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As delícias do ócio criativo

As delícias do ócio criativo

Passado

Foureaux, 17.09.22

As margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heroico, e o sol da liberdade, em raios fúlgidos, brilhou no céu da pátria nesse instante. Se conseguimos conquistar com braço forte o penhor dessa igualdade, o nosso peito desafia a própria morte em seu seio, ó liberdade. O nosso peito desafia a própria morte! Ó pátria amada, idolatrada, salve! Salve!

Brasil, um sonho intenso, um raio vivido de amor e de esperança à terra desce. Se a imagem do cruzeiro resplandece em teu formoso céu, risonho e límpido, gigante pela própria natureza, és belo, és forte, impávido colosso, e o teu futuro espelha essa grandeza, terra adorada, entre outras mil, és tu Brasil, ó pátria amada! És mãe gentil dos filhos deste solo, pátria amada, Brasil!

Fulguras, o Brasil, florão da América, deitado eternamente em berço esplêndido, ao som do mar e à luz do céu profundo, iluminado ao sol do Novo Mundo! Teus risonhos, lindos campos têm mais flores do que a terra, mais garrida. Nossos bosques têm mais vida, nossa vida no teu seio, mais amores, ó pátria amada, idolatrada, salve! Salve!

O lábaro que ostentas estrelado seja símbolo de amor eterno e diga o verde-louro dessa flâmula: “Paz no futuro e glória no passado”, mas, se ergues a clava forte da justiça, verás que um filho teu não foge à luta, quem te adora nem teme a própria morte, terra adorada, entre outras mil és tu, Brasil, ó Pátria amada! És mãe gentil dos filhos deste solo, pátria amada, Brasil!

Hoje deu vontade de fazer uma coisa que fiz numa das primeiras aulas de Língua Portuguesa, no primeiro semestre do curso de Letras. Pode parece anacrônico e sem sentido, mas o professor, numa de suas aulas, fez esse exercício conosco para introduzir o estudo da gramática tradicional, então obrigatória – que falta faz ela hoje!!! Colocávamos em ordem direta os versos do hino, como se fosse uma sequência de períodos e em seguida, fazíamos destes a análise sintática. Depois, durante a correção, discutíamos com o professor e passávamos para o capítulo posterior. Numa de outras aulas, fizemos o mesmo com um canto d’Os lusíadas. A escolha era do professor. Aliás, nesta aula, o mesmo exercício, com os versos da epopeia, serviu de avaliação parcial do semestre. Aprendia-se a Língua Portuguesa em seu funcionamento, para depois estabelecer e reconhecer as regras deste mesmo funcionamento. Uma didática que se perdeu no tempo, infelizmente.

 

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