Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

As delícias do ócio criativo

As delícias do ócio criativo

25.08.25

Gerações...

Foureaux

Resultado de imagem para gerações
O texto que partilho – para não faltar ao costume! – não é de minha autoria. Tenho a impressão de que é bastante corriqueiro e que já deve estar circulando há mito tempo. Não vou verificar isso – de novo, para não faltar ao costume – por pura, declarada, assumida e sincera preguiça. De qualquer maneira, vai o texto que, acredito, faz pensar, mesmo sabendo que este verbo expressa atividade cada vez menos valorizada e mais vilipendiada, haja vista o que anda acontecendo por aqui, na terra dos Burundangas... O assunto já não é novidade, mas, infelizmente, tem sustentado bravatas de profunda imbecilidade e tendenciosidade... ai, que preguiça. Evoé, Macunaíma!

“Nós somos aquela geração que não vai voltar.

Crescemos com sapatos cheios de pó, joelhos raspados e coração apressado.

não para olhar para uma tela, mas para terminar o lanche e sair correndo para a rua — onde a única coisa importante era uma bola e alguns amigos.

Nós éramos os que voltávamos da escola a pé. falando alto ou sonhando em silêncio, com a mente já no próximo jogo, na próxima aventura, entre um buraco na areia e um segredo sussurrado atrás de um canto.

Um pau podia ser uma espada, uma poça virava um mar para conquistar.

Nossos tesouros eram berlindes, cromos, barquinhos de papel. E o céu, nosso único limite.

Não tínhamos backups, apenas memórias na mente e nos rolos fotográficos.

As fotos eram tocadas, cheiradas, guardadas em gavetas – junto a cartas escritas à mão, postais dos avós, e desenhos coloridos que os pais guardavam como joias.

Nós chamávamos de ‘mãe’ a quem curava nossas febres e ‘pai’ a quem nos ensinou a andar de bicicleta. Não era preciso mais.

À noite, sob os cobertores, conversamos baixinho com o irmão na cama ao lado, rindo por besteira, com medo que algum adulto ouvisse e desligue esse pequeno mundo de cumplicidade.

Essa geração está indo, pouco a pouco, como uma fotografia que perde a cor,

mas ninguém quer jogar fora.

Nós nos afastamos silenciosamente, levando uma mala invisível: o eco do riso na rua, o cheiro de pão acabado de fazer, corridas sem sentido e aquela liberdade que eu não conhecia notificações.

Nós éramos crianças quando ainda se podia ser.

E talvez essa seja a nossa maior fortuna. 

(José Vergara)”

 

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2025
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2024
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2023
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2022
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2021
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D

Em destaque no SAPO Blogs
pub