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As delícias do ócio criativo

As delícias do ócio criativo

Do lado de lá

Foureaux, 21.09.22

Nas duas últimas semanas, fomos quase sufocados com tantas matérias e fotos e vídeos e comentários e textos e notícias sobre os funerais da Rainha Elizabeth II, A Rainha Isabel II, como conhecida em Portugal. Paralelamente – e para mal dos pecados de cada um dos cidadãos de bem viventes neste rincão, do lado de cá do grande charco – outra avalanche de igual pressão e conteúdo quase nulo também nos assaltou: a sequência interminável de promessas vazias, de mentiras deslavadas e de delírios absolutamente inenarráveis – para deixar de lado outros aspectos que beiram o parético – da “propaganda eleitoral obrigatória e gratuita”. Não posso afirmar, porque não tenho conhecimento para tanto, mas tenho a impressão de que essa excrescência da criatividade rasteira e falaciosa da “inteligência humana” só existe por aqui. Pior, financiada por dinheiro arrecadado dos inúmeros e incontáveis impostos que pagamos a todo momento. Entre os dois, meu coração não balança. De olhos fechados, escolho a primeira opção, com todos os senões. Assim sendo, recebi de um amigo português, o reencaminhamento da mensagem de Facebook que segue. Gostei, por isso mesmo, partilho!

Texto publicado por Luís Russo Pistola

Ao cuidado do José Rodrigues dos Santos e do João Adelino Faria e da péssima (com expoente 99) cobertura que fizeram do Funeral de Estado da Rainha Isabel II do Reino Unido: bastava irem à Wikipedia para aprenderem que o Orbe não é “uma esfera com uma cruz”, “semelhante à esfera armilar portuguesa” nem “representa o domínio britânico sobre o mundo no seu passado imperial”. O Orbe é um símbolo cristão de submissão do mundo – do poder temporal – a Cristo. O “Império” é o de Cristo, não de nenhum povo em particular. Como se lê e bem na Wikipedia: “O orbe simboliza o domínio de Cristo (a cruz) sobre o mundo (o orbe), literalmente sujeito por um governante terreno (ou, por vezes, de um ser celestial como um anjo). Quando é seguro pela própria figura de Cristo, o objeto é conhecido na iconografia ocidental como Salvator Mundi (Salvador do Mundo).” E já agora:

  1. a) a Monarquia Britânica não está em crise – tem um Rei desde que a mãe exaltou o último suspiro e tem milhões na rua a apoiá-la -;
  2. b) o “Rei Carlos III” não é uma incógnita já que esteve a ser preparado por 73 anos para fazer o que está a fazer e nos últimos anos até já fazia boa parte das funções em representação da monarca;
  3. c) o seu reinado não “começa hoje” nem “amanhã”, começou quando a mãe morreu e já teve uma semana de actos oficiais feitos como monarca, como é óbvio;
  4. d) quem vê as manifestações de afecto de que tem sido alvo e lê os comentários às mesmas percebe que é bem mais popular do que querem fazê-lo crer e que a mudança em uma semana do número de pessoas que nas sondagens dizem apoiá-lo mostra isso mesmo; e que se preocupam com a sua saúde com a agenda carregada que tem tido independentemente da idade;
  5. e) os britânicos não se “despediram da sua Rainha”, despediram-se dos restos mortais da mesma;
  6. f) a Monarquia Espanhola não está em risco e o Rei Juan Carlos não é “impopular” (bem pelo contrário) nem o será depois de morto, como é óbvio;
  7. g) se Carlos III é traduzido, lógico é que o façam com Guilherme e Catarina, Príncipes de Gales, com os príncipes Jorge e Carlota, com o Duque Henrique, etc, porque dizer uns em inglês e os outros em português é só piroso e estúpido;
  8. h) e por falar em estúpido, as cerimónias militares não são “próprias de ditaduras e não vistas nas ‘democracias modernas’, são a representação da união do povo com o Soberano e são próprias de estados que não sejam falhados e ainda saibam o que é a dignidade do Estado, assim como a existência de Protocolo de Estado, o garante de que tanto direitos de todos são respeitados e honrados e que a representação do Estado não ofende os seus povos.
  9. i) “os jovens não estão afastados da Monarquia”, caso contrário não estariam em incrível número nos mais de 750 000 que passaram longas horas para fazer uma vénia em frente do caixão da defunta Rainha, muitos em copiosas lágrimas, ou a encher as ruas para saudar o novo Rei: estão afastados, sim, das repúblicas das bananas como a nossa que não consegue juntar 750 pessoas livremente a comemorá-la, muito menos a chorá-la.