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As delícias do ócio criativo

14.10.25

Pra variar, ando numa maré de preguiça que nem sei. Deve ser por conta dos 70, da hipocrisia circundante, da vilania alheia ou mesmo chatice minha mesmo. Encontrei este texto guardado e resolvi partilhar, só pra não dizer que não estou ‘postando’ (detesto este ‘verbo’!) nada... Segue o texto.

“Nós somos aquela geração que não vai voltar. Crescemos com sapatos cheios de pó, joelhos raspados e coração apressado. não para olhar para uma tela,

mas para terminar o lanche e sair correndo para a rua – onde a única coisa importante era uma bola e alguns amigos. Nós éramos os que voltávamos da escola a pé. falando alto ou sonhando em silêncio, com a mente já no próximo jogo, na próxima aventura, entre um buraco na areia e um segredo sussurrado atrás de um canto.

Um pau podia ser uma espada. Uma poça virava um mar para conquistar. Nossos tesouros eram berlindes, cromos, barquinhos de papel. E o céu, nosso único limite.

Não tínhamos backups, apenas memórias na mente e nos rolos fotográficos. As fotos eram tocadas, cheiradas, guardadas em gavetas – junto a cartas escritas à mão, postais dos avós, e desenhos coloridos que os pais guardavam como joias.

Nós chamávamos de ‘mãe’ a quem curava nossas febres e ‘pai’ que nos ensinou a andar de bicicleta. Não era preciso mais.

À noite, sob os cobertores, conversamos baixinho com o irmão na cama ao lado, rindo por besteira, com medo que algum adulto ouvisse e desligue esse pequeno mundo de cumplicidade.

Essa geração está indo, pouco a pouco, como uma fotografia que perde a cor,

mas ninguém quer jogar fora. Nós nos afastamos silenciosamente, levando uma mala invisível: o eco do riso na rua, o cheiro de pão acabado de fazer, corridas sem sentido e aquela liberdade que eu não conhecia notificações.

Nós éramos crianças quando ainda se podia ser. E talvez essa seja a nossa maior fortuna.”

(José Vergara)

 

10.10.25

Já no ritmo de fim de semana (como se minha vida, depois de maio de 2018 fosse outra coisa senão um eterno fim de semana... com a graça de Deus!), faço postagem à noite... para dormir um pouco mais relaxado com amenidade que, no mínimo, causam curiosidade... Recebi da Suzana e só retirei as figurinhas... O texto e original cuja autoria desconheço.

“Sabia dessa? 
A natureza está cheia de curiosidades impressionantes – e o corpo humano também! Olha só o que você vai aprender agora:
1. pássaros não urinam,
2. cavalos e vacas conseguem dormir em pé,
3. morcegos são os únicos mamíferos que voam e – não conseguem andar,
4. mesmo de olhos fechados, as cobras enxergam pelas pálpebras
5. o urso polar tem pele preta, apesar da pelagem branca,
6. a mosca doméstica vive apenas 2 a 3 semanas,
7. para cada humano na Terra, existe um milhão de formigas,
8. álcool em um escorpião faz ele enlouquecer e se picar até morrer,
9. tubarões e jacarés podem viver até 100 anos,
10. abelhas têm dois estômagos: um para comida, outro para o mel,
11. um elefante pesa menos que a língua de uma baleia azul,
12. a sanguessuga tem 32 cérebros,
13. a barata pode viver uma semana sem cabeça,
14. golfinhos feridos recebem ajuda imediata de outros golfinhos,
15. um caracol pode dormir por três anos,
16. o falcão peregrino é a ave mais rápida do mundo: até 390km/h,
17. uma vaca produz cerca de 200 mil copos de leite na vida,
18. gatos ao ar livre vivem em média três anos. Já os domésticos, até 16 anos ou mais,
19. tubarões não adoecem – são imunes até ao câncer,
20. o mosquito tem 47 lâminas afiadas na ponta do probóscide para perfurar a pele,
21. ovos marrons e brancos têm o mesmo valor nutricional – a cor depende apenas da raça da galinha,
22. o cérebro humano pode armazenar mais de 2,5 milhões de petabytes.”
Despois desta série ainda havia uns tantos parágrafos chatíssimos sobre perda muscular e necessidade de água, caminhada e que tais. Cortei por minha conta e risco. Se alguém não gostar, que vá reclamar com o Bispo!

09.10.25

Recentemente, resolvi dar uma chance ao sus. Precisei de duas consultas: urologia e ortopedia.  Segui o protocolo: marquei consulta no Posto de Saúde do bairro, aguardei a “regulação”, marquei a consulta com os “profissionais” das clínicas de que eu precisava. Daí, no dia da consulta – detalhe: meses depois –, tive que escutar certas coisas de muitas pessoas na fila de espera de atendimento. Detalhe: o urologista – que chegou quarenta minutos atrasado! – atendeu doze pessoas em iguais quarenta minutos. Um urologista! Na minha vez – não posso garantir que tenha sido da mesma forma com os demais consulentes – ele sentado estava, sentado permaneceu durante TODA a consulta. Um urologista que atende um homem e não faz exame de toque. “Pode isso, Arnaldo”! Pois é. Entre as barbaridades, bobagens, chatices e mesmices que escutei enquanto aguardava a consulta, tive que engolir em seco quando, repetidas vezes, escutei elogios ao “atendimento” e os “graças a Deus” que temos consultas gratuitas no sus. Como é que é?! Gratuitas?! Essa gente não sabe que TUDO, absolutamente TUDO é tributado?! Não existe medicina gratuita, de fato, aqui. De algum lugar, algum dinheiro sai, para “manter” a tal “saúde pública”. É de chorar. Fico triste, envergonhado, irado com isso. Imagina. Grátis?! A falta de instrução de uma população que, em grande parte não tem banheiro em casa, é alguma coisa que ultrapassa as raias do absurdo. É grosseiro, triste, vergonhoso, absurdo. Vou parar por aqui, se não acabo por escrever para o vento... Mas que é um escândalo, ah... isso é!

08.10.25

Fazendo uma limpeza no computador, deparei-me com o texto que segue. Não é de minha autoria., por isso, as aspas. Fato é que gostei do seu conteúdo, daí a partilha. Fala de Literatura – assunto de que gosto imenso. Mesmo aposentado e, conforme o adagiário, “afastado de Deus” no que tange às lides “acadêmicas”, continuo um interessado contumaz sobre o assunto. Tomara que o tédio não tome conta dos olhos de quem se dispuser a ler...

“A ideia de senso comum cria – aparentemente de forma ‘natural’ – certo conflito. O discurso corrente sobre a literatura, que desig­na os pontos de referência para uma teorização, como acontece aqui, na abordagem de um texto constituído a partir da correspondência entre dois poetas, está sujeito, na sua base, a alguns questionamentos, haja vista o exame de pressupostos relativamente a certo número de noções fundamentais. Todo discurso sobre a literatura assume posição implícita e/ou explícita em relação a seu objeto. O ‘caso’ das cartas não é diferente.

Um balanço, um mapa, da teoria, literária seria, entretanto, concebível? E de que forma? Não seria esse um projeto abortado se, como afirma Paul de Man, ‘o principal interesse teórico da teoria literária consiste na impossibilidade de sua definição’?

A teoria não poderia, então, ser apreendida senão graças a uma teoria negativa, segundo o modelo desse Deus escondido do qual somente uma teologia negativa pode falar. Isso significa situar o horizonte alto demais, ou longe demais as afinidades, aliás reais, entre a teoria literária e o niilismo. A teoria não pode se reduzir a uma técnica nem a uma pedagogia – ela vende sua alma nos vade-mécum de capas coloridas expostos nas vitrinas das livrarias do Quartier Latin –, mas isso não é motivo para fazer dela uma metafisica nem uma mística. Não a tratemos como uma religião. A teoria literária não teria senão um ‘interesse teórico’? Não, se estou certo ao sugerir que ela e também, talvez essencialmente, critica, opositiva ou polêmica.

Porque não é do lado teórico ou teológico, nem do lado prático ou pedagógico, que a teoria me parece principalmente interessante e autêntica, mas pelo combate feroz e vivificante que empreende contra as ideias preconcebidas dos estudos literários, e pela resistência igualmente determinada que as ideias preconcebidas lhe opõem. Esperaríamos, talvez, de um balanço da teoria literária, que depois de ter oferecido sua própria definição de literatura, como definição condestável – trata-se, na verdade, do primeiro lugar-comum teórico: ‘O que é a literatura?’ –, depois de ter prestado uma rápida homenagem as teorias literárias antigas, medievais e clássicas, desde Aristóteles até Batteux, sem esquecer uma passagem pelas poéticas não-ocidentais, arrolasse as diferentes escolas que compartilharam a atenção teórica no século XX: formalismo russo, estruturalismo de Praga, New Criticism norte-americano, fenomenologia alemã, psicologia genebresa, marxismo internacional, estruturalismo e pós-estruturalismo franceses, hermenêutica, psicanalise, neo-marxismo, feminismo etc. Inúmeros manuais são assim: ocupam os professores e tranquilizam os estudantes. Mas esclarecem um lado muito acessório da teoria.

Ou até mesmo a deformam, pervertem-na; porque o que a caracteriza, na verdade, e justamente o contrário do ecletismo, e seu engajamento, sua vis polêmica, assim como os impasses a que esta última a leva sem que ela se de conta. Os teóricos dão a impressão, muitas vezes, de fazer criticas muito sensatas

contra as posições de seus adversários, mas visto que estes, confortados por sua boa consciência de sempre, não renunciam e continuam a matraquear, os teóricos se põem também eles a falar alto, defendem suas próprias teses, ou antíteses, até o absurdo, e, assim, anulam-se a si mesmos diante de seus rivais

encantados de se verem justificados pela extravagância da posição adversária. Basta deixar falar um teórico e contentar-se em interrompê-lo de vez em quando com um ‘Ah!’ um pouco debochado, para vê-lo desmoronar diante de nossos olhos!

Quando entrei no sexto ano do pequeno liceu Condorcet, nosso velho professor de latim-francês, que era também prefeito de sua cidadezinha na Bretanha, perguntava-nos a cada texto de nossa antologia: ‘Como vocês compreendem essa passagem? O que o autor quis dizer? Onde está a beleza do verso ou da prosa? Em que a visão do autor e original? Que lição podemos tirar daí?’ Acreditamos, durante um tempo, que a teoria literária tivesse banido para sempre essas questões lancinantes. Mas as respostas passam e as perguntas permanecem.

Estas são mais ou menos as mesmas. Ha algumas que não cessam de se repetir de geração em geração. Colocavam-se antes da teoria, já se colocavam antes da história literária, e se colocam ainda depois da teoria, de maneira quase idêntica. A tal ponto que nos perguntamos se existe uma história da crítica literária, como existe uma história da filosofia ou da linguística, pontuada de criações de conceitos, como o cogito ou o complemento. Na crítica, os paradigmas não morrem nunca, juntam-se uns aos outros, coexistem mais ou menos pacificamente e jogam indefinidamente com as mesmas noções que pertencem a linguagem popular. Esse é um dos motivos, talvez o principal motivo, da sensação de repetição que se experimenta, inevitavelmente, diante de um quadro histórico da crítica literária: nada de novo sob o sol. Em teoria, passa-se o tempo tentando apagar termos de uso corrente: literatura, autor, intenção, sentido, interpretação, representação, conteúdo, fundo, valor, originalidade, história, influência, período, estilo etc. E o que se fez também, durante muito tempo, em lógica: recortava-se na linguagem cotidiana uma região linguística dotada de verdade. Mas a lógica formalizou se depois. A teoria literária não conseguiu desembaraçar-se da linguagem corrente sobre a literatura, a dos ledores e dos amadores. Assim, quando a teoria se afasta, as velhas noções ressurgem intocadas. É por serem ‘naturais’ ou ‘sensatas’ que nunca não escapamos delas realmente? Ou, como pensa de Man, é porque só desejamos resistir a teoria, porque a teoria faz mal, contraria nossas ilusões sobre a língua e a subjetividade?  (...) Objetividade, gosto e clareza, Barthes assim resumia, cm Critique et Verite [Crítica e Verdade], em 1966, ano mágico, os dogmas do ‘suposto crítico’ universitário, o qual ele queria substituir por uma

‘ciência da literatura’. Há teoria quando as premissas do discurso corrente sobre a literatura não são mais aceitas como evidentes, quando são questionadas, expostas como construções históricas, como convenções. Em seu começo, também a história literária se fundava numa teoria, em nome da qual eliminou do ensino literário a velha retórica, mas essa teoria perdeu-se ou edulcorou-se a medida que a história literária foi se identificando com a instituição escolar e universitária.

O apelo a teoria é, por definição, opositivo, até mesmo subversivo e insurrecto, mas a fatalidade da teoria é a de ser transformada em método pela instituição acadêmica, de ser recuperada, como dizíamos. Vinte anos depois, o que surpreende, talvez mais que o conflito violento entre a história e a teoria literária, é a semelhança das perguntas levantadas por uma e por outra nos seus primórdios entusiastas, sobretudo esta, sempre a mesma: ‘O que é a literatura?’

Permanência das perguntas, contradição e fragilidade das respostas: dai resulta que e sempre pertinente partir das noções populares que a teoria quis anular, as mesmas que voltaram quando a teoria se enfraqueceu, a fim de não só rever as respostas opositivas que ela propôs, mas também tentar compreender por que essas respostas não resolveram de uma vez por todas as velhas perguntas. Talvez porque a teoria, a custa de sua luta contra a Hidra de Lerna, tenha levado seus argumentos longe demais e eles tenham se voltado contra ela? A cada ano, diante de novos estudantes, é preciso recomeçar com as mesmas figuras de bom senso e clichês irreprimíveis, com o mesmo pequeno número de enigmas ou de lugares comuns que balizam o discurso corrente sobre a literatura. Examinarei alguns, os mais resistentes, porque é em torno deles que se pode construir uma apresentação simpática da teoria literária com todo o vigor de sua justa cólera, da mesma maneira como ela os combateu – em vão.”

 

05.10.25

Resultado de imagem para exodo
Do nada (bem... não é bem “do nada”..., mas a força da expressão procede!). Então... do nada, apareceu na tela do meu “esperto” um vídeo em que um homem aparece numa porta perguntando onde na Bíblia está escrito que nós podemos fazer imagens (Quase literalmente isso). Faz outras perguntas, mas quero fixar-me apenas nesta. A mulher responde: “Êxodo, 25, 18”. Fiquei curioso. Procurei o tal versículo na internete. Encantado, li todo o capítulo 25 do Êxodo. O segundo livro da Bíblia: Êxodo. No Houaiss, tem-se o seguinte verbete: nome, substantivo masculino. Emigração de todo um povo ou saída de pessoas em massa; o segundo livro da Bíblia, em que se narra a fuga dos hebreus do Egito; na rubrica teatro, no antigo teatro grego, o episódio final da tragédia e/ou o final de uma comédia ou episódio cômico que se seguia à representação de uma tragédia. Claro está que fiz algumas adaptações no verbete. Nada criminoso... O que desejo partilhar é certo encantamento com o texto bíblico, sobretudo na aguda descrição dos detalhes necessários para cumprir a lei mosaica. Espero não estar incorrendo em erro histórico e/ou heresia. Só desejo partilhar meu encantamento, as dúvidas e as questões, inumeráveis, vão continuar comigo, na minha intimidade... Fique(m) com o texto bíblico:

1Disse o Senhor a Moisés:

2"Diga aos israelitas que me tragam uma oferta. Receba-a de todo aquele cujo coração o compelir a dar.

3Estas são as ofertas que deverá receber deles: ouro, prata e bronze;

4fios de tecidos azul, roxo e vermelho, linho fino, pelos de cabra;

5pe­les de carneiro tingidas de vermelho, couro, madeira de acácia;

6azeite para iluminação, especiarias para o óleo da unção e para o incen­so aromático;

7pedras de ônix e outras pedras preciosas para serem encravadas no colete sa­cerdotal e no peitoral.

8"E farão um santuário para mim, e eu habitarei no meio deles.

9Façam tudo como eu lhe mostrar, conforme o modelo do tabernáculo e de cada utensílio.

A arca

10"Faça uma arca de madeira de acácia com um metro e dez centímetros de compri­mento, setenta centímetros de largura e setenta centímetros de altura.

11Revista-a de ouro puro, por dentro e por fora, e faça uma moldura de ouro ao seu redor.

12Mande fundir quatro argo­las de ouro para ela e prenda-as em seus quatro pés, com duas argolas de um lado e duas do outro.

13De­pois faça varas de madeira de acácia, revista-as de ouro

14e coloque-as nas argolas laterais da arca, para que possa ser carregada.

15As varas permanecerão nas argolas da arca; não devem ser retiradas.

16Então coloque dentro da arca as tábuas da aliança que lhe darei.

17"Faça uma tampa de ouro puro com um metro e dez centímetros de comprimento por setenta centímetros de largura,

18com dois querubins de ouro batido nas extremidades da tampa.

19Faça um querubim numa extremidade e o segundo na outra, formando uma só peça com a tampa.

20Os querubins devem ter suas asas estendidas para cima, cobrindo com elas a tampa. Ficarão de frente um para o outro, com o rosto voltado para a tampa.

21Coloque a tampa sobre a arca e dentro dela as tábuas da aliança que darei a você.

22Ali, sobre a tampa, no meio dos dois querubins que se encontram sobre a arca da aliança, eu me encontrarei com você e lhe darei todos os meus mandamentos destina­dos aos israelitas.

A mesa

23"Faça uma mesa de madeira de acácia com noventa centímetros de comprimento, qua­renta e cinco centímetros de largura e setenta centímetros de altura.

24Revista-a de ouro puro e faça uma moldura de ouro ao seu redor.

25Faça também ao seu redor uma borda com a largura de quatro dedos e uma moldura de ouro para essa borda.

26Faça quatro argolas de ouro para a mesa e prenda-as nos quatro cantos dela, onde estão os seus quatro pés.

27As argolas devem ser presas próximas da borda para que sustentem as varas usadas para carregar a mesa.

28Faça as varas de madeira de acácia, revestindo-as de ouro; com elas se carregará a mesa.

29Faça de ouro puro os seus pratos e o recipiente para incenso, as suas tigelas e as bacias nas quais se derramam as ofertas de bebidas.

30Coloque so­bre a mesa os pães da Presença, para que este­jam sem­pre diante de mim.

O castiçal

31"Faça um candelabro de ouro puro e batido. O pedestal, a haste, as taças, as flores e os botões do candelabro formarão com ele uma só peça.

32Seis braços sairão do candelabro: três de um lado e três do outro.

33Haverá três taças com formato de flor de amêndoa num dos bra­ços, cada uma com botão e flor; e três taças com formato de flor de amêndoa no braço se­guinte, cada uma com botão e flor. Assim será com os seis braços que saem do candelabro.

34Na haste do candelabro haverá quatro taças com formato de flor de amên­doa, cada uma com botão e flor.

35Haverá um botão debaixo de cada par dos seis braços que saem do candela­bro.

36Os braços com seus botões formarão uma só peça com o candelabro; tudo feito de ouro puro e batido.

37"Faça-lhe também sete lâmpadas e coloque-as nele para que iluminem a frente dele.

38Seus cortadores de pavio e seus apagado­res serão de ouro puro.

39Com trinta e cinco quilos de ouro puro faça o candelabro e todos esses utensílios.

40Tenha o cuidado de fazê-lo segundo o modelo que lhe foi mostrado no mon­te.

 

03.10.25

Stendhal.webp

Crônica da ascensão e queda de um alpinista social. Título instigante? Muito! Provável? Sim. Adequado? Penso que não, sobretudo quando se trata de um romance monumental – como tantos outros. Estou a falar de O vermelho e o negro (Le rouge et le noir), do Stendhal. Como ponto de partida, considero o que vem escrito na página da famigerada Wikipedia. Sim, eu a consult0, a consultei e não tenho motivos razoáveis para não a consultar num futuro provável. Se alguém me apresentar tal argumento, sou capaz de abandonar esta prática... Voltando ao que interessa. O verbete da tal Wikipedia diz o seguinte: “Le rouge et le noir (O vermelho e o negro, em francês), com o subtítulo Chronique du XIX siécle (‘Crônica do século XIX’), é um romance histórico psicológico em dois volumes do escritor francês Stendhal, publicado em 1830. Costuma ser citado como o primeiro romance realista, embora imbuído de uma sensibilidade romântica e, diferindo da literatura realista em geral (em especial Balzac), seja econômico nas descrições de ambientes físicos e pessoas, preferindo se aprofundar em seus processos psicológicos, levando ao extremo o foco do narrador onisciente. A ação transcorre na França no tempo da Restauração antes da Revolução de 1830, supostamente entre 1826 e 1830, e trata das tentativas de um jovem de subir na vida, apesar do seu nascimento plebeu, através de uma combinação de talento, trabalho duro, engano e hipocrisia, apenas para encontrar-se traído por suas próprias paixões. (...) O nome da obra é motivo para controvérsias. Discute-se muito a que Stendhal se referia com o ‘vermelho’ e o ‘negro’. Muitos atribuem o negro a cor da batina do herói e o vermelho ao sangue lavado, mas há outras interpretações que também podem ser citadas como a razão para o nome. O que reforça a dúvida é que em certas ocasiões, conclamam que o nome O vermelho e o negro, vem do vermelho da antiga farda vermelha (que depois tornou-se azul-claro) dos franceses e o negro da batina dos padres, demonstrando a principal dúvida de Julien: “revelar-se nobre e ter ascensão rápida e garantida na hierarquia religiosa, ou continuar mundano sob as mesmas circunstâncias na vida militar”. Essa é uma interpretação para a aceitação de um jovem de origem humilde nos meios sociais de maior vulto e influência.” O verbete continua, mas o que me interessa está aqui. Vamos por partes. De cara, uma chatice. Ao afirmar que O vermelho e o negro pode ser considerado ‘o primeiro romance realista, embora imbuído de uma sensibilidade romântica e, diferindo da literatura realista em geral’, eu poderia dizer que isso é uma grandessíssima bobagem. Não é. O fato é que reduzir a leitura de um romance como o de que trato aqui a estes parâmetros ‘classificatórios’ é imperdoável. Claro está que a periodização é importante e desempenha seu papel didático no estudo da Literatura, seja qual for a sua nacionalidade. No entanto, este texto de Stendhal, como tantos outros, transcendem essas mesmas periodizações, ainda que deles sejam feitos reféns por gente rasteira e sem perspectiva.  A aproximação com Balzac, irrecorrível, dá vantagem a Stendhal. Reservo-me o direito de ter por Balzac, opinião bem firme: um chato (como tantos outros). O detalhismo dele me cansa, entendia. Há peças memoráveis, por evidente, mas é um chato por conta do citado detalhismo. Além disso, a narrativa de Stendhal se alimenta dos miasmas napoleônicos de que ressente a cultura francesa (será que um dia livrar-se-á dela?). O caráter sociológico de que se reveste o desempenho do protagonista, Julien Sorel, ultrapassa o estreito limite da “crônica social”, como o referido verbete também anuncia. O enredamento de questões sociais, política, econômicas e religiosas formam um primoroso bordado da sociedade francesa coetânea do período recoberto pelo romance. Ba ficção, o escritor francês faz cortes cirúrgicos, notadamente em abcessos de hipocrisia dos quais a mesma sociedade se alimenta e deles se vangloria. Mais um dos paradoxos que a Literatura costuma construir, desvelar e, em muitos casos, demolir. De mais a mais, os envolvimentos amorosos de Julien Sorel escapam galhardamente de armadilhas românticas que tanto notabilizaram outros escritores do mesmo idioma. Ocorre-me, por acaso, Alexandre Dumas, com o seu O conde de monte Cristo. De igual maneira, em outro diapasão, Os miseráveis, de Victor Hugo. A lista é inumerável. De qualquer forma, a releitura deste romance me trouxe uma satisfação enorme. O gosto pela “alta literatura”, para Lembrar Leyla Perrone-Moisés é insaciável e encontra nos famigerados “clássicos” alimento inesgotável. Sei que sou um chato, mas gosto de ler, fazer o quê...!

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27.09.25


Estou já há dois meses e quatro dias vivendo os meus 70 anos. Em 23 de julho de 2026 os completo. E já faz um tempinho que o pensamento se volta para as venturas e desventurar de se adentrar na idade. O avanço é inexorável. Costumo dizer a médicos que cuidam de mim e a amigos/familiares que, se fosse possível, viveria até o ponto de não depender totalmente de outra(s) pessoa(s). A dependência total, que significa absoluta ausência de autonomia, é algo que me assusta.  Assim, resolvi partilhar hoje dois textos. Uma historinha enviada por uma amiga e a letra de uma música. Quero crer que ambos os textos se complementam, dialogam e fazem pensar, cada um a seu modo. A ordem de leitura é aleatória, por supuesto!

“Em uma reunião familiar, um jovem perguntou aos pais, tios e avós: Como vocês viviam antes?

- Sem TV

- Sem Wi-Fi

- Sem tecnologia

- Sem internet

- Sem computadores

- Sem drones

- Sem bitcoins

- Sem celulares

- Sem Facebook

- Sem Twitter

- Sem YouTube

- Sem WhatsApp

- Sem Messenger

- Sem Instagram.

Então, no meio de toda a família, o avô se pronunciou e respondeu:

- Bem, olha, querido neto.

Assim como a sua geração vive hoje...

- Sem orações

- Sem respeito

- Sem valores.

- Sem personalidade

- Sem senso de compromisso

- Sem um eu interior.

- Sem caráter.

- Sem tempero.

- Sem ideais.

- Sem amor-próprio.

- Sem humanidade.

- Sem modéstia.

- Sem virtudes.

- Sem honra.

- Sem propósito.

- Sem aquele “não sei o quê”.

- Sem essência.

- Sem objetivos.

- Sem identidade, porque muitos não sabem se são homem ou mulher.

Nós, as pessoas NASCIDAS entre 1920 e 1975, somos abençoadas, e nossas vidas são a prova viva disso: depois da escola, a lição de casa vinha primeiro, e depois íamos brincar lá fora!

Brincávamos com amigos de verdade, não com amigos virtuais da internet.

Costumávamos fazer nossos próprios brinquedos e brincar com eles.

Nossos PAIS Não éramos ricos.

Eles nos deram e nos ensinaram AMOR, não valores materiais ou mundanos.

Nunca tivemos celulares, laptops, DVDs, Play Stations, Xboxes, videogames, computadores pessoais ou internet... mas tínhamos amigos de VERDADE.

Parentes moravam perto para que pudéssemos APROVEITAR o tempo em família.

Podemos ter aparecido nas fotos em preto e branco, mas você pode encontrar memórias muito coloridas nessas fotos.

Somos uma GERAÇÃO ÚNICA e mais COMPREENSIVA porque somos a ÚLTIMA GERAÇÃO que OUVIU seus PAIS... e também a PRIMEIRA que teve que OUVIR seus filhos.

Somos uma EDIÇÃO LIMITADA!

Aproveite, valorize e APRENDA com ontem.

Nascemos nos anos 40, 50 e 60.

Crescemos nos anos 50-60-70.”m

Estudamos na Anos 60, 70 e 80.”m

Namoramos nos anos 70, 80 e 90.”m

Nos casamos e descobrimos o mundo nos anos 70, 80 e 90.

Nos aventuramos nos anos 80 e 90.

Nos estabilizamos nos anos 2000.

Ficamos mais sábios nos anos 2010.

E estamos firmemente a caminho de 2026

Acontece que vivemos OITO décadas diferentes...

DOIS séculos diferentes...”

DOIS milênios diferentes...

Passamos do telefone com telefonista para ligações de longa distância para videochamadas em qualquer lugar do mundo.

Passamos dos discos de vinil para a música online, das cartas escritas à mão para o e-mail e o WhatsApp.

De assistir aos jogos no rádio para a TV em preto e branco e depois para a HDTV.”

Íamos à locadora e agora assistimos à Netflix, Globo Play entre outras.

“Conhecemos os primeiros computadores, cartões perfurados, disquetes, e agora temos gigabytes e megabytes em nossas mãos em nossos celulares ou iPads.”

Usamos shorts durante toda a infância, depois calças compridas, Oxfords, bermudas, etc.

Evitamos paralisia infantil, meningite, gripe H1N1 e COVID-19.”

“Sim, passamos por muita coisa, mas que vida maravilhosa tivemos!”

Podem nos chamar de “Sobreviventes”.

Pessoas que nasceram naquele mundo dos anos 1950, que tiveram uma infância analógica e uma vida adulta digital.

“Somos uma espécie de “já vi de tudo”.

Literalmente, nossa geração viveu e testemunhou muito mais do que qualquer outra em todas as dimensões da vida.

Foi a nossa geração que literalmente se adaptou ao mundo.

Uma grande salva de palmas a todos os membros de uma geração muito especial, que será ÚNICA.”

Uma mensagem linda e muito verdadeira que recebi de um amigo.

Espero que você tenha tempo para ler e compartilhar esta mensagem... ou então deixe para depois

e verá que nunca a compartilhará!

Sempre Juntos

Sempre Unidos

Sempre Irmãos

Sempre Amigos

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Tocando em frente (Almir Sater)

Ando devagar
Porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demais

Hoje me sinto mais forte
Mais feliz, quem sabe
Só levo a certeza
De que muito pouco sei
Ou nada sei

Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs

É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

Penso que cumprir a vida
Seja simplesmente
Compreender a marcha
E ir tocando em frente

Como um velho boiadeiro
Levando a boiada
Eu vou tocando os dias
Pela longa estrada, eu vou
Estrada eu sou

Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs

É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

Todo mundo ama um dia
Todo mundo chora
Um dia a gente chega
E no outro vai embora

Cada um de nós compõe a sua história
E cada ser em si carrega o dom de ser capaz
De ser feliz

Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs

É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

Ando devagar
Porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demais

Cada um de nós compõe a sua história
E cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz

 

25.09.25

caminho.webp

Pensando no que escrever depois de (mais um!) lapso de tempo, deu-me um estalo e abri o arquivo com as obras completas de Augusto dos anhos, poeta de que gosto imenso. Passei os olhos pelo índice e deparei-me com um título instigante. O poema que a este título corresponde acabou por ser minha postagem de hoje. Sem mais!

Tomara que gostem...

POEMA NEGRO

A Santos Neto

Para iludir minha desgraça, estudo.

Intimamente sei que não me iludo.

Para onde vou (o mundo inteiro o nota)

Nos meus olhares fúnebres, carrego

A indiferença estúpida de um cego

E o ar indolente de um chinês idiota!

 

A passagem dos séculos me assombra.

Para onde irá correndo minha sombra

Nesse cavalo de eletricidade?!

Caminho, e a mim pergunto, na vertigem:

— Quem sou? Para onde vou? Qual minha origem?

E parece-me um sonho a realidade.

 

Em vão com o grito do meu peito impreco!

Dos brados meus ouvindo apenas o eco,

Eu torço os braços numa angústia douda

E muita vez, à meia-noite, rio

Sinistramente, vendo o verme frio

Que há de comer a minha carne toda!

 

É a Morte — esta carnívora assanhada —

Serpente má de língua envenenada

Que tudo que acha no caminho, come...

— Faminta e atra mulher que, a 1 de Janeiro,

Sai para assassinar o mundo inteiro,

E o mundo inteiro não lhe mata a fome!

 

Nesta sombria análise das cousas,

Corro. Arranco os cadáveres das lousas

E as suas partes podres examino...

Mas de repente, ouvindo um grande estrondo,

Na podridão daquele embrulho hediondo

Reconheço assombrado o meu Destino!

 

Surpreendo-me, sozinho, numa cova.

Então meu desvario se renova...

Como que, abrindo todos os jazigos,

A Morte, em trajes pretos e amarelos,

Levanta contra mim grandes cutelos

E as baionetas dos dragões antigos!

 

E quando vi que aquilo vinha vindo

Eu fui caindo como um sol caindo

De declínio em declínio; e de declínio

Em declínio, com a gula de uma fera,

Quis ver o que era, e quando vi o que era,

Vi que era pó, vi que era esterquilínio!

 

Chegou a tua vez, oh! Natureza!

Eu desafio agora essa grandeza,

Perante a qual meus olhos se extasiam...

Eu desafio, desta cova escura,

No histerismo danado da tortura

Todos os monstros que os teus peitos criam!

 

Tu não és minha mãe, velha nefasta!

Com o teu chicote frio de madrasta

Tu me açoitaste vinte e duas vezes...

Por tua causa apodreci nas cruzes,

Em que pregas os filhos que produzes

Durante os desgraçados nove meses!

 

Semeadora terrível de defuntos,

Contra a agressão dos teus contrastes juntos

A besta, que em mim dorme, acorda em berros:

Acorda, e após gritar a última injúria,

Chocalha os dentes com medonha fúria

Como se fosso o atrito de dois ferros!

 

Pois bem! Chegou minha hora de vingança.

Tu mataste o meu tempo de criança

E de segunda-feira até domingo,

Amarrado no horror de tua rede,

Deste-me fogo quanto eu tinha sede...

Deixa-te estar, canalha, que eu me vingo!

 

Súbito outra visão negra me espanta!

Estou em Roma. É Sexta-feira Santa.

A trava invade o obscuro orbe terrestre

No Vaticano, em grupos prosternados,

Com as longas fardas rubras, os soldados

Guardam o corpo do Divino Mestre.

 

Como as estalactites da caverna,

Cai no silêncio da Cidade Eterna

A água da chuva em largos fios grossos...

De Jesus Cristo resta unicamente

Um esqueleto; e a gente, vendo-o, a gente

Sente vontade de abraçar-lhe os ossos!

 

Não há ninguém na estrada da Ripetta.

Dentro da Igreja de S. Pedro, quieta,

As luzes funerais arquejam fracas...

O vento entoa cânticos de morte.

Roma estremece! Além, num rumor forte

Recomeça o barulha das matracas.

 

A desagregação da minha Ideia

Aumenta. Como as chagas da morfeia,

O medo, o desalento e o desconforto

Paralisam-me os círculos motores.

Na Eternidade, os ventos gemedores

Estão dizendo que Jesus é morto!

 

Não! Jesus não morreu! Vive na serra

Da Borborema, no ar de minha terra,

Na molécula e no átomo... Resume

A espiritualidade da matéria

E ele é que embala o corpo da miséria

E faz da cloaca uma urna de perfume.

 

Na agonia de tantos pesadelos

Uma dor bruta puxa-me os cabelos.

Desperto. É tão vazia a minha vida!

No pensamento desconexo e falho

Trago as cartas confusas de um baralho

E pedaço de cera derretida!

 

Dorme a casa. O céu dorme. A árvore dorme.

Eu, somente eu, com a minha dor enorme

Os olhos ensanguento na vigília!

E observo, enquanto o horror me corta a fala

O aspecto sepulcral da austera sala

E a impassibilidade da mobília.

 

Meu coração, como um cristal, se quebre;

O termômetro negue minha febre,

Torne-se gelo o sangue que me abrase,

E eu me converta na cegonha triste

Que das ruínas duma cassa assiste

Ao desmoronamento de outra casa!

 

Ao terminar este sentido poema

Onde vazei a minha dor suprema

Tenho os olhos em lágrimas imersos...

Rola-me na cabeça o cérebro oco.

Por ventura, meu Deus, estarei louco?!

Daqui por diante não farei mais versos.

augusto.webp

07.09.25

Ando pensando muito no tempo. Já o fiz antes. agora, há um “a mais”: a idade. Estou vivendo o meu septuagésimo ano de vida. Não é pouco. Já não é mais tempo para planos de médio e longo prazo. Já não há espaço para sonhos mirabolantes. É a experiência da finitude a cada dia mais nítida, mais explícita, mais inescapável. Tudo, absolutamente tudo muda de figura. Não cabe julgamento de valor sobre se para o bem ou para o mal. É como é. Punto i basta! Na “rede” há um situo sobre poesia de que gosto imenso. Hoje, abriu-se automaticamente uma postagem de quem controla tal sítio com um poema declamado pela atris inglesa, Helena Bonham Carter, de quem gosto imenso. O texto que ela declama segue abaixo. Depois, a tradução feita por alguém (a fonte vai entre parênteses. Em seguida, por pensar que é coerente (ainda que possa não sê-lo) segue outro texto recebido de uma amiga, a Suzana. É pra pesar, sempre e mais...

Derek Walcott – Love After Love

The time will come
when, with elation
you will greet yourself arriving
at your own door, in your own mirror
and each will smile at the other’s welcome,

and say, sit here. Eat.
You will love again the stranger who was your self.
Give wine. Give bread. Give back your heart
to itself, to the stranger who has loved you

all your life, whom you ignored
for another, who knows you by heart.
Take down the love letters from the bookshelf,

the photographs, the desperate notes,
peel your own image from the mirror.
Sit. Feast on your life.

Derek Walcott – amor depois do amor

Um dia virá
em que, eufórico,
você cumprimentará a si próprio chegando
à sua porta, em seu espelho
e cada um dará ao outro um sorriso de boas-vindas,

e você dirá, sente-se aqui. Coma.
Você amará outra vez o estranho que foi.
Sirva vinho. Reparta o pão. Restitua
o seu coração
para ele mesmo, para o estranho que um dia você amou

por toda sua vida, a quem você ignorou
por outro, que o conhece de cor.
Derrube da estante as cartas de amor,

as fotografias, os bilhetes desesperados,
arranque sua imagem do espelho.
Sente-se. Saboreie a sua vida.

(Tradução de Nelson Santander)

(Derek Walcott – O Amor Depois do Amor – singularidade – poesia e etc.)

O psicólogo Hideki Wada publicou um livro intitulado “A parede dos 80 anos”. Assim que foi lançado, o livro superou as 500.000 cópias vendidas, tornando-se o livro mais vendido do momento. Se essa tendência continuar, as vendas devem ultrapassar 1 milhão de cópias, tornando-se o livro do ano no Japão. O Dr. Wada, de 61 anos, é médico especializado em doenças mentais em idosos. Ele condensou os segredos de uma vida “afortunada” para os jovens de 80 anos em 44 frases, listadas abaixo:

  1. Continue caminhando.
  2. Quando estiver com raiva, respire profundamente.
  3. Faça exercícios suficientes para que seu corpo não endureça.
  4. Beba mais água ao usar ar-condicionado no verão.
  5. Fraldas são úteis para aumentar a mobilidade.
  6. Quanto mais você mastiga, mais ativos ficam seu cérebro e seu corpo.
  7. A perda de memória não é por causa da idade, mas da falta de uso do cérebro.
  8. Não há necessidade de tomar remédio demais.
  9. Não é necessário reduzir excessivamente a pressão arterial e o açúcar.
  10. Estar sozinho não é solidão; é passar o tempo em paz.
  11. A preguiça não é motivo de vergonha.
  12. Não é preciso gastar dinheiro com carteira de motorista (há uma campanha no Japão para que idosos devolvam suas habilitações).
  13. Faça o que quiser; não faça o que não gosta.
  14. Os desejos naturais permanecem mesmo na velhice.
  15. Em qualquer caso, não fique sentado em casa o tempo todo.
  16. Coma o que quiser; um pouco de sobrepeso é melhor.
  17. Faça tudo com cuidado.
  18. Não se envolva com pessoas de quem não gosta.
  19. Não assista à televisão o tempo todo.
  20. Em vez de lutar contra a doença, aprenda a conviver com ela.
  21. “Quando o carro chega à montanha, o caminho aparece”: esta é a frase mágica da felicidade para os idosos.
  22. Coma frutas e saladas frescas.
  23. O tempo de banho não deve ultrapassar 10 minutos.
  24. Se não conseguir dormir, não se force.
  25. Atividades que trazem alegria aumentam a atividade cerebral.
  26. Diga o que sente; não pense demais.
  27. Encontre um “médico de família” o quanto antes.
  28. Não seja paciente ou rígido demais; ser um “idoso ousado” também não é ruim.
  29. Às vezes, mudar de opinião está tudo bem.
  30. Na fase final da vida, a demência é um presente de Deus.
  31. Se parar de aprender, você envelhece.
  32. Não deseje fama; o que você tem já é suficiente.
  33. A inocência pertence aos idosos.
  34. Quanto mais difícil algo for, mais interessante se torna.
  35. Tomar sol traz felicidade.
  36. Faça coisas que beneficiem os outros.
  37. Gaste o dia de hoje com tranquilidade.
  38. O desejo é a chave para a longevidade.
  39. Viva com alegria.
  40. Respire com leveza.
  41. Os princípios da vida estão em suas próprias mãos.
  42. Aceite tudo em paz.
  43. Pessoas alegres são amadas por todos.
  44. Um sorriso traz boa sorte.

Envelhecer não é uma limitação, é um presente. Com a perspectiva certa e hábitos diários saudáveis, os anos após os 60 podem ser os mais gratificantes da vida. Vamos aceitar o envelhecimento sem medo, mas com graça, gratidão e a sabedoria que o Dr. Wada compartilha com tanta generosidade.

Compartilhe isso com todos os “jovens de idade avançada” que você conhece.

01.09.25

A inviolabilidade do domicílio é um direito fundamental garantido pela Constituição Brasileira, especificamente no Artigo 5º, inciso XI, que afirma que “a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial”. Essa proteção busca assegurar a privacidade e a segurança do lar, sendo considerada um dos primeiros direitos reconhecidos na Constituição. A violação desse direito pode resultar em sanções penais, conforme o Código Penal Brasileiro.

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