27.06.25
Que diabos uma mulher carregando um filho no carinho de bebê, puxando outro maiorzinho pela mão, com três sacolas de supermercado penduradas no braço faz andando pela rua, ao lado dos carros, em vez de caminhar pela calçada? Quem, em sã consciência (não ouso dar o nome de pai ou mãe) carrega uma criança na garupa de sua motocicleta e faz ultrapassagens perigosas e ilegais ou ilegais e perigosas (você escolhe!)? Que distorção de personalidade nefasta, indecente e vil leva alguém a armar um golpe contra indefesos e se vangloriar disso? A estas situações (e fiz um esforço enorme para “selecioná-las”!) pode-se dar o nome de barbárie (?). Estava pensando em escrever uma postagem raivosa, catártica e desprovida de controle para externar minha indignação, quando recebei de uma amiga, uma mensagem com o texto que segue abaixo. Tire sua própria conclusão.
Há anos, um estudante perguntou à renomada antropóloga Margaret Mead qual seria, em sua visão, o primeiro sinal de civilização em uma cultura antiga. Ele esperava uma resposta técnica – talvez ferramentas, cerâmica, lanças ou pedras de moer. Mas Mead surpreendeu: “O primeiro sinal de civilização é um fêmur quebrado… e depois curado.” No mundo selvagem, um osso fraturado é sentença de morte. Um animal ferido não consegue fugir, caçar, buscar água. Morre. Sozinho. Porque na natureza, ninguém para. Ninguém espera. Ninguém cuida. Mas um fêmur curado é uma evidência poderosa. Alguém viu a dor. Alguém parou. Carregou. Protegeu. Alimentou. E ficou ali – tempo suficiente para que o outro se curasse. Isso, para Margaret Mead, foi o início da civilização: o momento em que um ser humano decidiu que a vida do outro importava mais do que a própria pressa. Quando a compaixão superou o instinto. Quando cuidar se tornou um ato de sobrevivência coletiva. Num mundo que nos ensina a correr, competir e vencer sozinhos, essa história nos lembra o que realmente nos torna humanos: ser civilizado é cuidar. É parar. É estender a mão.
Porque a verdadeira grandeza começa onde termina o egoísmo.
(Fonte: @sobreliteratura_)