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As delícias do ócio criativo

As delícias do ócio criativo

Silêncio

Foureaux, 29.01.22

“O homem, ao largo de seus noventa anos, comenta, numa roda de amigos algumas coisas que sua memória recupera das veredas do tempo. Começou com a sua arte quando ela começava na terra em que vivia. Não contaram pra ele o que acontecia. Ele viu. Se não viu foi quem fez acontecer também. Entre risos e hesitações lembrou-se da infância simples, humilde – pobre, nas palavras dele – num lugarejo esquecido na natureza, longe de qualquer indício de ‘civilização’. Mais risadas. Lembrou-se de que ‘dormia com as galinhas’ e ac0dava às quatro da manhã para ordenhar as vacas. Antes de dormir, apartava os bezerros, para que eles não esgotassem o leite das vaquinhas que durante o dia pastavam, Bovinamente, como é de sua natureza. Comentou sobre a natureza, os hábitos simples, a rotina da ordenha. Lembrou-se de que, para que o leite fluísse com mais facilidade, amarrava o bezerro nas patas traseiras da vaca. Assim, ela olhava o bezerro e soltava o leito sem problema. Na falta dele, o leite não saía. Entre mais alguns sorriso complacentes, o homem comentou que era bonito apertar as tetas da vaca, observando seu olhar doce para o bezerro. O barulho do leite espirrando na lata. A fumaça do calor do leite. O cheiro do curral. Porém, o mais impactante era o olhar da vaca. Mais risos e o homem lembra que visitou recentemente, mais perto de seus noventa anos, uma fazenda de produção de leite. Visitou todas as instalações. Ficou maravilhado. Notou que a ordenha é mecanizada agora; apertam uns tubos prateados nas tetas da vaca e o leite já sai dentr0 de galões enormes. Tudo automático. Mais limpo. Mais higiênico. Mais moderno. O homem olha a seu redor e pergunta: e o olhar da vaca?” (Autor desconhecido)