografias, em risos antigos, em amores que já não doem, em roupas que já não me servem e em sonhos que mudaram de forma.

Os verdadeiros anos que tenho são os que me restam para viver, os que ainda não me viram rir às gargalhadas, os que ainda guardam um abraço, uma conversa sob a lua ou um brinde inesperado.

Nesta idade, compreende-se que o tempo já não se mede em velas ou novas rugas, mas em momentos valiosos, em risos que se prolongam e em silêncios que não nos pesam.

Quero passar os anos que me restam devagar, sem pressa, com a calma de quem já não precisa de provar nada. Já não me preocupo se o relógio está a correr.” Ou se a vida mudar de planos. Que ela siga seu curso, que mude, que me surpreenda.

Tudo o que eu quero é que os anos que me restam sejam meus, verdadeiramente meus… vividos com a alma aberta, o coração em paz e a certeza de que tudo o que fui, com meus erros e acertos, me trouxe até aqui.

E aqui estou eu: tomando café, observando a vida passar pela janela, grata pelos anos que já não tenho… e abraçando com carinho aqueles que ainda viverei.”

 

14.10.25

Pra variar, ando numa maré de preguiça que nem sei. Deve ser por conta dos 70, da hipocrisia circundante, da vilania alheia ou mesmo chatice minha mesmo. Encontrei este texto guardado e resolvi partilhar, só pra não dizer que não estou ‘postando’ (detesto este ‘verbo’!) nada... Segue o texto.

“Nós somos aquela geração que não vai voltar. Crescemos com sapatos cheios de pó, joelhos raspados e coração apressado. não para olhar para uma tela,

mas para terminar o lanche e sair correndo para a rua – onde a única coisa importante era uma bola e alguns amigos. Nós éramos os que voltávamos da escola a pé. falando alto ou sonhando em silêncio, com a mente já no próximo jogo, na próxima aventura, entre um buraco na areia e um segredo sussurrado atrás de um canto.

Um pau podia ser uma espada. Uma poça virava um mar para conquistar. Nossos tesouros eram berlindes, cromos, barquinhos de papel. E o céu, nosso único limite.

Não tínhamos backups, apenas memórias na mente e nos rolos fotográficos. As fotos eram tocadas, cheiradas, guardadas em gavetas – junto a cartas escritas à mão, postais dos avós, e desenhos coloridos que os pais guardavam como joias.

Nós chamávamos de ‘mãe’ a quem curava nossas febres e ‘pai’ que nos ensinou a andar de bicicleta. Não era preciso mais.

À noite, sob os cobertores, conversamos baixinho com o irmão na cama ao lado, rindo por besteira, com medo que algum adulto ouvisse e desligue esse pequeno mundo de cumplicidade.

Essa geração está indo, pouco a pouco, como uma fotografia que perde a cor,

mas ninguém quer jogar fora. Nós nos afastamos silenciosamente, levando uma mala invisível: o eco do riso na rua, o cheiro de pão acabado de fazer, corridas sem sentido e aquela liberdade que eu não conhecia notificações.

Nós éramos crianças quando ainda se podia ser. E talvez essa seja a nossa maior fortuna.”

(José Vergara)

 

10.10.25

Já no ritmo de fim de semana (como se minha vida, depois de maio de 2018 fosse outra coisa senão um eterno fim de semana... com a graça de Deus!), faço postagem à noite... para dormir um pouco mais relaxado com amenidade que, no mínimo, causam curiosidade... Recebi da Suzana e só retirei as figurinhas... O texto e original cuja autoria desconheço.

“Sabia dessa? 
A natureza está cheia de curiosidades impressionantes – e o corpo humano também! Olha só o que você vai aprender agora:
1. pássaros não urinam,
2. cavalos e vacas conseguem dormir em pé,
3. morcegos são os únicos mamíferos que voam e – não conseguem andar,
4. mesmo de olhos fechados, as cobras enxergam pelas pálpebras
5. o urso polar tem pele preta, apesar da pelagem branca,
6. a mosca doméstica vive apenas 2 a 3 semanas,
7. para cada humano na Terra, existe um milhão de formigas,
8. álcool em um escorpião faz ele enlouquecer e se picar até morrer,
9. tubarões e jacarés podem viver até 100 anos,
10. abelhas têm dois estômagos: um para comida, outro para o mel,
11. um elefante pesa menos que a língua de uma baleia azul,
12. a sanguessuga tem 32 cérebros,
13. a barata pode viver uma semana sem cabeça,
14. golfinhos feridos recebem ajuda imediata de outros golfinhos,
15. um caracol pode dormir por três anos,
16. o falcão peregrino é a ave mais rápida do mundo: até 390km/h,
17. uma vaca produz cerca de 200 mil copos de leite na vida,
18. gatos ao ar livre vivem em média três anos. Já os domésticos, até 16 anos ou mais,
19. tubarões não adoecem – são imunes até ao câncer,
20. o mosquito tem 47 lâminas afiadas na ponta do probóscide para perfurar a pele,
21. ovos marrons e brancos têm o mesmo valor nutricional – a cor depende apenas da raça da galinha,
22. o cérebro humano pode armazenar mais de 2,5 milhões de petabytes.”
Despois desta série ainda havia uns tantos parágrafos chatíssimos sobre perda muscular e necessidade de água, caminhada e que tais. Cortei por minha conta e risco. Se alguém não gostar, que vá reclamar com o Bispo!

09.10.25

Recentemente, resolvi dar uma chance ao sus. Precisei de duas consultas: urologia e ortopedia.  Segui o protocolo: marquei consulta no Posto de Saúde do bairro, aguardei a “regulação”, marquei a consulta com os “profissionais” das clínicas de que eu precisava. Daí, no dia da consulta – detalhe: meses depois –, tive que escutar certas coisas de muitas pessoas na fila de espera de atendimento. Detalhe: o urologista – que chegou quarenta minutos atrasado! – atendeu doze pessoas em iguais quarenta minutos. Um urologista! Na minha vez – não posso garantir que tenha sido da mesma forma com os demais consulentes – ele sentado estava, sentado permaneceu durante TODA a consulta. Um urologista que atende um homem e não faz exame de toque. “Pode isso, Arnaldo”! Pois é. Entre as barbaridades, bobagens, chatices e mesmices que escutei enquanto aguardava a consulta, tive que engolir em seco quando, repetidas vezes, escutei elogios ao “atendimento” e os “graças a Deus” que temos consultas gratuitas no sus. Como é que é?! Gratuitas?! Essa gente não sabe que TUDO, absolutamente TUDO é tributado?! Não existe medicina gratuita, de fato, aqui. De algum lugar, algum dinheiro sai, para “manter” a tal “saúde pública”. É de chorar. Fico triste, envergonhado, irado com isso. Imagina. Grátis?! A falta de instrução de uma população que, em grande parte não tem banheiro em casa, é alguma coisa que ultrapassa as raias do absurdo. É grosseiro, triste, vergonhoso, absurdo. Vou parar por aqui, se não acabo por escrever para o vento... Mas que é um escândalo, ah... isso é!

27.09.25


Estou já há dois meses e quatro dias vivendo os meus 70 anos. Em 23 de julho de 2026 os completo. E já faz um tempinho que o pensamento se volta para as venturas e desventurar de se adentrar na idade. O avanço é inexorável. Costumo dizer a médicos que cuidam de mim e a amigos/familiares que, se fosse possível, viveria até o ponto de não depender totalmente de outra(s) pessoa(s). A dependência total, que significa absoluta ausência de autonomia, é algo que me assusta.  Assim, resolvi partilhar hoje dois textos. Uma historinha enviada por uma amiga e a letra de uma música. Quero crer que ambos os textos se complementam, dialogam e fazem pensar, cada um a seu modo. A ordem de leitura é aleatória, por supuesto!

“Em uma reunião familiar, um jovem perguntou aos pais, tios e avós: Como vocês viviam antes?

- Sem TV

- Sem Wi-Fi

- Sem tecnologia

- Sem internet

- Sem computadores

- Sem drones

- Sem bitcoins

- Sem celulares

- Sem Facebook

- Sem Twitter

- Sem YouTube

- Sem WhatsApp

- Sem Messenger

- Sem Instagram.

Então, no meio de toda a família, o avô se pronunciou e respondeu:

- Bem, olha, querido neto.

Assim como a sua geração vive hoje...

- Sem orações

- Sem respeito

- Sem valores.

- Sem personalidade

- Sem senso de compromisso

- Sem um eu interior.

- Sem caráter.

- Sem tempero.

- Sem ideais.

- Sem amor-próprio.

- Sem humanidade.

- Sem modéstia.

- Sem virtudes.

- Sem honra.

- Sem propósito.

- Sem aquele “não sei o quê”.

- Sem essência.

- Sem objetivos.

- Sem identidade, porque muitos não sabem se são homem ou mulher.

Nós, as pessoas NASCIDAS entre 1920 e 1975, somos abençoadas, e nossas vidas são a prova viva disso: depois da escola, a lição de casa vinha primeiro, e depois íamos brincar lá fora!

Brincávamos com amigos de verdade, não com amigos virtuais da internet.

Costumávamos fazer nossos próprios brinquedos e brincar com eles.

Nossos PAIS Não éramos ricos.

Eles nos deram e nos ensinaram AMOR, não valores materiais ou mundanos.

Nunca tivemos celulares, laptops, DVDs, Play Stations, Xboxes, videogames, computadores pessoais ou internet... mas tínhamos amigos de VERDADE.

Parentes moravam perto para que pudéssemos APROVEITAR o tempo em família.

Podemos ter aparecido nas fotos em preto e branco, mas você pode encontrar memórias muito coloridas nessas fotos.

Somos uma GERAÇÃO ÚNICA e mais COMPREENSIVA porque somos a ÚLTIMA GERAÇÃO que OUVIU seus PAIS... e também a PRIMEIRA que teve que OUVIR seus filhos.

Somos uma EDIÇÃO LIMITADA!

Aproveite, valorize e APRENDA com ontem.

Nascemos nos anos 40, 50 e 60.

Crescemos nos anos 50-60-70.”m

Estudamos na Anos 60, 70 e 80.”m

Namoramos nos anos 70, 80 e 90.”m

Nos casamos e descobrimos o mundo nos anos 70, 80 e 90.

Nos aventuramos nos anos 80 e 90.

Nos estabilizamos nos anos 2000.

Ficamos mais sábios nos anos 2010.

E estamos firmemente a caminho de 2026

Acontece que vivemos OITO décadas diferentes...

DOIS séculos diferentes...”

DOIS milênios diferentes...

Passamos do telefone com telefonista para ligações de longa distância para videochamadas em qualquer lugar do mundo.

Passamos dos discos de vinil para a música online, das cartas escritas à mão para o e-mail e o WhatsApp.

De assistir aos jogos no rádio para a TV em preto e branco e depois para a HDTV.”

Íamos à locadora e agora assistimos à Netflix, Globo Play entre outras.

“Conhecemos os primeiros computadores, cartões perfurados, disquetes, e agora temos gigabytes e megabytes em nossas mãos em nossos celulares ou iPads.”

Usamos shorts durante toda a infância, depois calças compridas, Oxfords, bermudas, etc.

Evitamos paralisia infantil, meningite, gripe H1N1 e COVID-19.”

“Sim, passamos por muita coisa, mas que vida maravilhosa tivemos!”

Podem nos chamar de “Sobreviventes”.

Pessoas que nasceram naquele mundo dos anos 1950, que tiveram uma infância analógica e uma vida adulta digital.

“Somos uma espécie de “já vi de tudo”.

Literalmente, nossa geração viveu e testemunhou muito mais do que qualquer outra em todas as dimensões da vida.

Foi a nossa geração que literalmente se adaptou ao mundo.

Uma grande salva de palmas a todos os membros de uma geração muito especial, que será ÚNICA.”

Uma mensagem linda e muito verdadeira que recebi de um amigo.

Espero que você tenha tempo para ler e compartilhar esta mensagem... ou então deixe para depois

e verá que nunca a compartilhará!

Sempre Juntos

Sempre Unidos

Sempre Irmãos

Sempre Amigos

**********************************************************************************

Tocando em frente (Almir Sater)

Ando devagar
Porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demais

Hoje me sinto mais forte
Mais feliz, quem sabe
Só levo a certeza
De que muito pouco sei
Ou nada sei

Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs

É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

Penso que cumprir a vida
Seja simplesmente
Compreender a marcha
E ir tocando em frente

Como um velho boiadeiro
Levando a boiada
Eu vou tocando os dias
Pela longa estrada, eu vou
Estrada eu sou

Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs

É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

Todo mundo ama um dia
Todo mundo chora
Um dia a gente chega
E no outro vai embora

Cada um de nós compõe a sua história
E cada ser em si carrega o dom de ser capaz
De ser feliz

Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs

É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

Ando devagar
Porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demais

Cada um de nós compõe a sua história
E cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz

 

07.09.25

Ando pensando muito no tempo. Já o fiz antes. agora, há um “a mais”: a idade. Estou vivendo o meu septuagésimo ano de vida. Não é pouco. Já não é mais tempo para planos de médio e longo prazo. Já não há espaço para sonhos mirabolantes. É a experiência da finitude a cada dia mais nítida, mais explícita, mais inescapável. Tudo, absolutamente tudo muda de figura. Não cabe julgamento de valor sobre se para o bem ou para o mal. É como é. Punto i basta! Na “rede” há um situo sobre poesia de que gosto imenso. Hoje, abriu-se automaticamente uma postagem de quem controla tal sítio com um poema declamado pela atris inglesa, Helena Bonham Carter, de quem gosto imenso. O texto que ela declama segue abaixo. Depois, a tradução feita por alguém (a fonte vai entre parênteses. Em seguida, por pensar que é coerente (ainda que possa não sê-lo) segue outro texto recebido de uma amiga, a Suzana. É pra pesar, sempre e mais...

Derek Walcott – Love After Love

The time will come
when, with elation
you will greet yourself arriving
at your own door, in your own mirror
and each will smile at the other’s welcome,

and say, sit here. Eat.
You will love again the stranger who was your self.
Give wine. Give bread. Give back your heart
to itself, to the stranger who has loved you

all your life, whom you ignored
for another, who knows you by heart.
Take down the love letters from the bookshelf,

the photographs, the desperate notes,
peel your own image from the mirror.
Sit. Feast on your life.

Derek Walcott – amor depois do amor

Um dia virá
em que, eufórico,
você cumprimentará a si próprio chegando
à sua porta, em seu espelho
e cada um dará ao outro um sorriso de boas-vindas,

e você dirá, sente-se aqui. Coma.
Você amará outra vez o estranho que foi.
Sirva vinho. Reparta o pão. Restitua
o seu coração
para ele mesmo, para o estranho que um dia você amou

por toda sua vida, a quem você ignorou
por outro, que o conhece de cor.
Derrube da estante as cartas de amor,

as fotografias, os bilhetes desesperados,
arranque sua imagem do espelho.
Sente-se. Saboreie a sua vida.

(Tradução de Nelson Santander)

(Derek Walcott – O Amor Depois do Amor – singularidade – poesia e etc.)

O psicólogo Hideki Wada publicou um livro intitulado “A parede dos 80 anos”. Assim que foi lançado, o livro superou as 500.000 cópias vendidas, tornando-se o livro mais vendido do momento. Se essa tendência continuar, as vendas devem ultrapassar 1 milhão de cópias, tornando-se o livro do ano no Japão. O Dr. Wada, de 61 anos, é médico especializado em doenças mentais em idosos. Ele condensou os segredos de uma vida “afortunada” para os jovens de 80 anos em 44 frases, listadas abaixo:

  1. Continue caminhando.
  2. Quando estiver com raiva, respire profundamente.
  3. Faça exercícios suficientes para que seu corpo não endureça.
  4. Beba mais água ao usar ar-condicionado no verão.
  5. Fraldas são úteis para aumentar a mobilidade.
  6. Quanto mais você mastiga, mais ativos ficam seu cérebro e seu corpo.
  7. A perda de memória não é por causa da idade, mas da falta de uso do cérebro.
  8. Não há necessidade de tomar remédio demais.
  9. Não é necessário reduzir excessivamente a pressão arterial e o açúcar.
  10. Estar sozinho não é solidão; é passar o tempo em paz.
  11. A preguiça não é motivo de vergonha.
  12. Não é preciso gastar dinheiro com carteira de motorista (há uma campanha no Japão para que idosos devolvam suas habilitações).
  13. Faça o que quiser; não faça o que não gosta.
  14. Os desejos naturais permanecem mesmo na velhice.
  15. Em qualquer caso, não fique sentado em casa o tempo todo.
  16. Coma o que quiser; um pouco de sobrepeso é melhor.
  17. Faça tudo com cuidado.
  18. Não se envolva com pessoas de quem não gosta.
  19. Não assista à televisão o tempo todo.
  20. Em vez de lutar contra a doença, aprenda a conviver com ela.
  21. “Quando o carro chega à montanha, o caminho aparece”: esta é a frase mágica da felicidade para os idosos.
  22. Coma frutas e saladas frescas.
  23. O tempo de banho não deve ultrapassar 10 minutos.
  24. Se não conseguir dormir, não se force.
  25. Atividades que trazem alegria aumentam a atividade cerebral.
  26. Diga o que sente; não pense demais.
  27. Encontre um “médico de família” o quanto antes.
  28. Não seja paciente ou rígido demais; ser um “idoso ousado” também não é ruim.
  29. Às vezes, mudar de opinião está tudo bem.
  30. Na fase final da vida, a demência é um presente de Deus.
  31. Se parar de aprender, você envelhece.
  32. Não deseje fama; o que você tem já é suficiente.
  33. A inocência pertence aos idosos.
  34. Quanto mais difícil algo for, mais interessante se torna.
  35. Tomar sol traz felicidade.
  36. Faça coisas que beneficiem os outros.
  37. Gaste o dia de hoje com tranquilidade.
  38. O desejo é a chave para a longevidade.
  39. Viva com alegria.
  40. Respire com leveza.
  41. Os princípios da vida estão em suas próprias mãos.
  42. Aceite tudo em paz.
  43. Pessoas alegres são amadas por todos.
  44. Um sorriso traz boa sorte.

Envelhecer não é uma limitação, é um presente. Com a perspectiva certa e hábitos diários saudáveis, os anos após os 60 podem ser os mais gratificantes da vida. Vamos aceitar o envelhecimento sem medo, mas com graça, gratidão e a sabedoria que o Dr. Wada compartilha com tanta generosidade.

Compartilhe isso com todos os “jovens de idade avançada” que você conhece.

01.09.25

A inviolabilidade do domicílio é um direito fundamental garantido pela Constituição Brasileira, especificamente no Artigo 5º, inciso XI, que afirma que “a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial”. Essa proteção busca assegurar a privacidade e a segurança do lar, sendo considerada um dos primeiros direitos reconhecidos na Constituição. A violação desse direito pode resultar em sanções penais, conforme o Código Penal Brasileiro.

Mais não digo...

25.08.25

Resultado de imagem para gerações
O texto que partilho – para não faltar ao costume! – não é de minha autoria. Tenho a impressão de que é bastante corriqueiro e que já deve estar circulando há mito tempo. Não vou verificar isso – de novo, para não faltar ao costume – por pura, declarada, assumida e sincera preguiça. De qualquer maneira, vai o texto que, acredito, faz pensar, mesmo sabendo que este verbo expressa atividade cada vez menos valorizada e mais vilipendiada, haja vista o que anda acontecendo por aqui, na terra dos Burundangas... O assunto já não é novidade, mas, infelizmente, tem sustentado bravatas de profunda imbecilidade e tendenciosidade... ai, que preguiça. Evoé, Macunaíma!

“Nós somos aquela geração que não vai voltar.

Crescemos com sapatos cheios de pó, joelhos raspados e coração apressado.

não para olhar para uma tela, mas para terminar o lanche e sair correndo para a rua — onde a única coisa importante era uma bola e alguns amigos.

Nós éramos os que voltávamos da escola a pé. falando alto ou sonhando em silêncio, com a mente já no próximo jogo, na próxima aventura, entre um buraco na areia e um segredo sussurrado atrás de um canto.

Um pau podia ser uma espada, uma poça virava um mar para conquistar.

Nossos tesouros eram berlindes, cromos, barquinhos de papel. E o céu, nosso único limite.

Não tínhamos backups, apenas memórias na mente e nos rolos fotográficos.

As fotos eram tocadas, cheiradas, guardadas em gavetas – junto a cartas escritas à mão, postais dos avós, e desenhos coloridos que os pais guardavam como joias.

Nós chamávamos de ‘mãe’ a quem curava nossas febres e ‘pai’ a quem nos ensinou a andar de bicicleta. Não era preciso mais.

À noite, sob os cobertores, conversamos baixinho com o irmão na cama ao lado, rindo por besteira, com medo que algum adulto ouvisse e desligue esse pequeno mundo de cumplicidade.

Essa geração está indo, pouco a pouco, como uma fotografia que perde a cor,

mas ninguém quer jogar fora.

Nós nos afastamos silenciosamente, levando uma mala invisível: o eco do riso na rua, o cheiro de pão acabado de fazer, corridas sem sentido e aquela liberdade que eu não conhecia notificações.

Nós éramos crianças quando ainda se podia ser.

E talvez essa seja a nossa maior fortuna. 

(José Vergara)”

 

24.08.25

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Domingo, na minha humilde opinião – opinião de um chato – é o dia mais bobo da semana. Não sei dizer o porquê disso. É apenas uma intuição, sensação, cima. Dia bobo. Punto i basta. assim, da bobice do dia nasceu a vontade de partilhar algo que pode parecer bobagem, mas... há controvérsias. Não sei quem é o autor desta “pérola” (?). Mas entre as tantas opções que a “rede” oferece, vai uma para quem gosta de “checagem” de fontes:

(1) Instagram.

Todas as tardes, dez amigos se encontravam no Bar do Leôncio, no centro da pacata cidade de Santa Aurora, para beber, conversar e esquecer um pouco as preocupações da vida.

A conta era sempre a mesma: R$ 100,00 por rodada de cerveja.

Mas eles nunca dividiam essa conta igualmente, pois sabiam que suas realidades eram muito diferentes — e então decidiram contribuir de forma proporcional ao que cada um podia pagar:

Os quatro mais pobres não pagavam nada.

O quinto, que fazia bicos, pagava R$ 1,00.

O sexto, com um trabalho irregular, dava R$ 3,00.

O sétimo, que tinha um salário fixo, contribuía com R$ 7,00.

O oitavo, funcionário público, pagava R$ 12,00.

O nono, dono de um pequeno negócio, desembolsava R$ 18,00.

E o décimo, o mais rico — um investidor de sucesso — bancava o restante: R$ 59,00.

Todos achavam justo. Todos brindavam juntos. Todos se beneficiavam da cerveja.

 Era como funcionam os impostos progressivos no Brasil e em muitos países:

Quem tem mais, contribui mais.

Um dia, o Leôncio, dono do bar, apareceu com uma novidade:

— Meus amigos, vocês têm sido clientes fiéis. Hoje, vou dar um desconto: a rodada vai sair por R$ 80,00!

Foi só alegria. Mais risadas, mais brindes, e até um “viva ao Leôncio!”

Mas aí surgiu uma dúvida:

Como dividir esse desconto de R$ 20,00 de forma justa?

Se os R$ 20,00 fossem divididos igualmente entre os dez, os quatro que nunca pagaram passariam a “receber” dinheiro só por estarem ali — o que parecia estranho.

Então Artur Dourado, o mais rico, propôs:

— E se a gente repartir o desconto na mesma proporção de antes? Cada um ganha um alívio conforme já contribuía. Assim, ninguém perde.

Todos concordaram.

E o novo valor ficou assim:

O 5º passou de R$ 1,00 para R$ 0,00.

O 6º de R$ 3,00 para R$ 2,00.

O 7º de R$ 7,00 para R$ 5,00.

O 8º de R$ 12,00 para R$ 9,00.

O 9º de R$ 18,00 para R$ 14,00.

O 10º (o mais rico) de R$ 59,00 para R$ 50,00.

Todos pagaram menos.

Ninguém saiu no prejuízo.

Todos economizaram.

Mas aí começaram as reclamações...

“Peraí… por ser mais rico economizou R$ 9,00 e eu só R$ 1,00?”

— “Isso não é justo!”— “Os ricos sempre se dão melhor!”

— “Ele tá ganhando mais que a gente com esse desconto!”

Tomados pela indignação, os nove amigos se revoltaram contra o amigo mais rico.

Chamaram-no de aproveitador. Disseram que o sistema favorecia os ricos.

Reclamaram tanto… que no dia seguinte, ele  não apareceu mais.

E foi só nesse momento que entenderam:

❌ Sem ele, os outros não conseguiam juntar nem metade da conta.

❌ Sem ele, o sistema não se sustentava.

❌ Sem ele… não havia mais cerveja para ninguém.

 Essa história mostra, de forma simples, como funcionam os impostos progressivos:

Quem ganha mais, paga mais.

Mas se você pune quem sustenta a estrutura, o sistema inteiro desmorona.

Moral da história:

“O socialismo fracassa… quando acaba o dinheiro dos outros.”

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