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As delícias do ócio criativo

As delícias do ócio criativo

Abril 30, 2024

Foureaux

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O que significa “No frigir dos ovos”?  

“Não é à toa que os estrangeiros acham nossa língua muito difícil. Como a Língua Portuguesa é rica em expressões! Veja o quanto o vocabulário “alimentar” está presente nas nossas metáforas do dia a dia. Aí vai.

Pergunta:

– Alguém sabe explicar-me, num Português claro e direto, sem figuras de linguagem, o que quer dizer a expressão ‘no frigir dos ovos’?

Resposta:

– Quando comecei, pensava que escrever sobre comida seria sopa no mel, mamão com açúcar. Só que depois de um certo tempo dá crepe, você percebe que comeu gato por lebre e acaba ficando com uma batata quente nas mãos. Como rapadura é doce, mas não é mole, nem sempre você tem ideias. Pra descascar esse abacaxi, só metendo a mão na massa. E não adianta chorar as pitangas ou, simplesmente, mandar tudo às favas. Já que é pelo estômago que se conquista o leitor, o negócio é ir comendo o mingau pelas beiradas, cozinhando em banho-maria, porque é de grão em grão que a galinha enche o papo. Contudo, é preciso tomar cuidado para não azedar, passar do ponto, encher linguiça demais. Além disso, deve-se ter consciência de que é necessário comer o pão que o diabo amassou, para poder vender o seu peixe. Afinal, não se faz uma boa omelete sem antes quebrar os ovos. Há quem pense que escrever é como tirar doce da boca de criança e aí, vai com muita sede ao pote. Mas como o apressado come cru, essa gente acaba falando muita abobrinha. São escritores de meia tigela, trocam alhos por bugalhos e confundem Carolina de Sá Leitão com caçarolinha de assar leitão. Há também aqueles que são arroz de festa que, com a faca e o queijo nas mãos, se perdem em devaneios (piram na batatinha, viajam na maionese etc.). Achando que beleza não põe mesa, pisam no tomate, enfiam o pé na jaca e, no fim, quem paga o pato é o leitor, que sai com cara de quem comeu e não gostou. O importante é não cuspir no prato em que se come, pois, quem lê, não é tudo farinha do mesmo saco. Diversificar é a melhor receita para engrossar o caldo e oferecer um texto de se comer com os olhos, literalmente. Por outro lado, se você tiver os olhos maiores que a barriga, o negócio desanda e vira um verdadeiro angu de caroço. Aí, não adianta chorar sobre o leite derramado, porque ninguém vai colocar uma azeitona na sua empadinha não. O pepino é só seu e o máximo que você vai ganhar é uma banana. Afinal, pimenta nos olhos dos outros é refresco. A carne é fraca, eu sei. Às vezes dá vontade de largar tudo e ir plantar batatas. Mas, quem não arrisca não petisca e depois, quando se junta a fome com a vontade de comer, as coisas mudam da água pro vinho.

Se embananar de vez em quando é normal. O importante é não desistir, mesmo quando o caldo entornar. Puxe a brasa para sua sardinha, que no frigir dos ovos, a conversa chega na cozinha e fica de se comer rezando. Daí, com água na boca, é só saborear, porque o que não mata engorda. Entendeu o que significa ‘no frigir dos ovos’?

(Autor desconhecido)”

 

Abril 29, 2024

Foureaux

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Há muito tempo, já não me lembro se em São Paulo ou Rio de Janeiro – ainda estava na graduação – encontrei num sebo um livro. O nome da autora também já me escapou há tempos da memória. O que interessa é que o livro contava a história de Ceci e Peri, depois que chegam ao Rio da Janeiro, salvos da tempestade que fecha O guarani.

“A menina, por um movimento instintivo de terror, conchegou-se ao seu amigo; e nesse momento supremo, em que a inundação abria a fauce enorme para tragá-los, murmurou docemente: 

— Meu Deus!... Peri!... 

Então passou-se sobre esse vasto deserto de água e céu uma cena estupenda, heróica, sobre-humana; um espetáculo grandioso, uma sublime loucura. 

Peri alucinado suspendeu-se aos cipós que se entrelaçavam pelos ramos das árvores já cobertas de água, e com esforço desesperado cingindo o tronco da palmeira no seus braços hirtos, abalou-o até as raízes. 

Três vezes os seus músculos de aço, estorcendo-se, inclinaram a haste robusta; e três vezes o seu corpo vergou, cedendo a retração violenta da árvore, que voltava ao lugar que a natureza lhe havia marcado. 

Luta terrível, espantosa, louca, desvairada: luta da vida contra a matéria; lata do homem contra a terra; lata da força contra a imobilidade. 

Houve um momento de repouso em que o homem, concentrando todo o seu poder, estorceu-se de novo contra a árvore; o ímpeto foi terrível; e pareceu que o corpo ia despedaçar-se nessa distensão horrível: 

Ambos, árvore e homem, embalançaram-se no seio das águas: a haste oscilou; as raízes desprenderam-se da terra já minada profundamente pela torrente. A cúpula da palmeira, embalançando-se graciosamente, resvalou pela flor da água como um ninho de garças ou alguma ilha flutuante, formada pelas vegetações aquáticas. 

Peri estava de novo sentado junto de sua senhora quase inanimada: e, tomando-a nos braços, disse-lhe com um acento de ventura suprema: 

— Tu viverás!... 

Cecília abriu os olhos, e vendo seu amigo junto dela, ouvindo ainda suas palavras, sentiu o enlevo que deve ser o gozo da vida eterna. 

— Sim?... murmurou ela: viveremos!... lá no céu, no seio de Deus, junto daqueles que amamos!... 

O anjo espanejava-se para remontar ao berço. 

— Sobre aquele azul que tu vês, continuou ela, Deus mora no seu trono, rodeado dos que o adoram. Nós iremos lá, Peri! Tu viverás com tua irmã, sempre...! 

Ela embebeu os olhos nos olhos de seu amigo, e lânguida reclinou a loura fronte. 

O hálito ardente de Peri bafejou-lhe a face. 

Fez-se no semblante da virgem um ninho de castos rubores e límpidos sorrisos: os lábios abriram como as asas purpúreas de um beijo soltando o vôo. 

A palmeira arrastada pela torrente impetuosa fugia... 

E sumiu-se no horizonte.”

No livro que encontrei por acaso, o casal desembarca no Rio de Janeiro, constitui família e a história se alonga. Pensei nisso, depois de ver um filme intitulado Caso perigoso (Shattered, no original), de 2022, dirigido por Luis Prieto. O filme, em si mesmo, não é grande coisa, mas o final me fez lembrar do que escrevi acima. Pai e mãe feridos, a vilã do filme pronta para atacá-los e um tiro se ouve. A filha do casal atira na vilã. A tela fica preta. Fim. Fiquei pensando nos desdobramentos. Possíveis. O casal e a menina vão a julgamento, mas a coisa se complica porque se tratava de uma criança. Pai e mãe são acusados de usar filha no assassinato da vilã. A família é absolvida, dadas as circunstâncias do acontecido, mas tem dificuldades para reaver tudo o que a vilã havia roubado. O casa se reconcilia e a vida familiar segue sua normalidade. São possibilidades plausíveis tato quanto a continuação do romance entre Peri e Ceci. Isso faz parte do que se chama criação literária. Há quem desconheça esse valor...

Abril 23, 2024

Foureaux


Duvido de que Machado de Assis tenha consultado alguém sobre a “viabilidade mercadológica” de nomes como Capitu ou Eugênia quando escrevia os textos em que estas personagens aparecem. Também tenho absoluta certeza de que nenhum crítico ou professor de oficina de escrita criativa tenha avisado a Guimarães Rosa que Riobaldo era um nome que “ia bombar”! No tempo em que eles escreveram suas obras, essas chatices não existiam. Acredito que não havia gente que se aproveitava da mesma condição que favelados para publicar qualquer coisa em nome da tal de “literatura de testemunho”. Nem tão pouco, alguém, um pouco mais amorenado, escrevendo sobre mazelas suas e alheias, mas sem nenhuma fímbria de “trabalho literário” publicava suas linhas assim, com loas, pompa e circunstância. Confesso que invejo Paulo Coelho: sua equipe de marketing é supimpa. E ele tem muito senso de comércio também. Assim não fosse, não teria se tornado o sucesso retumbante em que se tornou, sobretudo no exterior. Por ser alguém que escreve sobre algo que escapa à razão, fez muito sucesso na França e, então, entra em ação a tal equipe. Pimba. Na mosca! Sem chance para mais ninguém. Reza a lenda que ele foi um dos poucos, senão o único estrangeiro a publicar simultaneamente em capa dura e livre de poche. Reza a lenda... Só por isso o invejo, o que não procede quanto ao “conteúdo” do que ele escreve. Ando desgostoso com muita coisa. Uma delas é reconhecer que não tenho chance no tout pétit monde da Literatura em Pindorama: não fiz oficina de escrita criativa, não “ganhei” nenhum prêmio, não tenho amigos influentes no “mercado” editorial. Sou um nada. Logo... oblivium... Tem nada não. Não vou morrer de tédio por conta disso. Minha saúde não me permite perder tempo com essas firulas. Em sua potência, ela me mantém em pé e feliz, apesar de tudo. De mais a mais, tudo passa, e a gente vira pó, com prêmio ou não...

Abril 19, 2024

Foureaux

maxresdefault.jpgLembrando, antes de mais, que o VOTO é que faz com que o ciclo da safadeza continue. É bom entender: o “VOTO

"VOCÊ SABE O QUE É SAFADEZA???

O título até pode ser deselegante, mas que é muito verdadeiro...

  1. SAFADEZA é comparar a pensão de um Deputado com a de uma Viúva.
  2. SAFADEZA é um Cidadão ter que contribuir ao longo de 35 anos para ter direito a receber pensão, enquanto deputados necessitam somente 1 ou 2 mandatos, conforme o caso, e alguns membros do Governo, para terem o direito de cobrar Pensão Máxima precisam unicamente do Juramento de Posse.
  3. SAFADEZA é que os Deputados sejam os únicos Trabalhadores (???) deste País que têm isenção de IR sobre 1/3 de seu salário.
  4. SAFADEZA é por, na Administração pública, milhares de Assessores (leia-se Amigalhaços) com Salários almejados pelos Mais Qualificados Técnicos.
  5. SAFADEZA é a enorme quantidade de Dinheiro destinado a apoiar os Partidos, situação aprovada pelos mesmos Políticos que vivem deles.
  6. SAFADEZA é que a um Político não se exija a mínima comprovação de Capacidade para exercer o Cargo (e nem estamos a nos referir à capacidade Intelectual ou Cultural). 7. SAFADEZA é o valor gasto por essa tropa de safados com alimentação, veículos Oficiais, Motoristas, Viagens (sempre em 1ª Classe), Cartões de Crédito etc. 
  7. SAFADEZA é essa mesma corja ter direito a quase 5 meses de Férias ao Ano (48 dias no Natal, uns 17 na Semana Santa, (mesmo que muitos se declarem não religiosos), e uns 82 dias no Verão).
  8. SAFADEZA é essa corja, quando acaba um mandato, manter 80% do Salário por mais 18 meses.
  9. SAFADEZA é ex-Ministro, ex-Secretário de Estado e outros de Altos Cargos da Política serem os únicos cidadãos deste País que podem legalmente acumular dois recebimentos do Erário Público.
  10. SAFADEZA é se permitir que usem os Meios de Comunicação Social para mentir à Sociedade sobre seus feitos e seguirem assaltando os Bolsos dos Contribuintes. Esta deveria ser uma dessas correntes que nunca poderia se romper!!! NUNCA, porque só nós podemos acabar com TUDO ISSO.”

PS: o texto não é de minha autoria, por isso, as aspas. Cortei apenas uma expressão final por excessiva...

Abril 11, 2024

Foureaux

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Mexendo no meu computador – já velho, que não reconhece certos arquivos, que me impede de abrir outros tantos e que vai ficando cada vez mais lento – encontrei este fragmento. Já não sei se fui eu mesmo quem o escreveu. Já não sei se copiei de algum lugar. Para evitar dores de cabeça, vai entre aspas. Se, por acaso, não fui eu o autor, e se, por acaso, o autor o reconhecer... faça—me saber.

“Existe, creio que atavicamente, um traço distintivo no ser humano: a sede de ser o primeiro. Tenho dúvidas sobre ser “sede” o termo correto. Talvez desejo soasse melhor ou faria mais sentido ou daria mais consistência à ideia exposta. Tanto faz. Aqui, qualquer uma das formas vai dizer a que veio. Esta sede permeia quase todas as atitudes do ser humano. Há um grupo, num certo lugar que, num determinado – pelo próprio grupo – momento, resolveu inventar uma coisa. Não há necessidade de se dizer que coisa é essa. Fato é que a coisa foi inventada pelos elementos que compunham o grupo, num sentido mais estrito. Na verdade, o grupo era mais numeroso. A invenção, no entanto, era peculiaridade do pequeno conjunto. A coisa foi inventada e divulgada, tomou forma e corpo. Alçou voo e alcançou outros rincões mundo a fora. Sua genuinidade pode ser questionada, por óbvio. Faz tempo que o conceito de originalidade vem perdendo força, eficácia, eficiência, relevância... A invenção persiste. Assim, pensar no primeiro, no original, no início é exercício filosófico de monta. Ser da primeira turma que cursou um programa de disciplinas diferente por conta de uma reforma de ensino. Ser da primeira turma da graduação em Língua Portuguesa que, antes, só oferecia Licenciaturas duplas. Ir pela primeira vez a um determinado local e, no primeiro quilômetro deste local, sofrer uma acidente. Ser o primeiro classificado em primeiro lugar num concurso público. Ser o primeiro... este exercício pode encher de orgulho e empáfia um sujeito que não esteja atento ao que se passa à sua volta. Dizer “sou o primeiro” é motivo de reprovação ou vergonha? Depende. O contrário também depende. Tudo é relativo, sobretudo no discurso. O contexto pode modificar a simplicidade de uma assertiva, tornando-a profundamente ofensiva, e até criminal, quando é o caso. E há muitos casos... O que importa, no entanto, é saber que a sensação de ser o primeiro não é ruim. Nada ruim. Há que se procurar certa sabedoria intrínseca, implícita e intuitiva, para não se deixar engambelar pelo “canto de sereia” da vaidade que leva o sujeito à ruína. Nem sempre, mas leva. Nem sempre é simples.”

Abril 09, 2024

Foureaux

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Depois de um intervalo alongado, volto com uma postagem, digamos, enigmática. Há que ler com olhos de ver e pensar, inclusive em voz alta, com ouvidos de ouvir. Para bom entender, um pingo é letra!

Ameaça, substantivo feminino que tem três acepções no Houaiss: fato, ação, gesto ou palavra que intimida ou atemoriza; indício de acontecimento desfavorável ou maléfico, sinal; ato que ficou ou ainda está no princípio; intenção. A etimologia da palavra mostra que o vocábulo se origina do latim vulgar minacia do adjetivo que significa ‘iminente’ (com aglutinação do artigo).

Então, repetindo: ameaça é um substantivo feminino que identifica palavra, ato, gesto pelos quais se exprime a vontade que se tem de fazer mal a alguém; intimidação; sinal, manifestação que leva a acreditar na possibilidade de ocorrer alguma coisa, ou sinal de que algo ruim ou prejudicial pode acontecer.

Entenda quem quiser e/ou puder... e se puder e/ou quiser...

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